A Justiça suspendeu na quinta-feira (1º) o contrato do Corinthians com a Fatal Fans, plataforma de conteúdo adulto, em decisão liminar da Vara da Infância e da Juventude do Tatuapé, em São Paulo.
O acordo assinado em junho garantia a exibição da marca no calção do alvinegro, é válido até o fim de 2027, e prevê um pagamento em torno de R$ 22 milhões ao clube.
A empresa chegou a fazer uma oferta de R$ 120 milhões para assumir também o patrocínio master do Corinthians em setembro, em meio às incertezas em torno da manutenção da Esportes da Sorte após a MP assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que vetou as operações das plataformas, mas o negócio não avançou.
O clube tem um prazo de 15 dias para que a marca seja retirada de unifromes, estádio, canais digitais e outras áreas.
Ele também terá de adotar mecanismos de verificação de idade, de modo a restringir o acesso de crianças e adolescentes à plataforma.
A decisão da Vara da Infância e da Juventude destacou que a exposição da marca da Fatal Fans acaba alcançando um público infantojuvenil significativo.
Segundo a decisão, havia “risco concreto à integridade emocional, à dignidade e ao desenvolvimento sadio de crianças e adolescentes.”
Em agosto, o Ministério Público havia instaurado inquérito civil para investigar o Corinthians e a plataforma para apurar possível violação de direitos de crianças e adolescentes.
O Corinthians informou ainda não ter sido notificado da decisão liminar. A Fatal Fans não retornou até a publicação da reportagem.
Em entrevista à Folha em agosto, um dos sócios da Fatal Fans disse que o objetivo com o patrocínio ao clube era naturalizar a presença de uma plataforma de conteúdo adulto no cotidiano dos brasileiros.
