São Paulo e Santa Catarina concentram 52% do impacto das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, segundo dados apresentados na semana passada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Os dois estados estão entre os mais afetados pela medida, que aumenta a pressão sobre empresas exportadoras e setores dependentes do mercado norte-americano.
O levantamento aponta que o tarifaço deve afetar cerca de US$ 7,4 bilhões em exportações brasileiras. Desse total, aproximadamente US$ 3 bilhões correspondem a produtos com origem em São Paulo, enquanto Santa Catarina também aparece entre os estados mais prejudicados, com uma parcela significativa das vendas destinadas aos Estados Unidos sujeita à nova taxação.
A sobretaxa americana foi anunciada após uma investigação comercial conduzida pelo governo dos Estados Unidos e estabeleceu uma tarifa adicional sobre produtos brasileiros. A medida gerou preocupação entre empresas que dependem das exportações para o mercado norte-americano, principalmente nos setores industrial, agropecuário e de transformação.
São Paulo concentra maior impacto financeiro
Por ter a maior economia do país e uma ampla base industrial, São Paulo aparece como o estado com maior exposição financeira ao tarifaço. Produtos manufaturados, máquinas, equipamentos, alimentos e outros itens exportados pelo estado estão entre os segmentos que podem sentir os efeitos da medida.
Segundo a ApexBrasil, São Paulo responde por 41,6% do valor afetado pelas novas tarifas, concentrando a maior parcela entre as unidades federativas brasileiras.
Empresas paulistas que possuem os Estados Unidos como destino relevante de vendas podem enfrentar desafios relacionados à competitividade, já que a elevação das tarifas tende a encarecer os produtos brasileiros no mercado internacional.
Santa Catarina tem alta exposição às vendas para os EUA
Em Santa Catarina, o impacto ocorre principalmente pela forte relação comercial com os Estados Unidos. O estado possui setores exportadores importantes, como madeira, móveis, equipamentos, alimentos e produtos industriais.
De acordo com os dados divulgados, cerca de 68% das vendas catarinenses aos Estados Unidos podem ser afetadas pela taxação, colocando o estado entre os mais vulneráveis à medida.
Entidades empresariais catarinenses alertam que a redução da competitividade pode afetar contratos, produção e investimentos, especialmente em empresas que possuem grande dependência do mercado americano.
Empresas avaliam alternativas diante do cenário
Com a nova barreira comercial, empresas brasileiras exportadoras avaliam estratégias para reduzir os impactos financeiros, incluindo a busca por novos mercados consumidores e revisão de cadeias de produção.
A ApexBrasil anunciou medidas de apoio para auxiliar empresas afetadas e incentivar a diversificação dos destinos das exportações brasileiras.
Para especialistas, companhias que possuem operações internacionais devem acompanhar o cenário com atenção, avaliando contratos, custos logísticos, formação de preços e possíveis impactos tributários.
Setores exportadores entram em alerta
A aplicação das tarifas aumenta a preocupação de setores que possuem participação relevante nas vendas externas. Além do impacto direto sobre as empresas exportadoras, o efeito pode alcançar fornecedores, transportadoras e demais negócios ligados à cadeia produtiva.
A avaliação é que empresas menores podem ser especialmente afetadas, já que possuem menor capacidade de absorver custos adicionais ou buscar rapidamente novos mercados.
Diante do cenário, organizações recomendam que empresas revisem seus planejamentos comerciais e financeiros, considerando possíveis mudanças na demanda internacional e na rentabilidade das operações.
O governo brasileiro também segue negociando com autoridades americanas para tentar reduzir os impactos da medida e ampliar a lista de produtos que possam ficar fora da sobretaxa.
Enquanto as negociações avançam, empresas exportadoras devem manter o acompanhamento das regras comerciais e avaliar alternativas para preservar a competitividade no mercado externo.

