A contratação de profissionais sob demanda deixou de ser uma solução pontual para momentos de alta demanda e passou a fazer parte da estrutura de trabalho de muitas empresas. Levantamento realizado pela HUG em julho deste ano com freelancers e profissionais PJ de todo o Brasil mostra que 53,4% dos entrevistados já atuam há mais de quatro anos nesse formato, que combina equipes internas com especialistas externos acionados conforme as necessidades dos projetos.
Embora o conceito não seja novo, especialistas apontam que a modalidade está deixando de ser uma solução emergencial para se tornar parte estruturada do planejamento de RH. Dados internos da consultoria também indicam um crescimento da demanda por esses profissionais, impulsionado pela escassez de talentos especializados, pela necessidade de maior velocidade na execução de projetos e pela aceleração da transformação digital.
De acordo com Gustavo Loureiro Gomes, CEO da HUG, o Open Talent migrou do modelo de apagar incêndios para fazer parte do desenho estrutural das organizações. “As empresas mais inovadoras já trabalham com uma lógica em que mantêm internamente o núcleo responsável pela cultura, pela estratégia e pela visão de longo prazo, enquanto acessam especialistas externos para acelerar projetos específicos. Não se trata mais de terceirizar um freelancer, mas de construir times fluidos e inteligentes”, afirma.
De acordo com o especialista, o movimento também acompanha uma mudança no perfil dos próprios profissionais mais experientes. Especialistas de alta senioridade, como executivos e líderes das áreas de marketing, tecnologia, dados, produto e estratégia, têm buscado maior flexibilidade para participar de diferentes projetos e ampliar seu portfólio de atuação, em vez de permanecer vinculados exclusivamente a uma única organização.
Especialistas complementam as equipes internas
O modelo não substitui as equipes permanentes, mas amplia sua capacidade de execução. É o caso do Grupo Boticário, que adotou o sistema para mais de 60 profissionais alocados e alcançou, como resultado, uma taxa de retenção de 96% desses talentos.
Enquanto os colaboradores internos concentram o conhecimento sobre o negócio, a cultura organizacional, os processos e a gestão contínua, os especialistas sob demanda agregam repertório técnico, experiência adquirida em diferentes mercados e maior velocidade na implementação de projetos.
“O sucesso desse modelo depende de enxergar esses profissionais como parceiros estratégicos, e não apenas como fornecedores externos. Quando existe clareza de escopo, contexto bem definido e autonomia para atuação, o especialista potencializa o trabalho do time interno e traz novas perspectivas sem gerar competição entre as equipes”, explica Loureiro.
Para que essa integração funcione, a empresa destaca a importância de processos claros de onboarding, definição objetiva de responsabilidades, acesso às informações necessárias e alinhamento entre os profissionais externos e as lideranças internas.
Marketing, tecnologia, dados e comunicação lideram a transformação
As áreas de marketing, comunicação, tecnologia e dados estão entre as que mais adotam o modelo por operarem em ambientes marcados por mudanças frequentes de ferramentas, canais e competências.
Nesses casos, a contratação sob demanda permite incorporar profissionais experientes com mais agilidade, sem obrigar a empresa a criar uma posição permanente para uma necessidade temporária.
Agilidade supera a lógica de redução de custos
Embora a redução de custos e aumento de produtividade estejam entre os fatores considerados pelas empresas, a HUG avalia que o principal benefício do Open Talent está no acesso rápido a competências especializadas.
“O maior valor do Open Talent não está em economizar na folha de pagamento, mas em reduzir o custo da demora e da ineficiência. Muitas empresas precisam tomar decisões estratégicas em poucos dias, enquanto um processo seletivo tradicional pode levar entre 45 e 60 dias. O acesso imediato ao especialista certo faz toda a diferença para a competitividade do negócio”, afirma Loureiro.
Fonte: HUG CONECTA
