Brasília

Viva Maria celebra o legado de Lélia Gonzalez

Viva Maria celebra o legado de Lélia Gonzalez


Axé Muntu! Viva Maria se vale desta expressão de saudação e empoderamento criada pela grande intelectual e ativista negra Lélia Gonzalez, para desejar a  vocês força, poder, energia vital .. enfim..  “tudo de bom”.

Axé Muntu assim como outras tantas palavras de origem e influência das línguas africanas fazem parte do idioma “pretuguês” que ao fim e a cabo é a língua que nós falamos !  Eu, você e todo o povo brasileiro. Este termo foi cunhado por Lélia Gonzalez para se referir à influência africana no português falado no Brasil. Isso nos idos de 1988 para definir a marca das línguas africanas (principalmente da família banto). Como antropóloga e ativista, Lélia se dedicou a aprofundar seus estudos em busca da nossa herança ancestral que está na raiz da nossa identidade cultural! Vem daí nosso jeitinho cantado de falar e a dupla negação “eu não vou, não”, “não quero, não”, também é, segundo Lélia, uma herança dessa forma de falar africana. Assim como a redundância “subir pra cima”, “descer pra baixo”. E tem mais trocar o L pelo R também faz parte das nossas mais profundas raízes. Então, na próxima vez que você vir uma pessoa falando “pobrema”, pense com um olhar descolonizado da educação. Talvez, o que ela tenha aprendido ao longo de sua vida tenha sido transmitido mais através da oralidade, e não dos bancos das escolas tradicionais. E jamais se esqueça de uma das maiores lições que a Lélia nos deixou “A oralidade é ancestral.”

E é por essa e por outras que a cada 25 de julho, marco máximo da luta das mulheres negras, que une o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra  o nome de Lélia é sempre lembrado como uma das maiores referências de  resistência contra o racismo e o machismo. Sua importância para o mundo das letras e da pesquisa sobre a temática de gênero e etnia é tão grande que faz com que mesmo depois de sua morte  em 10 de julho de 1994, aos 59 anos,  Lélia Gonzalez continue  Viva. Que o diga sua neta Melina Lima. Seja muito bem-vinda ao nosso programa. Viva você. Viva Lélia Gonzalez.

Oi, Mara. Que orgulho e que prazer estar aqui falando com vocês. Tudo ótimo.

Pois é. E olha, a primeira pergunta não podia ser outra. Como é ser neta de uma mulher que é referência pro Brasil e pro mundo? Não. Por acaso até a casa da ONU em Brasília foi batizada com o nome dela em outubro. de 2015, uma festa monumento. E eu acho até que você estava lá, não?

Exatamente. Em 2015 a gente teve mais essa homenagem merecidíssima a minha avó, Lélia Gonzalez, com o nome dela na Casa da ONU  Mulheres, Lélia Gonzalez. E eu estava lá junto com a família, com meu pai, com meu irmão, representando e recebendo mais essa homenagem merecida a ela.

E é um orgulho, obviamente, ser neta dela, né? Eu como mulher negra, me inspiro nela, sinto falta dela e quando sinto falta dela, leio ela. Então é muito importante saber que ela foi a precursora do feminismo negro no Brasil, que ela galgou o lugar pr pra gente ler, pra gente se ler, pra gente aprender que a gente tem espaço nesse país, que a gente tem voz nesse país e que sofremos sim racismo nesse país.

Essa democracia racial é uma falácia. Mas vamos lá, conta pra gente o que vem a ser o projeto Lélia Gonzalez Vive.

O projeto Lélia Gonzalez Vive é um projeto que é um, como diz o nome, é para manter vivo o legado de Lélia Gonzalez. E é um projeto que é uma parceria entre a gente da família, né, que é que representa eu, o meu pai, meu irmão e a minha tia e a  UNG nossa causa e voluntários que são de diferentes partes do Brasil. Então a gente criou esse projeto para tornar o pensamento dela com uma cara mais jovem, usando as redes sociais, espalhando mesmo a palavra de Lélia que eu falo, né? Espalhando a palavra, porque ela merece esse lugar de destaque em todas as situações. Então a gente tem que manter o legado dela vivo. E É uma missão manter esse legado.

Lélia é inclusive uma referência pra Ângela Davis. Não é pouca coisa, né?

 A Ângela Davis quando veio aqui ao Brasil em 2019, se não me engano, numa palestra falou: “Por que a gente ovaciona tanto Angela Davis se a gente tem Ala Gonzales?” E é o que eu sempre falo, é aquela síndrome de Viraata, né? Então precisamos ler quem viveu e quem conviveu com o racismo daqui pra gente se entender e lutar para as coisas melhorarem e mudarem de fato.

Pois é. E ler em pretuguês. Ai meu Deus, essas obras de Lélia em pretuguês, ela criou uma língua, né?

Exatamente. Na verdade, o português é o que ela fala, né? A influência africana no português falado no Brasil. A gente tem que ter essa consciência, deixar de lado o preconceito linguístico, sabe? A gente tem muito preconceito, acha que nas nas áreas periféricas falam errado, por exemplo, quando falam Flamengo, ao invés de Flamengo, isso, na verdade, é mais uma influência africana num lugar com muita influência africana. Então, não tem, não tem que ter preconceito, a gente tem que entender e e agregar essas diferenças do nosso português, como por exemplo o preto

E nesse julho das pretas, a gente não pode deixar de lembrar a data máxima do calendário do feminismo negro, né?

Dia 25 de julho, aqui no Brasil a gente também comemora o dia de Teresa de Benguela. É um dia de luta, é um dia de celebração. E nós do projeto Lélia Gonzales Vive junto com outras instituições de mulheres negras criamos e um manifesto que é um grito porque a gente tem que falar nós mulheres negras, os lugares que a gente tem que ocupar nesse país, os lugares que a gente ainda não ocupou, a gente tem que ter espaço para tudo. Então é um dia de celebração,

E que bom que você está honrando essa herança que recebeu de sangue e de vida. Exatamente.

Viva você, Melina. É um orgulho.

Muito obrigada. Eu queria mais uma vez agradecer, viu, Mara, eh, o espaço, né, que você tá dando pra gente. Como dizia minha avó, a AXE Muntu

Oh, que linda. AXE Muntu para você e para toda a nossa audiência.




Fonte GDF

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