Os suplementos de magnésio ganharam espaço nas redes sociais e nas prateleiras das farmácias com promessas de melhorar o sono, reduzir cãibras, aliviar o estresse e aumentar a disposição.
Mas, apesar da popularidade, especialistas alertam que o mineral não deve ser usado indiscriminadamente e que seus benefícios dependem da necessidade de cada organismo.
O magnésio participa de mais de 300 reações bioquímicas do corpo. Ele atua na produção de energia, no funcionamento dos músculos e dos nervos, na síntese de proteínas, no controle da pressão arterial e da glicemia, além de contribuir para a saúde óssea.
Segundo os especialistas, antes de iniciar a suplementação é importante investigar a causa dos sintomas e avaliar se realmente existe deficiência do mineral.
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do Metrópoles Saúde e Ciência
Quando os suplementos de magnésio são indicados
Os suplementos de magnésio costumam ser recomendados para pessoas que apresentam deficiência confirmada ou forte suspeita clínica, principalmente quando existem fatores que favorecem a perda ou dificultam a absorção do mineral.
Entre as situações mais comuns estão doenças gastrointestinais, como doença celíaca e doença de Crohn, diarreia crônica, diabetes mal controlada, alcoolismo, doença renal com perda excessiva de magnésio e uso prolongado de medicamentos, como diuréticos, inibidores da bomba de prótons e alguns quimioterápicos.
O endocrinologista Rafael Suhett, que atende no Rio de Janeiro, explica que nem todos precisam recorrer aos suplementos.
“Na prática clínica, não há comprovação consistente de que suplementar magnésio em indivíduos sem deficiência melhore disposição, desempenho físico, memória ou qualidade de vida de forma generalizada.”, afirma.
Os sintomas da deficiência podem incluir cãibras frequentes, fraqueza muscular, fadiga, tremores, formigamentos e palpitações. Embora a dosagem de magnésio sérico seja o exame mais utilizado, ela deve ser interpretada em conjunto com os sintomas, fatores de risco e outros exames laboratoriais.
Alimentação ainda é a principal fonte do mineral
Na maioria dos casos, uma alimentação equilibrada é suficiente para fornecer a quantidade necessária de magnésio ao organismo. O mineral está presente em verduras verde-escuras, leguminosas, oleaginosas, sementes e grãos integrais.
De acordo com o nutrólogo Rubem Regoto, que também atende no Rio de Janeiro, o suplemento deve ser encarado como um complemento, e não como substituto de uma boa alimentação.
“Muitas vezes o organismo responde melhor a uma base alimentar bem construída do que a um aumento da quantidade de cápsulas”, explica.
Os especialistas também destacam que existem diferentes formas de magnésio, como citrato, bisglicinato, dimalato e treonato. Embora cada uma tenha características específicas de absorção e tolerabilidade, a escolha depende da indicação clínica, e não apenas das promessas presentes nos rótulos.
Quais são os riscos da suplementação sem orientação
Apesar de ser um mineral essencial, o magnésio também pode causar efeitos adversos quando utilizado em excesso ou sem acompanhamento profissional.
Doses elevadas podem provocar diarreia, náuseas, desconforto abdominal, queda da pressão arterial e fraqueza muscular. Em pessoas com insuficiência renal, o risco é ainda maior, já que os rins têm dificuldade para eliminar o excesso do mineral, favorecendo seu acúmulo no organismo.
Outro ponto de atenção é a interação com medicamentos. Os suplementos de magnésio podem reduzir a absorção de alguns antibióticos, bisfosfonatos usados no tratamento da osteoporose e levotiroxina, tornando necessário respeitar intervalos entre as medicações.
Por isso, a recomendação é que a suplementação seja feita apenas após avaliação individualizada, considerando sintomas, histórico de saúde, alimentação e necessidade real de reposição. Dessa forma, é possível evitar tanto o uso desnecessário quanto deixar de tratar uma deficiência quando ela realmente existe.

