Com a demissão de Fernando Diniz do Corinthians após a derrota para o Internacional, o Campeonato Brasileiro chegou a marca de 19 técnicos demitidos até o meio da 29ª rodada, com 13 dos 20 times já tendo trocado ao menos uma vez de treinador durante a competição.
Embora os dirigentes muitas vezes sofram críticas pelas trocas constantes, a estratégia se mostra acertada na maioria das vezes, ao menos levando em conta o aproveitamento dos pontos disputados.
Dos clubes que trocaram de treinador, dez viram suas equipes melhorarem o aproveitamento sob os novos comandantes.
Vale ressaltar que há outros fatores que influenciam o desempenho que não foram considerados, como a chegada de reforços, desfalques por lesão, calendário mais ou menos apertado e os adversários enfrentados. Há também uma variação grande no número de jogos em que cada treinador atuou.
De toda forma, o próprio Diniz acaba sendo um exemplo da tendência. Ele deixou o Corinthians com um aproveitamento de 38,6% dos pontos disputados, considerando apenas as partidas do Brasileiro, acima dos 33,3% de seu antecessor, Dorival Júnior.
A melhora de desempenho não se traduziu, porém, em mudanças na tabela de classificação —o alvinegro é atualmente o 16º colocado, a mesma posição em que se encontrava quando Dorival caiu.
O Cruzeiro foi o time que teve a evolução mais drástica ao longo do campeonato. O time mineiro iniciou a competição sob o comando de Tite, demitido após seis rodadas, com três empates e três derrotas, aproveitamento de somente 16,7%. O ex-treinador da seleção brasileira deixou a equipe na vice-lanterna.
Sob o comando de Artur Jorge, o Cruzeiro deu uma guinada, com aproveitamento de quase 70% (69,8%) e a 4ª colocação temporária na tabela, após a vitória sobre o São Paulo, no Mineirão, na quarta-feira.
Destaque também para o salto de produtividade do Santos. Até a demissão de Juan Pablo Vojvoda, o aproveitamento não chegava a 30% (28,6%) e, na sétima rodada, o alvinegro praiano era o 16º colocado.
Com a chegada de Cuca, o aproveitamento saltou para 55,6%, com o time ocupando a 8ª colocação.
No Fluminense, Luiz Zubeldía foi dispensado tendo um aproveitamento de 53,1%, o que lhe assegurava a 4ª colocação na classificação.
Com Marcão, o aproveitamento subiu para 72,3%, o que rendeu ao interino a efetivação até o fim do campeonato. Ultrapassado pelo Cruzeiro, o tricolor das Laranjeiras pode retomar a 4ª colocação na noite desta quinta-feira (8), quando encara o Coritiba, às 21h30 (horário de Brasília), no Maracanã.
No caso de Flamengo, Vasco e Atlético-MG, Leonardo Jardim (74,7%), Renato Gaúcho (45,2%) e Eduardo Domínguez (57%) superaram o desempenho de seus antecessores, respectivamente, Filipe Luís (44,5%), Jorge Sampaoli (22,2%) e Fernando Diniz (11,5%). O trio, contudo, promoveu as trocas após somente três rodadas, o que prejudica a base de comparação.
O Botafogo demitiu Martín Anselmi após a 8ª rodada, quando o time acumulava aproveitamento de 42,9% e era o 17º colocado. Franclim Carvalho assumiu e levou o percentual para a casa dos 56%, deixando o time em 11º na classificação. Tite, que chegou em setembro, acumula até aqui duas derrotas, com a equipe em 13º.
No Remo, aconteceu fenômeno semelhante. Juan Carlos Osorio deixou o comando técnico após quatro rodadas e sem vitórias —três empates e uma derrota—, correspondente a um aproveitamento de 25%, com o time em 16º na tabela.
Com Léo Condé, o aproveitamento subiu para 29%, o que não foi suficiente para melhorar a posição na tabela. O treinador deixou a equipe na vice-lanterna. O sucessor Thiago Carpini acumula até aqui apenas dois jogos, com um empate e uma derrota, aproveitamento de 16,7%, e a manutenção da penúltima colocação.
Segundo o jornalista e comentarista esportivo Paulo Vinícius Coelho, o PVC, as melhoras de aproveitamento são erráticas, na maioria dos casos, sem que a troca de comando se traduza em mudanças de patamar das equipes.
Em alguns casos, é possível que a mudança traga um fator motivacional que faça o time ter uma reação de curto prazo, mas que em muitas das vezes não se perpetua por muito tempo, assinalou ele.
“O resultado é que os times não conseguem desenvolver um jogo coletivo, já que os elencos continuam sendo os mesmos, mas os treinadores que chegam acabam tendo filosofias de trabalho completamente diferentes”, afirmou PVC.
São Paulo vê aproveitamento despencar após saída de Crespo
Entre os times que trocaram de técnico e não alcançaram os resultados almejados, merece destaque o caso do São Paulo.
Em uma decisão bastante contestada pelas arquibancadas, a diretoria tricolor optou pela demissão de Hernán Crespo ainda no início da competição, mesmo com o time largando bem, com três vitórias e um empate, o que garantia a vice-liderança, com aproveitamento de 83,4%.
Em seu lugar, assumiu Roger Machado. Com o novo treinador, o aproveitamento caiu praticamente pela metade, para 42,4%, com o time descendo para a 4ª posição. Roger comandou o time em apenas 11 partidas no Brasileirão.
Dorival Júnior foi então chamado de volta para sua terceira passagem. O rendimento, entretanto, seguiu em queda. O time agora acumula aproveitamento de apenas 30,8% e é o 11º colocado.
A Chapecoense também não teve sucesso ao mudar de treinador. Gilmar Dal Pozzo comandou a equipe ate a 9ª rodada, deixando-a na 17ª colocação, com 22,2% de aproveitamento.
Fábio Matias entrou em seu lugar, mas o rendimento despencou para 4,8% —foram seis derrotas e um empate sob o comando do treinador—, com a Chape descendo para a 18ª posição.
Rafael Lacerda chegou e conseguiu elevar o percentual para 30%, o que não foi o suficiente para impedir que o time amarge a 20ª e última posição da tabela.
Embora ainda bastante recente, o Grêmio também ainda não colheu resultados positivos da troca.
Luís Castro comandou o time por 27 rodadas, com aproveitamento de 35,9%, deixando o time na 15ª colocação. Renato Gaúcho tem até aqui apenas dois jogos, com dois empates, aproveitamento de 33,3%, e a queda para a 18ª posição.
Entre times que não trocaram, aproveitamento vai de 39,3% a 67,9%
Dos sete times que mantêm o mesmo técnico com que iniciaram a disputa do Brasileirão —Athletico-PR, Bahia, Coritiba, Mirassol, Palmeiras, Red Bull Bragantino e Vitória—, o melhor aproveitamento é do português Abel Ferreira, com a conquista de 67,9% dos pontos disputados à frente do alviverde, vice-líder até a 29ª rodada.
Já o pior é de Rafael Guanaes, do Mirassol. Após a campanha surpreendente em sua estreia na elite do futebol brasileiro, quando conduziu a equipe do interior paulista à 4ª colocação e foi eleito o melhor treinador da Série A, Guanaes não tem conseguido repetir o desempenho em 2026. O time é apenas o 15º colocado na tabela, a duas posições da zona de rebaixamento, com aproveitamento de 39,3%.
