O governo brasileiro indicou disposição para retomar o diálogo comercial com os Estados Unidos, para reduzir alíquotas e ampliar a lista de produtos isentos da tarifa de 37,5% imposta pela Casa Branca. A declaração foi feita pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, durante evento da ApexBrasil, em Brasília, nesta quinta-feira (30).
Segundo o ministro, a última reunião de alto nível com o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, em 14 de julho, terminou com o compromisso de retomar as conversas em agosto. Ele também disse que governo brasileiro pode tomar a iniciativa de procurar Washington, caso os americanos não retomem as negociações. Márcio Elias Rosa defende que o Brasil mantenha o diálogo ativo mesmo diante do impasse tarifário.
“A Organização Mundial de Comércio nunca fez tanta falta como faz nos dias de hoje, mas isso não é problema para a gente desistir. O Brasil que defende o multilateralismo não para de negociar. O Brasil acredita no poder de negociação, na proximidade dos povos, acredita que a identidade entre homens e mulheres, independentemente da sua origem, do território que habita, da língua que fala, é mais relevante do que posições ideológicas de alguns que governam, por ocasião, episodicamente. Esses passam”.
Em discurso no evento Outlook Agro Brasil, o ministro do Desenvolvimento citou a abertura de novos mercados, com acordos recentes firmados com Cingapura e com a EFTA, grupo formado por Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein, além da União Europeia, bloco com o qual a corrente de comércio cresceu 2 bilhões de dólares somente em maio e junho.
Elias Rosa também respondeu às críticas do governo de Donald Trump de que o agronegócio brasileiro avança às custas do desmatamento.
“Aqueles que dizem que o Brasil produz a partir do desmatamento ilegal, aqueles que supõem que o Brasil produz a partir da exploração de riquezas naturais. Erra quem diz isso. O Brasil reduziu em 50% o desmatamento ilegal nos últimos três anos na Amazônia. O Brasil reduziu em 63% o desmatamento ilegal do Pantanal nos últimos 3 anos. O Brasil está recuperando 3,4 milhões de hectares de áreas que antes foram devastadas”.
O desmatamento é justamente uma das frentes contestadas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio. Nesta quinta-feira, o país formalizou um pedido de consultas sobre duas medidas do governo americano, baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que apresentam, entre outras justificativas, supostas práticas ambientais irregulares do agronegócio brasileiro. O governo do Brasil sustenta que as sobretaxas aplicadas ultrapassam os percentuais previstos na própria nomenclatura tarifária dos Estados Unidos.
