Campeã olímpica e múltipla medalhista mundial, a lenda da natação brasileira Ana Marcela Cunha estabeleceu nesta quarta-feira um recorde sul-americano na emblemática travessia do Canal da Mancha, informou o COB (Comitê Olímpico do Brasil).
Cunha, de 34 anos, completou em 8 horas, 25 minutos e 29 segundos sua travessia de 42,9 km neste canal que une a França e a Grã-Bretanha.
Ela fixou um recorde sul-americano absoluto, ao superar os registros de outros dois nadadores brasileiros: Adherbal de Oliveira entre os homens (8h49min00s em 2015) e Ana Mesquita entre as mulheres (9h40min00s).
É também o melhor tempo registrado nesta travessia desde 2022 entre homens e mulheres.
“Uma medalha olímpica” é “o maior sucesso que você pode ter como atleta na vida”, mas “realizar os sonhos, mesmo que não sejam uma medalha olímpica, vale muito”, disse Cunha, citada em uma nota do COB.
“É o que aconteceu hoje, é algo que sempre quis. Era um sonho muito pessoal que eu tinha desde criança”, acrescentou. “Estou muito feliz”.
Nascida em Salvador, na Bahia, no Nordeste brasileiro, Cunha é considerada uma das melhores nadadoras de longas distâncias da história.
Ela competiu em quatro Jogos Olímpicos e conquistou o ouro na maratona aquática (10 km) em Tóquio 2020, evento reprogramado para 2021 por causa da pandemia de coronavírus.
Pendurou no pescoço 17 medalhas em campeonatos mundiais, das quais sete foram de ouro.
Uma das vias marítimas mais utilizadas do mundo, o Canal da Mancha é conhecido por suas mudanças de corrente, o que significa uma maior distância a percorrer quando se cruza a nado.
“Nada me deteve”, comemorou Cunha, que destacou como sua “experiência em provas de longa distância” lhe deu a “confiança necessária para saber para onde ia, sentir a corrente e seguir avançando”.
