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River Plate desbanca Flamengo e Palmeiras no mercado – 15/09/2026 – Esporte


O River Plate desbancou Flamengo e Palmeiras como principal comprador do futebol sul-americano na mais recente janela de transferências e lançou um desafio aos gigantes brasileiros, donos das últimas sete edições da Libertadores.

O clube argentino venceu a disputa com o Flamengo pela contratação de Thiago Almada, campeão mundial com a Argentina no Qatar, em 2022, e vice-campeão na América do Norte, em 2026.

O ex-meio-campista do Atlético de Madrid protagonizou a maior transferência desta janela na região e a maior da história do futebol argentino, estimada em 20 milhões de euros (R$ 119 milhões) pelo site especializado Transfermarkt.

O River também contratou Ángel Correa e outros jogadores de renome, como o colombiano Rafael Santos Borré, vindo do Internacional, e Lucas Beltrán, emprestado pela Fiorentina. Nicolás Otamendi, outro campeão mundial, chegou sem custos.

O clube reformulou o elenco com investimento total de 52,4 milhões de euros (R$ 311,65 milhões), apesar de não disputar a atual edição da Libertadores.

No Brasil, o clube que mais investiu no período, encerrado na sexta-feira (12), foi o Cruzeiro, com 23,8 milhões de euros (R$ 141,55 milhões).

Em janeiro, o Flamengo havia contratado Lucas Paquetá por 42 milhões de euros (R$ 249,80 milhões), recorde na América do Sul.

Outras contratações movimentaram janelas anteriores, como Samuel Lino, pelo Flamengo, Gerson, pelo Cruzeiro, e Vitor Roque e Jhon Arias, pelo Palmeiras.

O restante da América do Sul está distante dos valores praticados por brasileiros e argentinos. Na Colômbia, destacaram-se as repatriações de James Rodríguez, pelo Atlético Nacional, Juan Guillermo Cuadrado, pelo Millonarios, e Juan Fernando Quintero, pelo Deportivo Independiente Medellín.

Os três chegaram sem custos, mas com salários superiores a 1 milhão de euros (R$ 5,95 milhões) por ano, segundo a imprensa local.

O River Plate “busca se reposicionar como potência continental, como a equipe capaz de competir com os clubes do Brasil”, disse Thiago Freitas, diretor de operações no Brasil da agência de representação Roc Nation.

Os Millonarios foram o último clube não brasileiro a conquistar a Libertadores, em 2018.

Em meio à crise argentina, que obrigou os clubes a buscar fontes alternativas de receita, Freitas considera que o River acertou ao investir na reforma do estádio Monumental de Buenos Aires.

A capacidade passou de cerca de 65 mil para 85 mil espectadores, tornando-o o maior estádio da América do Sul.

A mudança aumentou a receita dos jogos e ampliou a realização de outros eventos.

Enquanto grandes clubes têm optado por construir arenas mais luxuosas, mas menores, o River seguiu “o caminho oposto” e alcançou um volume de receitas sem precedentes para um clube argentino, afirma Freitas.

O clube registrou superávit de mais de 35 milhões de euros em 2025.

Também fechou acordo de cerca de 100 milhões de euros (R$ 594 milhões) com a multinacional de entretenimento Live Nation para organizar espetáculos no estádio, cuja capacidade voltará a aumentar, para 101 mil espectadores.

O investimento, porém, ainda não se refletiu em campo. O River foi eliminado nas oitavas de final da Sul-Americana e ocupa a sétima posição de seu grupo no Torneio Clausura argentino.

Flamengo, “responsável”; Palmeiras, vendedor

Atual campeão brasileiro e da Libertadores, o Flamengo gastou apenas 13 milhões de euros (R$ 77,32 milhões) nesta janela, nas contratações do equatoriano Anthony Valencia, 23, e do argentino Joaquín Freitas, 19, revelado pelas categorias de base do River.

“Temos responsabilidade financeira”, justificou José Boto, diretor de futebol do clube.

“Se tivéssemos 50% da irresponsabilidade de alguns clubes, ganharíamos pelos próximos 20 anos”, ironizou Boto.

Segundo a empresa Galapagos Capital, os clubes da liga brasileira somaram 2,4 bilhões de euros (R$ 14,27 bilhões) em receitas em 2025, mas as dívidas ultrapassaram 2,9 bilhões de euros (R$ 17,25 bilhões). Clubes tradicionais, como o Corinthians, enfrentam problemas financeiros.

“Não quero citar nomes, mas há clubes gigantes completamente destruídos. É um absurdo e uma irresponsabilidade”, disse a presidente do Palmeiras, Leila Pereira.

Desta vez, o Verdão foi mais vendedor do que comprador.

Contratou o argentino naturalizado uruguaio Alexander Barboza por 3,4 milhões de euros (R$ 20,22 milhões) e vendeu ao Manchester City, por cerca de 40 milhões de euros (R$ 237,90 milhões), o ponta Allan, formado nas categorias de base do clube.

Freitas considera que o cenário atual é conjuntural e afirma que a última foi uma “janela de correção”.

E alerta que as contratações milionárias no Brasil “vão voltar”.



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