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Concessionária que gere o Maracanã é alvo de inquérito – 15/09/2026 – Esporte


Dois anos após a assinatura do contrato de concessão do Maracanã à dupla Flamengo e Fluminense, o consórcio de clubes é alvo de multa e inquérito pela condução da gestão do complexo, que inclui o estádio e o ginásio do Maracanãzinho.

Os questionamentos da Promotoria e de uma comissão de verificação independente envolvem problemas na comprovação da manutenção do estádio, além de suspeitas de superlotação em jogos em que os dois times foram mandantes.

A concessionária afirmou que não vai se manifestar.


Flamengo, Fluminense e governo do estado assinaram em setembro de 2024 o contrato de concessão. Os clubes obteve direito de administrar, operar e manter o estádio por 20 anos e abriu a empresa Fla-Flu Serviços. Os dois já geriam o Maracanã desde 2019, por meio de contratos temporários.

Um verificador independente, figura que pelo contrato é responsável por fazer a análise externa da gestão, apontou “ocorrência de falhas estruturais” na gestão do estádio em 2025.

O relatório aponta falta de cronogramas de manutenção e indica que a programação de cuidados, além de genérica, não continha comprovação técnica de que os serviços foram realizados.

Em nota, o governo do Rio disse que o processo está em análise e que não há decisão sobre o assunto.

“Em razão de recurso administrativo apresentado pelo consórcio que administra o estádio, os autos foram encaminhados à Assessoria Jurídica para apreciação das razões de defesa apresentadas”, disse.

O relatório menciona manutenção de geradores, motores elétricos, sistemas fotovoltaicos, além de limpeza, conservação e drenagem pluvial, e afirma que o consórcio tem apresentado falhas documentais.

O documento foi enviado ao governo do estado, o gestor do contrato, que corroborou a análise. A concessionária foi multada pelo governo em R$ 401.217,48, valor equivalente a 2% da majoração da outorga fixa anual, de cerca de R$ 20 milhões.

O pagamento, no entanto, está suspenso porque o consórcio Fla-Flu entrou com recurso.

Em documento enviado ao governo, a concessionária nega que haja falhas na comprovação da manutenção, diz que a verificação independente é baseada em considerações gerais e que não deixa explícitas as alegações técnicas.

“A documentação apresentada [pelo consórcio ao governo] evidencia que, em disciplinas como drenagem pluvial, sistemas elétricos, sistemas eletrônicos, transporte vertical, limpeza e conservação, houve execução concreta de atividades, acompanhadas de relatórios técnicos, registros fotográficos e manifestação de empresas especializadas.”

A Fla-Flu Serviços também é alvo de questionamento da Promotoria do Rio de Janeiro, que abriu inquérito civil no fim de agosto para verificar suspeitas de superlotação em jogos do Flamengo e do Fluminense.

Segundo a portaria de instauração do inquérito, entre dezembro de 2025 e agosto deste ano foram identificadas partidas com indícios de que o número de ingressos emitidos em cada setor pode ter superado a capacidade desses setores.

A venda de ingressos do Maracanã é feita para os setores Norte, Sul Leste e Oeste. Os setores são divididos em parte superior e inferior.

Nos setores Norte e Sul não há obrigatoriedade de permanência no anel comprado, o que permite que um torcedor que tenha adquirido ingressos para a Norte inferior consiga assistir ao jogo na Norte superior.

A capacidade total do Maracanã é de 78.838 pessoas desde a reforma para a Copa do Mundo de 2014. O estádio não chega ao teto de público porque o esquema de segurança impede que parte das cadeiras seja comercializada, a fim de que a torcida visitante fique isolada.

O recorde de público do novo Maracanã é da partida entre Flamengo e Ceará, pelo Campeonato Brasileiro do ano passado (73.244 presentes). O jogo celebrou o título brasileiro do clube carioca. Esta é uma das partidas sob investigação do Ministério Público por possível superlotação.

O MP enviou ofícios a Flamengo, Fluminense, Polícia Militar e às empresas responsáveis pela comercialização de ingressos para saber quais foram os números totais de ingressos emitidos nas partidas analisadas e qual foi o número de ingressos efetivamente utilizados.

Também questiona se há justificativa técnica para o fato de que alguns setores tiveram mais pessoas do que o número de ingressos disponibilizados em cada um deles. O Ministério Público espera receber as respostas de consórcio, governo e empresas até o fim da semana.



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