Esporte

Que seleção da Copa seria o seu time? – 24/07/2026 – Sandro Macedo


É preciso fazer o desapego devagar. Depois de 104 jogos na galáxia da Copa do Mundo, ser capturado pela força gravitacional do Campeonato Brasileiro pode deixar sequelas irreparáveis.

Assim, esse humilde escriba sugere um pequeno exercício de objeto transicional do Mundial, para diminuir o impacto gradualmente.

Vamos imaginar então que seleção da Copa seria o seu time neste mundão do Brasileirão. Abaixo, algumas sugestões, mas os queridos leitores e queridas leitoras podem fazer suas próprias analogias.

É aquele time que dá gosto de ver jogar, tem meio-campo envolvente e um artilheiro com faro de gols e de recordes. Pedro é o maior artilheiro do Flamengo -–neste século— e do Maracanã —pós-reforma de 2013. Praticamente um Mbappédro. E, apesar de todas as qualidades, pode ficar sem o título.

Ok, pode parecer um pouco forçado. Mas veja bem, o time do professor Abel, mesmo sem o tiki-taka, consegue controlar os seus jogos como ninguém. Assim como a Espanha, não tem um artilheiro palmeirense entre os principais goleadores, mas faz o mínimo para vencer. E seu goleiro não é o melhor da competição, mas a defesa é a menos vazada. Só que vai ter que confirmar o título sem nenhum Yamal-Estevão no elenco.

São Paulo (Alemanha)

Sempre chega com a deliciosa empáfia que só os times com muitas glórias no passado têm. Mas nos últimos anos, é só o campeonato começar e fica aquela sensação de sofrimento até para passar pela fase de grupos. Em um jogo, pode golear por 4 a 1 o Cruzeiro (que não é um Curaçao) e depois ficar um mês sem vitória. E, pior, Rafael não é Neuer.

Assim como a seleção brasileira, o Santos é o único time no mundo que tem o privilégio de divulgar uma escalação “sem Neymar”, e assim como na Copa, o querido Cuca Ancelotti continua defendendo o jovem astro do pôquer. Com todo o segundo turno pela frente, o time da Vila deve chegar no máximo numa sul-americana —é como terminar a Copa nas oitavas de final.

Um time carregado por uma torcida e que venera um craque? Só se for o time do “montón de locos”. Assim como a torcida argentina na Copa, a corintiana não para em Itaquera, mesmo quando o time joga mal (o que é raro, mas acontece sempre). E, sim, não tem um Messi no Brasileirão, mas tem Memphis, o veterano que joga (bem) quando quer, adora aparecer nas decisões e ganha mais que todo o elenco. Vai, timón.

Assistir a um jogo do Vasco, ou da Celeste Olímpica, é algo para se fazer com uma caixa de lenços ao lado: será carregado de drama, emoção, fúria e, provavelmente, um triste final. Melhor pegar um livro de história e acompanhar que belo passado eles tiveram. Ainda assim, os dois estão a um “loco” da salvação —com Bielsa na Copa, deu errado.

Mirassol (Cabo Verde)

É o time cativante da competição, aquele que ninguém torce contra e que não tem pretensão de nada. Ainda assim, surpreende. E o lateral Reinaldo é praticamente um Vozinha que não defende, e que bate pênalti. Puro carisma.


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