A justiça de São Paulo aceitou denúncia do Ministério Público (MP) contra dois homens pela venda de vodca adulterada que causou a perda permanente de visão de um cliente.
De acordo com a acusação do MP, João Otávio Carlos Olinda, dono de um bar em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, comprava bebidas a preços menores, sem nota fiscal. Ele pode responder pelos crimes de lesão corporal culposa e por vender produto alimentício adulterado e nocivo à saúde. O segundo réu é Gilmar Silva dos Santos, apontado como o fornecedor de parte das bebidas ao comerciante, sem comprovação de origem ou autenticidade.
Segundo a denúncia, as bebidas eram compradas na região do Mercado Municipal de São Paulo e vendidas a bares como se fossem de uma marca conhecida de vodca.
Intoxicação
Há cerca de um ano, um cliente passou mal após consumir uma bebida no bar de Guarulhos e foi diagnosticado com grave intoxicação por metanol. A substância causou a perda completa e permanente da visão dos dois olhos. A perícia realizada durante a investigação identificou que as garrafas de vodca apreendidas no local foram adulteradas: oito amostras tinham alta concentração de metanol.
Dados do Ministério da Saúde apontam que, no ano passado, o país teve 73 casos de intoxicação por metanol associados ao consumo de bebidas alcoólicas e 25 mortes confirmadas. Neste ano, até o dia 14 de agosto, foram 17 casos confirmados, sem registro de mortes no período.
Os Centros de Informação e Assistência Toxicológica e também o Disque-Intoxicação da Anvisa, no número 0800 722 6001, estão disponíveis para quem precisar de informações sobre o assunto.
A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos réus.
