Após dois difíceis testes contra a Austrália —com um empate alcançado nos acréscimos e uma vitória sem grande brilho—, a seleção brasileira enfrenta neste sábado (3) a Índia, 138ª colocada no ranking da Fifa, que nunca disputou uma Copa do Mundo e terá pela primeira vez o Brasil como adversário.
A distância entre os dois adversários é grande. Enquanto os australianos ocupam a 26ª posição do ranking, disputaram as últimas seis edições do Mundial e enfrentam os brasileiros desde 1988, a Índia ainda busca espaço no futebol internacional.
Para a equipe de Carlo Ancelotti, o amistoso em Calcutá representa um desafio diferente dos encontrados nos dois jogos anteriores. Assim como fez nos dois embates com os australianos, o italiano vai continuar a rotina de testes.
No ataque, por exemplo, Pedro pode herdar a vaga de Raphinha, cortado por lesão, com base na formação titular que iniciou o último treino antes da partida, nesta sexta-feira (2), no Salt Lake Stadium, palco do jogo.
Formaram a linha defensiva Matheuzinho, Marquinhos, Arthur Dias e Douglas Santos. O meio de campo seguiu com Danilo, Bruno Guimarães e Gabriel Bontempo, com Estêvão voltando ao time no ataque ao lado de Vinicius Junior e Pedro.
O técnico também já havia antecipado que vai dar uma oportunidade ao goleiro Pedro Morisco, do Coritiba, único que ainda não entrou em campo nesta data Fifa. Jogadores com pouca minutagem, como o meia Breno Bidon, do Corinthians, também devem jogar por mais tempo.
“São muito bons e têm que aproveitar essa oportunidade. Nós vamos acompanhar essa progressão”, disse Ancelotti.
A partida, porém, ganhou peso especial para os indianos. Cartazes e outdoors anunciando o amistoso modificaram a paisagem da capital do estado de Bengala Ocidental, convidando as pessoas para marcar presença no estádio.
A AIFF (Federação Indiana de Futebol) trata o encontro como uma oportunidade de impulsionar o esporte no país. Kalyan Chaubey, presidente da entidade, deu tanta importância à preparação para o duelo que decidiu retirar a Índia da disputa da Copa da ASEAN, realizada entre setembro e outubro.
Em nota, a federação afirmou que receber uma das seleções mais vitoriosas da história não se resume ao aspecto financeiro. Segundo a AIFF, a presença do Brasil pode produzir impacto sobre a seleção indiana, os torcedores e todo o ecossistema do futebol, em algo que classificou como “difícil de mensurar”.
A expectativa pela partida divide espaço, no entanto, com dois eventos de maior peso no país nesta semana: os Jogos Asiáticos e o sorteio dos confrontos da Copa do Mundo de Críquete. Na quinta-feira (1º), quando o elenco comandado por Ancelotti desembarcou na Índia, os dois acontecimentos ganhavam mais destaque nas capas dos principais sites de notícias locais.
No portal The Times of India, o mais lido do país, a reportagem sobre o amistoso destacava o forte esquema de segurança montado para receber o Brasil. Segundo o site, uma equipe formada por especialistas e ex-oficiais do Exército foi mobilizada para garantir que a passagem dos brasileiros seja mais tranquila do que a recente visita de Lionel Messi ao país.
Em dezembro, o argentino esteve no mesmo estádio em que o Brasil vai jogar para participar de uma partida de exibição. Ao menos essa era a expectativa dos indianos. Messi, porém, apenas caminhou ao redor do gramado por cerca de 20 minutos antes de deixar o local, provocando revolta. Torcedores arrancaram e jogaram cadeiras no campo, enquanto outros invadiram o gramado.
O episódio deixou a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) em alerta. Toda a logística da seleção durante a passagem pela Índia foi planejada para evitar novos incidentes. Ao desembarcar no país, os jogadores passaram pelos procedimentos de alfândega, como a verificação de passaportes, ainda dentro do avião. Na pista, embarcaram em dois ônibus antes de seguir para o hotel.
Índia x Brasil (amistoso)
Estádio: Salt Lake, em Calcutá, na Índia
Horário: 11h (horário de Brasília)
Árbitro: Ilgiz Tantashev (UZB)
Na TV: TV Globo, SporTV e Ge TV
Índia: Gurpreet Sandhu, Manvir Singh, Anwar Ali, Tekcham Singh, Bijoy Varghese, Akash Mishra, Lalengmawia, Ryan Williams, Ricky Shabong, Ashique Kuruniyan, Vikram Singh
Técnico: Khalid Jamil
Brasil: Pedro Morisco; Matheuzinho, Marquinhos, Arthur Dias e Douglas Santos; Danilo, Bruno Guimarães e Gabriel Bontempo; Estêvão, Pedro e Vinicius Junior
Técnico: Carlo Ancelotti
