terça-feira 7, julho, 2026 - 17:18

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Recuperação extrajudicial cresce no Brasil

A recuperação extrajudicial tem ganhado espaço como alternativa para empresas brasilei

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A recuperação extrajudicial tem ganhado espaço como alternativa para empresas brasileiras enfrentarem dificuldades financeiras sem recorrer à recuperação judicial. Impulsionado pelos juros elevados e pelas mudanças promovidas na legislação nos últimos anos, o mecanismo registra crescimento expressivo e vem sendo adotado por companhias de diversos setores para renegociar dívidas diretamente com credores.

Dados do Observatório Brasileiro da Recuperação Extrajudicial (Obre) mostram que o número de pedidos saltou de 16 em 2021 para 84 em 2025. Apenas em 2026, outras 33 empresas já optaram por esse modelo de reestruturação financeira. As dívidas envolvidas nas recuperações extrajudiciais deste ano superam R$ 109 bilhões, reflexo do cenário de crédito mais caro e do aumento da alavancagem das empresas.

Juros altos impulsionam reestruturações

O principal fator por trás do avanço da recuperação extrajudicial é o ambiente de juros elevados. Com a taxa básica de juros (Selic) em 14,25% ao ano, empresas que contrataram financiamentos em períodos de crédito mais barato enfrentam hoje dificuldades para honrar seus compromissos financeiros.

Além disso, o acesso a novos empréstimos tornou-se mais restritivo, levando muitas companhias a buscar uma solução negociada antes que a situação financeira evolua para uma recuperação judicial.

Como funciona a recuperação extrajudicial

Diferentemente da recuperação judicial, a modalidade extrajudicial permite que a empresa negocie diretamente com grupos específicos de credores, sem envolver todos os detentores de créditos.

Após a aprovação do plano pela maioria exigida em lei entre os credores participantes, o acordo pode ser homologado pela Justiça, tornando-se obrigatório para toda a classe abrangida pela negociação. O modelo é considerado mais ágil, menos burocrático e, em muitos casos, menos oneroso do que um processo de recuperação judicial tradicional.

As alterações promovidas pela Lei nº 14.112/2020 também contribuíram para ampliar o uso do instrumento, ao flexibilizar as negociações e permitir que determinados grupos de credores fiquem fora da reestruturação, tornando o processo mais adaptável às necessidades de cada empresa.

Empresas buscam preservar operações

Especialistas apontam que a recuperação extrajudicial reduz parte dos impactos negativos normalmente associados à recuperação judicial, como desgaste reputacional, restrições ao acesso ao crédito e maior interferência nas operações da empresa.

Como as negociações ocorrem de forma mais direcionada, o processo tende a preservar a continuidade das atividades e facilitar acordos antes que a crise financeira se agrave. Esse fator tem atraído empresas de setores como varejo, agronegócio, logística, mineração, indústria e saúde.

Entre os casos recentes estão companhias como Raízen, GPA, Tok&Stok, Casas Bahia e empresas do setor hospitalar, que recorreram ou estudam recorrer ao mecanismo para reorganizar seus passivos financeiros.

Atenção para empresas e contadores

Para especialistas, o crescimento da recuperação extrajudicial também reforça a importância do planejamento financeiro e do acompanhamento contábil das empresas.

A identificação precoce de dificuldades de caixa, o monitoramento dos indicadores financeiros e a renegociação antecipada de dívidas podem evitar que a empresa alcance um nível de endividamento incompatível com sua capacidade de pagamento.

Nesse contexto, contadores, consultores financeiros e assessorias jurídicas têm assumido papel estratégico na elaboração de diagnósticos, projeções de fluxo de caixa e planos de reestruturação, auxiliando empresários na escolha do instrumento mais adequado para superar momentos de crise sem comprometer a continuidade dos negócios.

Com informações do G1





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