sábado 11, julho, 2026 - 23:32

Esporte

O lado B da Copa do Mundo – 11/07/2026 – PVC

Só existe um jeito de não envelhecer e é muito melhor ficar mais velho. Uma das vantag

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Só existe um jeito de não envelhecer e é muito melhor ficar mais velho. Uma das vantagens é poder conhecer 40 países em coberturas internacionais. Os Estados Unidos estão longe, bem longe, de ser o lugar preferido. Viva a América do Sul e a Europa.

Mas há cidades encantadoras aqui. Como Boston, onde a França eliminou Marrocos. Ou São Francisco, que, dizem, piorou muito, com cracolândia e tráfico de drogas bem embaixo da Golden Gate.

Uma canção em homenagem a Nova York, composta por Art Garfunkel, sucesso no histórico show no Central Park da dupla Simon & Garfunkel, diz: “Looking down on Central Park, where they say you should not wander, after dark”. Olhando para baixo, para o Central Park, onde dizem que não se deve vagar após o anoitecer. Havia o risco de ser esfaqueado lá, no início dos anos 1980. Melhorou.

Essa capacidade norte-americana de olhar para os defeitos como se até eles fossem perfeitos e devessem ser homenageados é parte do que fez o jornal inglês The Guardian comparar os comentários de Thierry Henry com os de Alexi Lalas, como representação da diferença entre a aristocracia francesa e o típico idiota americano.

É também o que faz com que ninguém, nos EUA, ache absurdo a Fifa permitir um estádio em que narradores e torcedores fritem ao sol de 40°C. Nas Copas mais recentes, da Ásia 2002 ao Qatar 2022, todas tiveram exigências gigantescas nas construções de estádios.

O Brasil reclamou muito disso. Até se deu bem, porque é muito mais legal ir a uma arena em São Paulo, Belo Horizonte, Rio, Salvador e Porto Alegre que a um puleiro chamado de stadium em Foxboro, a uma hora e 15 minutos da deliciosa cidade de Boston.

Uma das desculpas para mudar a sede em São Paulo do Morumbi para Itaquera, há 12 anos, foi a posição dos vestiários, atrás dos gols, no palco são-paulino.

Surpresa! Em Boston, os jogadores surgiram no campo vindo de trás do gol e foram apresentados pelos narradores Everaldo Marques e Galvão Bueno, que reclamavam por estarem passando mal com o sol de Foxboro.

Há 32 anos, Juca Kfouri relatava o calor que passamos juntos à espera da decisão Brasil x Itália, ao meio-dia, cozinhando sob o sol de Pasadena, a 16 km de Los Angeles. À época, podia-se argumentar que os estádios não tinham cobertura —nem sombra.

A finalíssima de 1990, entre Alemanha e Argentina, aconteceu no verão de Roma, numa arena completamente exposta ao sol ou à chuva.

Não choveu naquela estate italiana, título da canção tema daquele Mundial, e os relatos são de que foi agradável sentar-se ao sereno para ver uma partida que se iniciou às 20h.

Verdade nua e crua é que a Fifa morre de medo dos Estados Unidos, que não sairão da Copa muito diferentes de como entraram. Há popularidade do futebol entre latinos, houve interesse dos norte-americanos típicos com as vitórias na fase de grupos e desdém após a eliminação. Os americanos sentem que algo se perdeu, algo se quebrou, como cantou Caetano.

Continuarão dizendo que os Los Angeles Dodgers são os campeões da World Series (série mundial), e também disseram isso no início de junho sobre o New York Knicks, depois da vitória sobre o San Antonio Spurs e da conquista da NBA após 53 anos.

A Copa não é daqui, dos Estados Unidos.

É de outro mundo.


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