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Mercado de trabalho exige novas habilidades até 2030


Para quem está entrando no mercado de trabalho, a escolha de uma profissão precisa levar em conta que as carreiras também mudam ao longo do tempo. Em vez de buscar uma ocupação considerada “à prova do futuro”, jovens que estão definindo seus caminhos profissionais precisam desenvolver conhecimentos e habilidades que permitam acompanhar as transformações do mercado e abrir novas possibilidades ao longo da trajetória.

O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, estima que, em média, 39% das habilidades atualmente utilizadas pelos trabalhadores serão transformadas ou ficarão desatualizadas entre 2025 e 2030. O pensamento analítico aparece como a principal habilidade central procurada pelos empregadores, seguido por resiliência, flexibilidade e agilidade, além de liderança e influência social.

Para Rafael Chenta, Gerente de Transformação e de Gente e Gestão da Intoo, unidade de gestão de carreira da Gi Group Holding, essa realidade muda também a forma como os profissionais devem pensar suas trajetórias. “Não existe mais uma garantia de profissão imune à transformação. A melhor proteção é desenvolver um conjunto de competências que atravesse diferentes ocupações”, explica.

Isso significa combinar conhecimentos técnicos com habilidades que possam ser aplicadas em diferentes contextos. Familiaridade básica com dados e inteligência artificial, por exemplo, tende a ser útil mesmo para quem não atua diretamente em áreas de tecnologia. Pensamento crítico, resolução de problemas complexos, negociação, liderança e capacidade de relacionamento também ganham importância na construção de uma carreira adaptável.

O próprio levantamento mostra que essa mudança não acontece de maneira uniforme entre as profissões. Ocupações ligadas à saúde, educação e trabalho social estão entre as que apresentam crescimento, impulsionadas, entre outros fatores, por mudanças demográficas e pelo envelhecimento da população. Ao mesmo tempo, funções relacionadas à tecnologia, como especialistas em big data, IA e aprendizado de máquina, aparecem entre as que apresentam as maiores taxas de crescimento percentual.

“Quem termina a faculdade achando que já aprendeu a profissão parte em desvantagem frente a quem trata a atualização como parte da rotina de trabalho. A segurança de carreira hoje vem menos do cargo escolhido e mais da capacidade de se adaptar mais rápido do que a própria profissão muda”, conclui o gerente.

Tecnologia muda o perfil das profissões

Essa necessidade de adaptação também se aplica a quem já está no mercado. Profissões que durante décadas dependeram de tarefas manuais, repetitivas ou baseadas em regras estão passando por uma mudança de perfil. A expansão da Inteligência Artificialinteligência artificial, da automação e dos serviços digitais faz com que atividades antes realizadas exclusivamente por pessoas passem a ser executadas, em parte ou totalmente, por sistemas e ferramentas tecnológicas.

Esse movimento ajuda a explicar por que ocupações como caixas, digitadores, auxiliares administrativos, escriturários e operadores de telemarketing aparecem entre as que devem registrar as maiores quedas nos próximos anos, segundo o Future of Jobs Report 2025.

Mais do que eliminar postos de trabalho, a tecnologia está alterando o que se espera dos profissionais dentro de cada ocupação. Atividades repetitivas, previsíveis e baseadas em regras estão entre as mais suscetíveis à automação.

“Quando falamos em Inteligência Artificialinteligência artificial, automação e digitalização, muitas pessoas imaginam que estamos falando apenas de substituição de profissionais por máquinas. Na verdade, o que está acontecendo é uma mudança nas atividades que compõem cada profissão. As funções que envolvem tarefas repetitivas, previsíveis e baseadas em regras são justamente as mais suscetíveis à automação”, explica Chenta.

Além do avanço tecnológico, mudanças no comportamento dos consumidores também contribuem para esse cenário. Serviços bancários, compras, pagamentos e atendimentos, por exemplo, passaram por uma forte digitalização, reduzindo a necessidade de algumas atividades tradicionalmente realizadas de forma presencial ou manual. O relatório também aponta a ampliação do acesso digital como um dos principais fatores de transformação do mercado de trabalho.

Isso não significa, necessariamente, que os profissionais dessas áreas deixarão de ser necessários. “Em muitos casos, o cargo continuará existindo, porém com um perfil muito mais analítico, consultivo e apoiado por tecnologia”, pontua o especialista.

Velocidade da queda x quantidade de empregos afetados

Outro ponto importante na análise das profissões em transformação é diferenciar a velocidade da mudança de seu impacto em números absolutos. Uma lista apresenta as ocupações que terão a maior redução percentual, enquanto outra considera aquelas que devem registrar a maior quantidade de empregos eliminados.

A diferença explica por que determinadas profissões aparecem em uma relação e não necessariamente na outra. Uma ocupação relativamente pequena pode perder uma parcela significativa de seus postos de trabalho e, ainda assim, representar um impacto absoluto menor. Já funções que empregam milhões de pessoas podem ter uma redução proporcional menor, mas resultar em um número muito maior de trabalhadores afetados.

No Future of Jobs Report 2025, por exemplo, caixas e profissionais de funções administrativas aparecem entre as ocupações com maior expectativa de queda em números absolutos até 2030. O levantamento estima as mudanças a partir das expectativas de empregadores combinadas a dados de emprego da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

“Essa distinção ajuda a entender não apenas a velocidade das mudanças, mas também a dimensão delas no mercado de trabalho. Uma profissão pode estar mudando rapidamente, mas atingir um contingente relativamente pequeno de trabalhadores, enquanto outra pode passar por uma transformação menos acelerada, mas afetar milhões de pessoas”, observa o executivo.

Experiência continua sendo um ativo na recolocação

Para quem já está no mercado e atua em uma área mais suscetível à automação, a mudança também não significa necessariamente abandonar a carreira e começar do zero. O caminho pode estar em identificar quais competências desenvolvidas ao longo da trajetória profissional continuam sendo úteis em outras funções.

“Recomeçar do zero raramente é o melhor caminho, e quase nunca é necessário. A experiência anterior carrega ativos que continuam valiosos mesmo quando a função específica desaparece”, destaca o gerente.

Um profissional de atendimento ao cliente, por exemplo, pode ter desenvolvido habilidades de comunicação, resolução de conflitos e relacionamento que podem ser aproveitadas em áreas como vendas consultivas, sucesso do cliente ou gestão de projetos. Da mesma forma, um profissional administrativo pode levar para outras funções competências como organização, resolução de problemas, atenção aos detalhes, relacionamento com clientes e conhecimento de processos.

O desafio passa, então, por complementar essa bagagem com conhecimentos que ganham relevância no mercado. “Aprender a utilizar ferramentas de Inteligência Artificialinteligência artificial, desenvolver competências em análise de dados, automação de processos, atendimento consultivo e comunicação passa a ser um diferencial importante”, avalia.

A estratégia, portanto, não precisa ser uma reinvenção completa da carreira. Cursos de curta duração, certificações e programas de requalificação direcionados podem ajudar o profissional a incorporar novos conhecimentos sem abrir mão da experiência já acumulada.

Fonte: Gi Group Holding





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