Brasília

Falta regulação do uso de redes sociais por policiais, aponta pesquisa

Falta regulação do uso de redes sociais por policiais, aponta pesquisa


Levantamento inédito aponta falta de regulação no uso de redes sociais por agentes das forças de segurança.

O estudo “policiais influenciadores”, divulgado nesta semana pelo Instituto Sou da Paz, aponta que 38 das 56 corporações policiais estudadas têm algum tipo de regulação sobre o uso de redes sociais. No entanto, de acordo com o Instituto, entre as normas existentes, algumas são muito frágeis ou não trazem mecanismos de responsabilização.

Além disso, algumas corporações não possuem qualquer norma específica sobre o tema como as polícias civis do Acre, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Roraima, Amapá e Tocantins, e as polícias militares do Amazonas, Ceará, Rio Grande do Norte e Sergipe. Os dados das PMs do Mato Grosso e Piauí não puderam ser acessados, nem por Lei de Acesso à Informação, nem por outras fontes.

O Instituto Sou da Paz também identificou uma tendência: policiais populares nas redes sociais pela divulgação informal de ocorrências, confrontos armados, transgressões disciplinares, e algumas vezes, com apologia à violência ou discurso de ódio.

O relatório cita, entre outros casos, o de um militar com quase 1,5 milhão de seguidores no Instagram, que cumpriu 30 dias de prisão após declarações sobre violência extralegal no YouTube.

Outro delegado gastava mais de R$14 mil por mês com equipes de filmagem. Um valor maior que o próprio salário. As despesas eram viabilizadas pelos lucros do canal, que chegava a meio milhão de reais por ano.

Para o Instituto Sou da Paz, o fenômeno tem reflexo também nas eleições. Os deputados federais vindos das forças de segurança saltaram de 4, em 2010, para 42 em 2018. De acordo com o Instituto de Estudos Socioeconômicos, em 2022, foram pelo menos 84 eleitos com termos militares ou das forças de segurança.

Diante do uso da imagem corporativa para fins pessoais, o Instituto Sou da Paz recomenda que as corporações proíbam o uso de fardas, brasões e armas; e que as normas sejam tecnicamente claras e rígidas.




Fonte GDF