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Rafa Câmera chega à F1 com o DNA de automobilismo da avó – 15/10/2026 – Esporte


Em um esporte que por décadas tratou as pistas como um território masculino, Rafa Câmara encontrou na própria família uma inspiração que desafiava essa lógica, sua avó materna, pioneira no automobilismo nos anos de 1960.

Incentivada por seu pai, Niege Rossiter se destacou nas pistas aos 19 anos em corridas de rua no Recife, com vitórias e pódios em circuitos tradicionais daquela época, como o da Cidade Universitária, utilizado nos “500 Quilômetros de Recife”.

Quase sete décadas depois, a avó de Rafa Câmara vê o DNA da família alcançar o mais importante espaço do automobilismo mundial, com a chegada do pernambucano à F1. Nesta quinta-feira (15), o brasileiro foi anunciado pela Haas como novo piloto titular da equipe para 2027, com um contrato de múltiplos anos.

O jovem de 21 anos assumirá o posto do francês Esteban Ocon, 30, que está na equipe desde 2025, e será o novo companheiro do inglês Oliver Bearman, 21, rejusvencendo ainda mais a dupla da equipe americana.

A avó materna de Rafael Chaves Câmara, nome completo do mais novo representante do Brasil na F1, acompanhava de perto a carreira do neto. Ao lado da filha Paula, mãe do piloto, assistia às corridas de kart e esteve presente em provas da Fórmula 4 no tradicional circuito de Monza, na Itália. Rafa se mudou ainda jovem para o país europeu para disputar competições como a WSK.

Com o sucesso no kartismo internacional —foi vice-campeão europeu e mundial—, Câmara ingressou na tradicional Academia da Ferrari, a mesma que promoveu para a principal categoria do automobilismo nomes como Charles Leclerc e Oliver Bearman, dois pilotos que estão no atual grid do Mundial.

A forma impressionante como ganhou o título da F3 em 2025, logo em seu ano de estreia, com cinco poles e quatro vitórias em nove etapas, também ajudou a deixar em evidência o nome de Câmara no paddock.

“Agora, meu foco está em me preparar da melhor maneira possível para este novo desafio. Haverá muito a aprender, e estou ansioso para trabalhar em estreita colaboração com a equipe, entender o carro e continuar evoluindo como piloto”, disse o novo piloto da Haas, o 34º do Brasil na F1 e o primeiro nordestino a chegar na categoria.

“Vou continuar trabalhando, como sempre vim trabalhando, evoluindo. Se Deus quiser, vou fazer um bom ano no ano que vem e trazer bastante orgulho para o Brasil e para todo mundo que estiver acompanhando”, acrescentou Câmara.

Antes do sucesso nas categorias que dão acesso à F1, ele também conquistou diversos títulos regionais e o Campeonato Brasileiro de Kart em 2018. No cenário internacional, sagrou-se vice-campeão mundial da CIK-FIA (classe OK Junior) em 2019 e dominou o kartismo em 2021 com títulos da WSK Champions Cup e da WSK Super Master Series, além do vice-campeonato europeu.

Na estreia com carros de fórmula, foi vice-campeão da F4 dos Emirados Árabes e terminou em 3º lugar os campeonatos da F4 Italiana e da F4 Alemã.

Em 2026, ele deu um importante passo em sua carreira ao fechar com a equipe Invicta para correr na F2. O brasileiro lidera atualmente a disputa, faltando duas etapas para o fim do campeonato, sendo o favorito a selar a conquista.

Caso Câmara consiga o troféu, o Brasil vai completar cinco temporadas consecutivas com pelo menos um título entre os campeonatos de F2 e F3.

O primeiro título dessa série veio com Felipe Drugovich na F2, em 2022. Depois, Gabriel Bortoleto venceu a F3 (2023) e a F2 (2024). No ano passado, Rafa Câmara foi campeão da F3.

Dos três, apenas Drugovich ainda não conseguiu uma oportunidade para ser titular na F1. Bortoleto está em sua segunda temporada na categoria, correndo neste ano pela Audi.

A chegada de Bortoleto, em 2025, encerrou um hiato do Brasil no grid que durava desde 2017, quando o país teve seu último titular nas pistas, com Felipe Massa.

A continuidade do paulista na categoria, junto com a vaga conquistada por Câmara, faz o Brasil voltar a ter dois representantes na F1 após 11. A última temporada com dois brasileiros no grid havia sido a de 2016, com Felipe Massa pilotando pela Williams e Felipe Nasr na Sauber.

A oportunidade para Câmara na Haas ganhou força após ele se destacar em testes particulares da equipe. O brasileiro pilotou modelos da categoria —incluindo a Ferrari SF-25 e o Haas VF-25—, acumulando quilometragem e impressionando os engenheiros do time americano com os dados de telemetria, consistência em ritmo de corrida e capacidade de ajuste técnico.

“O Rafa impressionou o time com seu desempenho no teste com carros antigos, então estamos ansiosos para dar continuidade a esse trabalho e fortalecer a relação em tempo integral na próxima temporada”, disse Gene Haas, dono da equipe norte-americana. “Estou animado para ver o que Rafael Câmara pode conquistar na F1 depois de acompanhar seus resultados ao longo da trajetória nas categorias de base.”

A Haas—que utiliza motores Ferrari— é a atual 7ª colocada no Mundial de Construtores da F1, com 30 pontos —23 deles foram conquistados por Bearman, que tem como melhor resultado na temporada o 5º lugar no GP da China, em março, e os 7 restantes por Ocon.

A equipe trava uma briga direta justamente com a equipe de Gabriel Bortoleto, a Audi, que aparece logo atrás, em oitavo, com 23, sendo 10 conquistados pelo brasileiro, o 15º na classificação.



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