Nesta fase decisiva de preparação para o Enem 2026, a rotina intensa de estudo costuma não dar espaço para atividade física e momentos de lazer. A alimentação também, eventualmente, fica bagunçada. E dormir bem, para alguns candidatos, passa a ser um luxo.
Só que tudo isso pode causar impactos no desempenho na hora de fazer as provas, como explica a coordenadora pedagógica Alessandra Noceti de Lima Camara:
“O candidato que dorme mal ou que descansa pouco antes de uma avaliação pode ter uma chance maior de ter um ‘branco’, exatamente pelo cansaço mental. O corpo tentará, de certa forma, se desligar para recompor esse cansaço; então, toda a questão de atenção que é necessária para uma avaliação como essa, cumprida em um tempo maior de concentração, tem a ver com esse descanso.”
Noceti explica ainda que, durante o sono, o cérebro fixa o que foi estudado. E o celular, na hora de dormir, cria mais estímulo, prejudicando o descanso. Por isso, o cuidado com o sono já é uma das estratégias do estudante Pedro Augusto Rocha Rodrigues, de 18 anos.
“Eu não troco por nada as minhas oito horas de sono diárias, porque é fundamental para o cérebro. Há estudos que comprovam que o cérebro precisa desses horários de descanso para conseguir firmar as ligações sinápticas que fez durante o dia.”
Além do descanso, é preciso cuidar da alimentação, mas sem inovações neste momento, como ressalta a pedagoga Alessandra Noceti:
“Mudar algo, fazer alguma coisa diferente nesta reta final, pode causar alguns problemas, principalmente com alimentos que o candidato não tem o hábito de consumir. O ideal é sempre manter esse equilíbrio. No dia da avaliação, o ideal é uma alimentação mais leve, mas, ao mesmo tempo, rica em proteínas e carboidratos, ou seja, naquilo que produzirá energia para o corpo lidar com o tempo de prova.”
A atenção na hora de se alimentar já está no radar do estudante Levi Nasser de Oliveira Mariano, de 17 anos.
“Se você escolhe uma alimentação muito pesada para o dia do Enem, como uma feijoada, é claro que você fará a prova cansado. Você fará a prova já com a intenção de querer dormir. Então, é algo que tem muito a ver, é uma coisa que pode mais atrapalhar do que ajudar. Creio que, no dia da prova, ou pelo menos naquela última semana, a alimentação tem que ser mais estratégica, para você não ficar com uma vontade excessiva de comer nem com vontade de dormir.”
Levi também pratica atividade física para evitar a exaustão, o chamado burnout.
“Eu tenho tentado fazer algumas atividades, e a principal delas é a academia. Eu creio ser muito importante para não nos sobrecarregarmos, não saturar a nossa cabeça apenas com estudos. É importante, sim, ter um tempo de descanso para não entrar em burnout.”
Alessandra Noceti reforça a importância da atividade física, principalmente para quem é sedentário.
“Para aquele que é sedentário, uma caminhada pode ajudar. Porém, o principal são os exercícios de alongamento, englobando a coluna lombar e, especialmente, o pescoço, as costas, os braços e os ombros, para que a parte superior do corpo possa também estar mais relaxada para a realização da avaliação.”
Já no estudo, a dica é não tentar abraçar o mundo às vésperas da prova.
“A melhor forma de estudar nesta reta final é se dedicando àquilo com que se tem mais afinidade ou mais facilidade, no sentido de que o que não foi aprendido até o momento, muito possivelmente não será mais. Não há tempo hábil para isso. Estender ao máximo o tempo de estudo, realmente, só trará um estresse maior. As pausas são necessárias para que esse estresse não venha a atrapalhar os estudos.”
Outro conselho da pedagoga: nada de se isolar do mundo.
“Os momentos de lazer e de interação social nunca podem ser abandonados. As interações familiares e com os amigos são extremamente importantes, principalmente para a questão emocional do candidato.”
E a cereja do bolo é estar de olho nas expectativas, como explica o futuro engenheiro Pedro Augusto:
“Existe a pressão familiar e também das pessoas de fora, que querem saber o que você fará da sua vida. Eu tento ouvir e enxergar pelo lado de que é preocupação, interesse e cuidado, para não despertar em mim todo esse desespero e essa ansiedade. Mas é muito difícil controlar. Nesses períodos, precisamos nos esforçar ao máximo para entender as coisas da melhor forma possível, porque ser pessimista acaba afetando o nosso desempenho. É sempre muito importante manter o otimismo e seguir em frente, encarando as coisas com um olhar bom.”
Alessandra Noceti orienta ainda como as famílias podem ajudar nesta reta final para o exame:
“Quando o candidato vai para uma prova dessas imaginando que aquela é a única solução, a pressão é muito grande. Essa pressão já é natural. Então, a família precisa, de alguma forma, transmitir tranquilidade. Se daquela vez ele não for aprovado, terá outra oportunidade. Saber que nada de ruim acontecerá, de certa forma, o tranquiliza. Esse apoio é fundamental.”
Com apoio da família e equilíbrio entre vida social, atividade física, alimentação e sono, é possível transformar parte da tensão em confiança para fazer o exame.
*Com produção de Salete Sobreira e sonoplastia de Jailton Sodré
