O Banco Central do Brasil (BC) e o Banco Central Europeu (BCE) iniciaram, em 24 de setembro, uma avaliação conjunta sobre a viabilidade de conectar o Pix ao TARGET Instant Payment Settlement (TIPS), infraestrutura europeia de liquidação instantânea de pagamentos. Os estudos vão analisar aspectos técnicos, operacionais, jurídicos e de negócio necessários para uma eventual integração entre os dois sistemas.
A possível conexão poderá permitir que brasileiros e europeus realizem pagamentos e transferências internacionais de forma mais rápida, com expectativa de disponibilização dos recursos em poucos segundos e na moeda local do destinatário. A iniciativa ainda está em fase de avaliação e não representa, portanto, a efetivação da integração entre as plataformas.
Como funcionam o Pix e o TIPS
Operado pelo Banco Central, o Pix é uma infraestrutura de pagamentos instantâneos que realiza a liquidação das operações em tempo real diretamente em moeda de banco central. Atualmente, o sistema processa aproximadamente 250 milhões de transações por dia.
O TIPS, por sua vez, foi desenvolvido pelo Eurosistema para permitir a liquidação imediata de pagamentos em moedas europeias. A infraestrutura opera atualmente com o euro, a coroa sueca e a coroa dinamarquesa.
A etapa iniciada pelos dois bancos centrais busca verificar quais condições seriam necessárias para estabelecer uma conexão entre as infraestruturas. A análise envolve desde os requisitos técnicos até questões operacionais, jurídicas e relacionadas ao modelo de negócio.
Segundo Gilneu Francisco Astolfi Vivan, diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central, a avaliação busca aproximar duas infraestruturas públicas de pagamentos instantâneos e estudar alternativas para tornar as operações internacionais mais rápidas, eficientes, acessíveis e convenientes.
O que pode mudar nos pagamentos internacionais
Caso a interligação seja considerada viável, a conexão entre Pix e TIPS poderá beneficiar operações realizadas entre Brasil e Europa. Entre as possibilidades estão transferências internacionais e pagamentos de compras com disponibilização dos recursos na moeda local do destinatário.
A expectativa apresentada é que essas operações possam ocorrer em poucos segundos. A iniciativa também busca reduzir parte das barreiras tradicionalmente relacionadas aos pagamentos transfronteiriços.
Outro ponto considerado é o potencial impacto sobre os custos das operações. A integração poderá contribuir para pagamentos internacionais mais eficientes e potencialmente menos custosos, além de ampliar a transparência e o acesso a esse tipo de operação.
Os objetivos estão relacionados ao Plano de Ação do G20 para o aprimoramento dos pagamentos transfronteiriços, que busca tornar essas operações mais rápidas, baratas, transparentes e acessíveis globalmente.
Projeto faz parte da expansão internacional do Pix
A avaliação entre Brasil e Europa está inserida na agenda de evolução do Pix e nos esforços do Banco Central para ampliar a interoperabilidade da infraestrutura brasileira com sistemas de pagamentos de outras jurisdições.
A proposta também está relacionada a um movimento internacional de integração entre diferentes infraestruturas de pagamentos instantâneos. De acordo com o Banco Central Europeu, os trabalhos envolvendo o TIPS incluem iniciativas de conexão com outras estruturas.
Entre elas estão o Nexus Global Payments, o sistema de pagamentos instantâneos da Índia, conhecido como UPI, e a infraestrutura de pagamentos instantâneos da Suíça.
Dessa forma, a análise entre Pix e TIPS ocorre dentro de um contexto mais amplo de estudos para ampliar a integração entre sistemas de pagamentos instantâneos de diferentes países e regiões.
Relação entre Brasil e Europa também entra no radar
A aproximação entre as infraestruturas de pagamentos ocorre em um cenário de fluxos econômicos e financeiros entre o Brasil e os países da área do euro. Esse relacionamento deve ganhar novo impulso com o recente Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia.
Nesse contexto, a eventual integração dos sistemas de pagamentos poderá facilitar operações entre os dois mercados caso a conexão seja considerada tecnicamente e operacionalmente viável.
Para o Banco Central, a iniciativa também representa mais uma etapa da trajetória de desenvolvimento do Pix, que desde seu lançamento vem incorporando novas funcionalidades e se consolidando como uma infraestrutura estratégica para a transformação digital do sistema financeiro brasileiro.
A avaliação conjunta ainda reforça a participação do Brasil nas discussões internacionais relacionadas à integração de sistemas de pagamentos e à modernização das transferências internacionais de recursos.
Com informações do Banco Central
