sábado 11, julho, 2026 - 10:22

Brasil Hoje

Como liberar créditos de ICMS via Justiça

Empresas que acumulam créditos de ICMS ou identificam pagamentos indevidos do imposto po

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Empresas que acumulam créditos de ICMS ou identificam pagamentos indevidos do imposto podem recorrer ao Judiciário para recuperar esses valores quando a restituição ou a homologação administrativa é negada ou enfrenta demora excessiva. A medida pode representar um importante reforço no caixa das organizações, mas exige planejamento, documentação consistente e observância das etapas previstas na legislação.

Especialistas destacam que, embora a via administrativa deva ser considerada inicialmente em muitos casos, a judicialização se torna uma alternativa quando há resistência do Fisco em reconhecer o direito ao crédito ou quando a discussão envolve teses tributárias já consolidadas pelos tribunais.

Quando a empresa pode recorrer à Justiça?

O ICMS é um tributo estadual e, em diversas situações, o contribuinte acumula créditos que não consegue utilizar integralmente ou identifica recolhimentos realizados de forma indevida. Entre os casos mais comuns estão:

  1. pagamento de ICMS maior do que o devido;
  2. créditos acumulados decorrentes de operações de exportação;
  3. benefícios fiscais não reconhecidos pelo Fisco;
  4. discussões sobre a interpretação da legislação estadual;
  5. recuperação de valores reconhecidos em decisões judiciais favoráveis.

Segundo especialistas, antes de ajuizar uma ação é recomendável verificar se existe um procedimento administrativo capaz de solucionar a questão. Em muitos estados, pedidos de homologação, restituição ou transferência de créditos podem ser analisados pelas secretarias da Fazenda, evitando uma disputa judicial mais longa. Entretanto, quando há negativa administrativa ou demora injustificada, a ação judicial passa a ser uma alternativa para garantir o direito do contribuinte.

Como funciona a recuperação judicial dos créditos

Ao reconhecer o direito da empresa, a Justiça pode autorizar a recuperação dos créditos tributários. Contudo, a utilização desses valores depende do trânsito em julgado da decisão, ou seja, quando não há mais possibilidade de recursos.

Nos casos de créditos tributários federais decorrentes de decisão judicial, a empresa deve solicitar previamente a habilitação do crédito perante a Receita Federal antes de realizar qualquer compensação. Após o deferimento, os valores podem ser utilizados por meio da declaração de compensação via Programa Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), ferramenta oficial da Receita Federal. A legislação também prevê que a compensação somente pode ocorrer após a habilitação formal do crédito.

Como solicitar o crédito?

Após a habilitação do crédito, a empresa poderá solicitar sua utilização por meio do próprio (PER/DCOMP), ferramenta destinada à compensação ou recuperação de tributos pagos indevidamente ou reconhecidos por decisão judicial.

O procedimento é realizado de forma totalmente digital pelo Centro Virtual de Atendimento (e-CAC). Para isso, o contribuinte deve acessar o portal da Receita Federal, fazer login com conta Gov.br de nível Prata ou Ouro ou por certificado digital e selecionar a opção “Restituição e Compensação” > “PER/DCOMP Web”. Em seguida, deverá escolher o tipo de pedido: restituição, ressarcimento ou declaração de compensação e informar os dados do crédito, como período de apuração e valores. O próprio sistema realiza automaticamente a atualização monetária pela taxa Selic.

Segundo a Receita Federal, somente créditos devidamente habilitados e acompanhados da documentação exigida podem ser utilizados para compensação de tributos federais, reforçando a importância de conferir previamente todas as informações antes do envio do pedido.

Documentação é essencial

Independentemente da esfera administrativa ou judicial, a recuperação de créditos exige um levantamento detalhado da documentação fiscal e contábil da empresa.

Entre os documentos normalmente analisados estão:

  1. notas fiscais;
  2. livros fiscais;
  3. apuração do ICMS;
  4. comprovantes de recolhimento;
  5. demonstrativos contábeis;
  6. memória de cálculo dos créditos.

A ausência de documentação ou inconsistências na escrituração podem comprometer o reconhecimento dos valores, tornando indispensável o apoio das áreas contábil e tributária durante todo o processo.

Planejamento reduz riscos

Especialistas alertam que a recuperação de créditos de ICMS não deve ser tratada apenas como uma oportunidade financeira. Antes de ingressar com uma ação, é importante avaliar a viabilidade jurídica da tese, os custos do processo e os impactos fiscais da futura utilização dos créditos.

Também é recomendável realizar auditorias tributárias periódicas para identificar créditos que possam estar sendo desperdiçados e corrigir falhas na apuração do imposto, evitando novas perdas.

Com o aumento da fiscalização eletrônica e das discussões tributárias envolvendo o ICMS, empresas que mantêm uma gestão fiscal organizada tendem a recuperar créditos com maior segurança e reduzir o risco de questionamentos futuros.

Com informações da Agência Gov





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