Uma vulnerabilidade na linguagem de programação PHP levou à suspensão temporária de sites e plataformas digitais em diferentes países na quarta-feira (21). No Brasil, a falha motivou medidas preventivas em sistemas do governo federal, incluindo o Sistema Eletrônico de Informações (SEI), utilizado para produzir e administrar documentos e processos administrativos.
O PHP é utilizado em cerca de 70% dos sites da internet, incluindo plataformas como o WordPress, que permite criar e gerenciar páginas na web. A extensão de seu uso fez com que a identificação da vulnerabilidade mobilizasse equipes de tecnologia e segurança cibernética em diversos países.
O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos informou que o Centro de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos do Governo Federal (Ctir.Gov) emitiu um alerta às unidades de tecnologia da administração federal. A recomendação foi suspender temporariamente o acesso externo aos sistemas desenvolvidos em PHP até que as correções fossem aplicadas.
Governo federal orienta atualização de sistemas
Entre os serviços afetados pelas medidas preventivas está o SEI. Segundo o Ministério da Gestão, a plataforma foi retirada do ar para reduzir os riscos associados à vulnerabilidade.
Durante a interrupção, demandas urgentes relacionadas a documentos poderiam ser encaminhadas pelo GOV.BR ou por e-mail. O Ministério também esclareceu que a plataforma GOV.BR não foi afetada pela falha.
A Anatel informou à CNN Brasil que suspendeu o funcionamento do seu SEI entre 12h15 e 22h05 de quarta-feira, no horário de Brasília, para realizar os procedimentos de correção. De acordo com a agência, a decisão foi preventiva e seguiu recomendações internacionais. Não houve registro de invasão.
Após a atualização, o sistema da Anatel voltou a operar normalmente. O Ministério da Gestão, por sua vez, informou que as equipes de segurança cibernética continuavam avaliando os efeitos das correções e acompanhando a atualização dos demais sistemas envolvidos.
Vulnerabilidade pode expor informações confidenciais
A falha, identificada como PHP2Shell, poderia permitir que invasores acessassem sites vulneráveis e lessem informações armazenadas na memória desses sistemas, incluindo dados confidenciais e senhas.
A descoberta foi atribuída a equipes da OpenAI e das empresas de segurança cibernética Wiz e Calif. Segundo informações publicadas pela Reuters, uma empresa de computação em nuvem identificou milhões de tentativas de invasão que exploravam a vulnerabilidade.
A Fundação PHP, responsável pela linguagem de programação, disponibilizou uma correção na quarta-feira (21) e recomendou que os administradores de sites realizassem a atualização imediatamente.
A orientação também foi adotada pelas equipes responsáveis pelos sistemas governamentais brasileiros, que passaram a trabalhar na instalação das versões corrigidas.
Serviços digitais são afetados em diferentes países
A vulnerabilidade também provocou interrupções temporárias em plataformas de outros países. No Reino Unido, a ministra Elizabeth Lloyd afirmou, na Câmara dos Lordes, que quase 30 serviços governamentais ficaram indisponíveis e outros quatro apresentaram funcionamento parcial durante as atualizações.
Na Irlanda, o site de notícias The Journal, apontado como o segundo mais popular do país, saiu do ar. Na Europa, páginas governamentais da França, Dinamarca, Finlândia e Holanda também foram temporariamente desativadas durante os procedimentos de correção, incluindo o site da agência holandesa de segurança cibernética.
Nos Estados Unidos e na Europa, autoridades de segurança cibernética recomendaram que empresas adotassem medidas imediatas para corrigir os sistemas vulneráveis.
O primeiro-ministro holandês, Rob Jetten, declarou que seu gabinete acompanhava a situação. No Japão, a primeira-ministra Sanae Takaichi afirmou que as empresas deveriam considerar suspender serviços, se necessário, para diminuir a exposição ao risco.
Entre as companhias japonesas que relataram interrupções temporárias de páginas ou serviços estavam a companhia aérea ANA, a operadora ferroviária JR West e o MUFG, maior banco do país.
Inteligência artificial ajudou a localizar vulnerabilidades
A identificação dos problemas no PHP também chamou a atenção para o uso da inteligência artificial na segurança cibernética. De acordo com pesquisadores da Wiz, a tecnologia teve papel importante na localização e na correção de vulnerabilidades que, segundo a empresa, permaneciam ocultas no código-fonte havia mais de uma década.
Em uma publicação feita na quarta-feira, os pesquisadores descreveram o PHP como uma estrutura central para o funcionamento da web, devido à sua ampla utilização.
O alcance da linguagem também foi destacado por Nigel Green, CEO da consultoria financeira deVere Group, em entrevista à CNN Internacional. Segundo ele, a presença do PHP em uma parcela significativa da internet amplia a exposição potencial de diferentes serviços digitais.
Entre os exemplos citados estão plataformas de reservas, marketplaces, serviços de assinatura, sites de venda de ingressos, aplicativos de entrega e portais de serviços públicos, que podem armazenar dados de pagamento em sistemas desenvolvidos com esse tipo de código.
Com informações CNC Brasil
