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Seedorf foge de pergunta sobre futebol brasileiro – 14/10/2026 – Esporte


Em apresentação na tarde desta quarta-feira (14) no CT Dr. Joaquim Grava, em São Paulo, o holandês Clarence Seedorf, novo treinador do Corinthians, elogiou o clube, mas reconheceu que não vinha acompanhando com grande proximidade o futebol brasileiro.

“Essa situação é uma grande oportunidade para mim, porque é um dos maiores clubes do mundo e isso não passa todo dia por seu caminho”, afirmou ele.

Sem trabalhar na função de treinador há cerca de sete anos, desde sua passagem pela seleção de Camarões, o ex-jogador chega com a missão de afastar o alvinegro da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro.

Em uma incômoda sequência de oito derrotas seguidas no Brasileiro —que culminou na demissão de Fernando Diniz—, o Corinthians é o atual 16º na tabela de classificação, com o mesmo número de pontos do Internacional (32), o primeiro time na zona de rebaixamento, e a somente um do Grêmio, o 18º colocado.

A última vitória foi há mais de dois meses, no dia 9 de agosto, sobre o Red Bull Bragantino. A equipe volta a campo na próxima segunda-feira (19), quando encara o Vitória, às 20h (horário de Brasília), em Itaquera, pela 31ª rodada.

Embora já tenha tido uma passagem há mais de uma década pelo futebol brasileiro, quando defendeu o Botafogo, entre 2012 e 2013, Seedorf deu a entender que não vinha acompanhando com grande profundidade o futebol brasileiro antes de aceitar o convite do Corinthians.

Instado a fazer uma avaliação a respeito do futebol praticado no país, ele relembrou de sua fase como jogador e evitou dar uma resposta mais objetiva a respeito.

“Joguei em vários lugares do mundo. No final, a bola é redonda, são 11 jogadores contra 11, sem falar a gente se entende. Essa pergunta [sobre o futebol brasileiro] não tem muito valor de conhecimento de futebol. Joguei futebol 40 anos na minha vida, conheço futebol. Não preciso de muito tempo para entender os jogadores, ou contra quem vamos jogar”, disse o holandês.

Ele também preferiu enaltecer a importância da comissão técnica permanente do clube, destacando o trabalho de análise interna que municia o treinador com as melhores opções à disposição. “Vou me adaptar muito rápido nos próximos dias.”

O treinador disse ainda que sua chegada ao Corinthians não guarda qualquer relação com seu conterrâneo Memphis Depay.

“Ele não tem nada a ver com a minha vinda. Conheci o Corinthians antes dele e conheço o Corinthians muito bem, mas não por ele”, afirmou Seedorf.

Em relação ao recente desabafo do zagueiro Gabriel Paulista, o técnico optou por relativizar a questão. “Um grupo não pode nunca se sentir sozinho, nem da parte do treinador, nem do clube”, afirmou o holandês. “Pelo que estou vendo, não é a realidade. A realidade é que tem muita emoção, porque estamos no futebol, em um clube enorme, com uma torcida enorme”, acrescentou ele.

Um dos principais meias de sua geração na seleção holandesa, entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, com passagens por Ajax, Real Madrid, Internazionale e Milan, e a conquista de três títulos da Champions League, Seedorf ainda busca repetir o mesmo sucesso como treinador.

O holandês comandou até aqui Milan, Shenzhen, Deportivo La Coruña e seleção camaronesa, sem ter levantado nenhuma taça importante. A falta de um currículo mais pesado causou inclusive certa insatisfação dentro do Corinthians, com aliados do presidente Osmar Stabile questionando sua escolha.

Antes de anunciar o holandês, o Corinthians chegou a procurar uma série de nomes como Ramón Díaz, Luis Zubeldía, Fábio Carille e Sylvinho, sem conseguir fechar com nenhum deles.

Questionado sobre o hiato sem trabalhar como treinador, Seedorf afirmou que manteve-se próximo do esporte nesse período, acompanhando partidas da Champions League e atuando como dirigente em clubes da Europa.

“Fiquei próximo do futebol. Não quis pegar algumas coisas que foram oferecidas porque não acreditava nos projetos”, disse ele.

O novo técnico do alvinegro afirmou que suas equipes são marcadas pelo alto nível de intensidade, nos treinos e nas partidas, tanto no aspecto físico quanto no mental.

“Tenho uma filosofia de trabalho, mas o mais importante neste momento é conhecer o ambiente, o grupo, os profissionais, e entender juntos qual o melhor caminho a ser tomado. Estamos tendo muitas conversas, e minha primeira impressão é que é um grupo que tem vontade, que não está feliz com a situação e está disposto a fazer o trabalho necessário”, afirmou o treinador.

“É um grupo com muito talento. O fato de ter alguns resultados negativos não significa que o grupo não tem valor”, acrescentou ele.



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