No dia em que milhares de católicos se reuniram na Catedral Basílica de Aparecida, nesta segunda-feira (12), na cidade paulista de Aparecida, o arcebispo metropolitano dom Mário Antônio da Silva pediu o desarmamento e atenção à fome e aos pobres.
“Quem escuta Deus não pode ficar indiferente diante da fome, da pobreza, da violência, das guerras, da destruição da natureza. Sabemos que Jesus manda construir a paz, uma paz desarmada e desarmante. Mas muitas vezes alimentamos divisões com armamentos, com guerras. O Evangelho, queridos irmãos e irmãs, não nos autoriza a odiar quem pensa diferente”.
A declaração foi durante uma das missas da manhã, celebradas em louvor à padroeira do Brasil. O dia de Nossa Senhora Aparecida foi marcado pela visita de milhares de pessoas à Brasílica na cidade de Aparecida.
O santuário nacional estima que cerca de 150 mil pessoas devem passar no local durante esta segunda.
Em meio às missas do dia, milhares de romeiros faziam uma imensa fila para passar diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida.
Aguardando a vez de estar diante da imagem da Santa, Tamires Bucharles, de Guaratinguetá, conta que, há cinco anos, não deixa de ir ao Santuário no dia da padroeira.
“A gente tem muita fé, cresce vendo as romarias, frequentando aqui a basílica. Esse ano em especial eu vim agradecer a saúde do meu pai, que passou por um diagnóstico difícil e a gente está agradecendo por ele ter conseguido sair do hospital”.
Jéssica Pinheiro chegou em romaria com um grupo que partiu de São Paulo capital, de ônibus. Os 30 quilômetros finais foram em caminhada, que durou nove horas. Ao lado da irmã Tatiane, Jéssica relatou a emoção e o sentimento de gratidão ao chegar ao santuário.
“É uma sensação sem igual. Aquela sensação de você chegar ali na entrada, nossa, você derrama lágrimas. Muito emocionante. A gente fecha com a frase: antes de tudo, fé; depois de tudo, gratidão. Começa na fé e termina na gratidão, né? Então é ela que sustenta a gente em todo esse percurso”.
Entre as celebrações do dia, o arcebispo Dom Mário concedeu uma coletiva à imprensa, onde disse não temer que Nossa Senhora Aparecida perca importância na vida dos brasileiros.
“Não tenho nenhum temor de que Maria deixará de ter a importância que tem na vida do povo brasileiro. O título de padroeira do Brasil foi dado pelo Papa em 1930 e proclamado no Brasil em 31 de maio de 1931. Então já é uma longa data desse título de Maria Padroeira do Brasil”.
A declaração foi em resposta a perguntas que surgiram por causa da polêmica envolvendo pastores ligados ao candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro, que manifestaram reprovação ao título de Aparecida como padroeira.
O candidato do PL, no entanto, negou que tenha intenção de destituir Nossa Senhora do título.
