Em alusão ao Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, a Cinelândia, no Centro do Rio de Janeiro, recebeu, nesta quarta-feira (18), uma mobilização em defesa dos direitos desse grupo.
O ato reuniu pessoas que vivem nas ruas, movimentos sociais, entidades e serviços que atuam diretamente com esse público. 25 organizações apoiaram a iniciativa.
O objetivo é chamar a atenção para as violações de direitos enfrentadas diariamente, cobrar a ampliação das políticas públicas e reforçar as principais reivindicações dessa parcela da população.
A presidente do Instituto Lar, Ana Paula Rios, avalia que o aumento significativo do número de pessoas em situação de rua na última década mostra que é necessária união de forças para lidar com a questão.
“Esse crescente número mostra que o que temos hoje não está funcionando. É urgente, mas é preciso pensar junto com a sociedade civil e pessoas nessa situação para construir políticas públicas que façam sentido para minimizar ou controlar essa realidade.”
A defensora pública do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, Cristiane Xavier, atesta que o sistema é ainda mais cruel quando se é mulher…
“A mulher em situação de rua não é reconhecida como mulher. A violência começa pelo próprio Estado como na rua. Porque ela sofre a violência da segurança pública na questão do ordenamento do espaço público, sofre violência dos seus companheiros, e muitas delas são oriundas de uma violência doméstica intrafamiliar. Temos a violência quando ela vai ter filho; presidiária pode ficar seis meses com seu filho, mas a mulher em situação de rua não, ela tinha que sair da maternidade e deixar seu filho. É muito duro ser mulher em situação de rua”.
O dia 19 de agosto foi escolhido em referência ao chamado Massacre da Sé, ocorrido em São Paulo, em agosto de 2004. Na ocasião, pessoas que dormiam na Praça da Sé foram atacadas. Sete morreram e outras seis ficaram com sequelas permanentes. A data foi oficializada por lei como Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua.
Em maio de 2026, o CadÚnico contabilizava mais de 388 mil pessoas em situação de rua no Brasil. São Paulo liderava o ranking nacional, com quase 160 mil registros. O Rio ocupava a segunda posição, com mais de 35 mil, seguido por Minas Gerais, com mais de 34 mil pessoas morando nas ruas.
