Muito antes do início da Copa do Mundo, quando as seleções principais definiram suas bases, Didier Deschamps ficou satisfeito com as instalações em Boston. “[A base] não é onde se ganham os jogos, mas é onde pode perdê-los”, filosofou o professor francês.
De fato, nenhum jogador dos Bleus pode colocar a culpa por uma possível má atuação no jet lag. A França é a seleção com a menor quilometragem entre os quatro semifinalistas do Mundial, com apenas 3.985 km e apenas uma viagem longa.
Na outra ponta, a Espanha superou a Inglaterra como a seleção campeã de milhagem, com 10.400 km. A Fúria deixou os ingleses para trás justamente com o último trecho, fazendo o percurso de Los Angeles até Dallas para encarar os franceses.
Essa quilometragem aproximada é calculada apenas entre as distâncias dos locais de jogos, sem considerar o deslocamento de vaivém entre estádio e base de cada equipe.
No caso da França, a viagem nesta semifinal para enfrentar a Espanha, nesta terça-feira (14), é o primeiro grande deslocamento de Mbappé e companhia.
Depois de passar todos os seis jogos no conforto da costa leste, com dois jogos em Nova Jersey, dois na Filadélfia e dois em Boston, finalmente os franceses vão conhecer a área mais central dos Estados Unidos, com o confronto por uma vaga na final em Dallas (Texas).
Ainda assim, com menos de 4.000 km, toda a quilometragem francesa representaria pouco mais que uma viagem do Remo para jogar na Arena do Grêmio ou no Beira-Rio pela Série A do Brasileiro.
Enquanto isso, a Espanha encerrou a primeira fase da Copa com um confronto em Guadalajara, contra o Uruguai. De lá, foram para a costa oeste americana para encarar a Áustria, em Los Angeles.
Foi quando os espanhóis iniciaram a antes desconhecida ponte aérea (nada curta) entre LA e Dallas. Contra Áustria? LA. Jogo com Portugal? Dallas. Diante da Bélgica? LA. E agora, contra a França, você já sabe onde.
Nenhuma viagem espanhola no mata-mata teve menos que 2.000 km. O mais perto que a seleção de Yamal chegou de Nova Jersey, que abrigará também a final, foi quando visitou Atlanta (duas vezes) na primeira fase.
Quem também passou pelo MetLife Stadium, palco da decisão, foi a Inglaterra, na última partida do Grupo L.
De lá, o English Team fez uma parada em Atlanta para enfrentar a República Democrática do Congo antes de seguir para a batalha no Estádio Azteca, contra o México. Além da longa distância, os comandados de Thomas Tuchel tiveram outros perrengues a enfrentar. Se os espanhóis foram ao país latino para enfrentar os uruguaios, os ingleses tiveram que encarar os donos da casa em jogo de mata-mata.
Antes daquele duelo, o técnico alemão distribuiu reclamações. “Não sei se a viagem será totalmente tranquila, se o sono de todos os jogadores será totalmente tranquilo, se haverá muito barulho fora do hotel…”, enumerou.
Curiosamente, o desgaste físico provocado pela vitoriosa partida no México é visto por muitos como a casca que a seleção da dupla Kane/Bellingham precisava para se encaminhar para as finais.
A distância de Miami, onde derrotou a Noruega, para Atlanta, cidade em que enfrentará a Argentina pela semifinal, será a menor percorrida pelos ingleses no mata-mata, com cerca de 975 km. Com 9.235 km no total, a Inglaterra só foi ultrapassada pela Espanha graças à última perna, mais curta.
Rivais dos ingleses, os argentinos chegaram para o mata-mata após tranquilos 707 km na primeira fase —agora aumentaram o total para 5.682 km. Sua grande viagem foi quando tiveram que ir de Dallas (onde pegaram a Jordânia) para Miami, no dramático jogo contra Cabo Verde pela fase de 32 —apesar da lonjura, a cidade é a casa de Messi, camisa 10 do Inter Miami.
Nos últimos duelos, a seleção de Lionel, o Scaloni, fez escalas em Atlanta, Kansas e, para a semifinal contra a Inglaterra, de volta a Atlanta. Assim como os espanhóis, os argentinos ainda não viram o estádio da final, mas podem se encontrar por lá.

