Os norte-americanos votam nesta terça (3) nas eleições de “meio de mandato”. O que está em jogo é o controle do Congresso nos dois anos finais da presidência de Donald Trump. Hoje, os Republicanos têm a maioria nas duas casas. As pesquisas de opinião indicam uma virada na Câmara e uma disputa acirrada no Senado. Cerca de 210 milhões de eleitores dos Estados Unidos votam para eleger todos os 435 deputados da Câmara, 35 das 100 vagas do Senado, além de governadores em 36 dos 50 estados.
Segundo especialistas ouvidos pela agência Reuters, a primeira hipótese dos resultados para o Congresso é o Partido Democrata conquistar a maioria dos deputados, mas não de senadores. Se a vantagem for pequena, até 20 deputados, os democratas poderão investigar a administração Trump por audiências e intimações, mas não conseguem grandes mudanças nas políticas públicas. O debate em torno da dívida poderia abalar os mercados e gerar incerteza entre investidores. Nesse caso, Trump provavelmente continuaria sua agenda por meio de ordens executivas.
Se a maioria democrata alcançar de 21 a 40 deputados, os projetos para restringir poderes de Trump terão mais chance. Mesmo assim, os republicanos no Senado e o veto de Trump ainda poderão bloqueá-los. O teto da dívida ainda será o embate mais provável. De acordo com o doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília, Robson Carvalho, se Trump só tiver o apoio do Senado, a política externa já será impactada.
“Essa política externa dos Estados Unidos para a América Latina, ela pode ser conduzida fortemente por decretos e ordens executivas? Em alguns casos, até sim, mas haverá um controle maior em relação a Donald Trump e as políticas que ele vem, que eles vem desenvolvendo. O impacto das pautas multilaterais, no caso do Brasil, como o comércio e o meio ambiente, elas também podem sofrer um freio”.
Agora, se os democratas conquistarem as duas casas, já poderão frear as nomeações feitas por Trump, explica Robson.
“Porque hoje você encontra no país diversos protestos. O custo de vida nos Estados Unidos também tem aumentado. Então, são políticas que tem sido ruins não só para países como o Brasil, mas também para o próprio país de Donald Trump, né? E é justamente isso que tá nas urnas com essa tendência de refletir eh uma reversão nas duas casas, na Câmara e no Senado americano”.
Se houver uma grande maioria no Senado, os democratas têm mais chances de aprovar projetos sobre tarifas e temas sociais e fiscais. Ainda segundo a Reuters, se os opositores tiverem uma maioria ampla, Trump pode usar a narrativa de compartilhar responsabilidades pelos problemas econômicos e pelos preços elevados no país.
Na última semana, Donald Trump repetiu a hipótese de fraudes nas eleições. Ele disse que respeitará os resultados, “se forem eleições honestas”, mas não apresentou evidências.
Na Califórnia, o Departamento de Justiça tentou anular votos enviados por correio de cerca de 20 mil eleitores que não seriam cidadãos norte-americanos. No Alasca, o departamento intensificou uma investigação para apurar se um candidato ao Senado entrou na disputa para confundir os eleitores por ter o mesmo nome de outro candidato. Ainda segundo a Reuters, grupos alinhados a Trump já apresentaram mais de 60 ações judiciais contestando a derrota dele em 2020, todas sem sucesso.
*Com produção de Luciene Cruz
