O Tribunal de Contas da União (TCU) iniciou uma fiscalização para acompanhar como a administração pública federal está se preparando para os impactos da reforma tributária em contratos administrativos e concessões públicas.
A iniciativa pretende avaliar se os órgãos federais estão adotando medidas para adequar contratos vigentes e futuras licitações às mudanças trazidas pelo novo sistema tributário, que começará a produzir efeitos práticos a partir de 2027.
O trabalho será relatado pelo ministro Benjamin Zymler, que defende a adoção de procedimentos padronizados para reduzir riscos de insegurança jurídica durante o período de transição.
Por que o TCU abriu essa fiscalização?
Segundo o Tribunal, a implementação da reforma tributária alterará significativamente a carga tributária incidente sobre empresas contratadas pelo poder público.
Essas mudanças poderão afetar o equilíbrio econômico-financeiro de contratos administrativos, especialmente aqueles de longa duração, como concessões de infraestrutura.
O objetivo da fiscalização é verificar se os órgãos públicos estão se preparando adequadamente para essa nova realidade, identificar riscos e incentivar a adoção de boas práticas na gestão contratual.
Reforma poderá exigir revisão de contratos públicos
A legislação da reforma tributária prevê que contratos celebrados pela União, estados, Distrito Federal e municípios poderão ser reequilibrados quando a substituição dos tributos provocar alteração comprovada da carga tributária suportada pela empresa contratada.
Essa possibilidade alcança diversos tipos de contratos administrativos, incluindo concessões de:
- transporte;
- energia;
- saneamento;
- infraestrutura em geral.
Nesses casos, será necessário demonstrar tecnicamente o impacto tributário para que seja analisada eventual recomposição do equilíbrio econômico-financeiro.
Mudanças começam a partir de 2027
Os primeiros reflexos da reforma tributária nos contratos públicos deverão ocorrer com o início da cobrança da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), prevista para janeiro de 2027.
Na sequência, ocorrerá a implementação gradual do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituirá ICMS e ISS e modificará a tributação incidente sobre diversas atividades econômicas.
Essa transição poderá alterar custos operacionais, preços contratados e projeções financeiras utilizadas em contratos firmados antes da reforma.
TCU defende padronização para evitar conflitos
Durante a sessão plenária, o ministro Benjamin Zymler afirmou que a administração pública deverá revisar não apenas contratos em execução, mas também os documentos que servirão de base para futuras contratações.
Entre os instrumentos que poderão precisar de atualização estão:
- editais de licitação;
- termos de referência;
- projetos básicos;
- planilhas de custos;
- minutas contratuais.
Segundo o ministro, a ausência de critérios uniformes pode gerar interpretações divergentes entre órgãos públicos, aumentar a insegurança jurídica e ampliar disputas administrativas envolvendo pedidos de reequilíbrio contratual.
Mercado já acompanha possíveis impactos
A decisão do TCU ocorre em meio às discussões sobre os efeitos da reforma tributária em contratos de infraestrutura de longo prazo.
Empresas concessionárias e especialistas têm analisado como as novas regras poderão influenciar a formação de preços, a distribuição de riscos e os mecanismos de recomposição econômico-financeira previstos nos contratos atuais e futuros.
O que muda para empresas e contadores?
Embora a fiscalização não altere a legislação vigente, ela sinaliza que o TCU pretende acompanhar de perto a adaptação da administração pública ao novo modelo tributário.
Para empresas que mantêm contratos com o setor público, será importante avaliar como a substituição de tributos poderá afetar os custos originalmente considerados na contratação.
Já contadores, consultores tributários e especialistas em contratos públicos deverão participar da mensuração dos impactos fiscais e da elaboração dos estudos que poderão fundamentar eventuais pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro.
O que muda na prática?
A abertura da fiscalização pelo TCU não cria novas obrigações para empresas ou órgãos públicos, mas reforça que a reforma tributária exigirá uma ampla revisão da gestão dos contratos administrativos.
Com a chegada da CBS em 2027 e a implementação gradual do IBS, contratos de concessão e outras contratações públicas poderão precisar de ajustes para refletir a nova carga tributária. O acompanhamento do Tribunal busca justamente reduzir conflitos, padronizar procedimentos e oferecer maior segurança jurídica durante a transição para o novo sistema tributário.
