Os presidentes de seis associações nacionais de futebol árabes, entre elas a do Qatar —sede da Copa do Mundo de 2022— e a do Marrocos —uma das sedes do Mundial de 2030—, manifestaram apoio nesta quinta-feira (13) ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, em meio à crise enfrentada pela entidade máxima do futebol mundial após o fracasso de um plano de investimento privado.
Infantino, que busca a reeleição no próximo ano, enfrenta uma rebelião aberta depois que três confederações —Uefa, AFC e Concacaf— criticaram sua conduta e pediram sua renúncia devido à tentativa frustrada de atrair investimento privado para as competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo.
O dirigente ítalo-suíço havia proposto separar os direitos comerciais da Copa do Mundo e vender 20% a investidores privados para arrecadar cerca de US$ 4,2 bilhões (21,7 bilhões), antes de recuar após a repercussão negativa.
“Reconhecendo o importante papel do futebol árabe em aproximar as pessoas e fortalecer a cooperação entre as associações de futebol de todo o mundo árabe, nós […] expressamos nosso total apoio ao senhor Gianni Infantino, presidente da Fifa, e reafirmamos nossa confiança em sua liderança e em seu compromisso permanente com o desenvolvimento do futebol em todo o mundo”, disseram os presidentes das seis federações em comunicado conjunto.
O documento foi assinado pelos presidentes das federações nacionais do Qatar, do Líbano, do Marrocos, do Sudão, do Egito e da Mauritânia. Quatro dos seis signatários —as federações qatari, egípcia, marroquina e mauritana— também são membros do Conselho da Fifa.
“Valorizamos profundamente os esforços contínuos do senhor Infantino para promover o futebol em nível global, ampliar as oportunidades em todas as regiões e fortalecer o papel do esporte na aproximação entre pessoas e comunidades”, afirmaram.
“Esperamos dar continuidade à nossa estreita cooperação com ele em busca de um futuro mais forte e próspero para o futebol mundial, ampliando oportunidades e fortalecendo ainda mais a contribuição do futebol árabe para o esporte em âmbito global.”
Algumas dessas federações são filiadas à AFC (Confederação Asiática de Futebol), que manifestou decepção quando o plano de Infantino foi anunciado e era vista como potencial aliada à condenação feita pela Uefa, entidade que rege o futebol europeu.
Irlanda retira apoio a Infantino
Com a liderança de Infantino bastante questionada após a polêmica provocada pelo projeto abortado, a Irlanda juntou-se nesta quinta-feira a uma lista crescente de países que retiraram seu apoio a Infantino.
“Após uma reunião do Conselho da FAI (Associação de Futebol da Irlanda), foi tomada a decisão de revogar a carta de apoio que a associação havia fornecido no início deste ano. Desde então, a associação escreveu à Fifa para explicar seus motivos”, afirmou em comunicado.
“A associação agradece o apoio que a Fifa oferece ao futebol irlandês, mas os eventos recentes levantaram preocupações significativas em relação à governança, transparência e à falta de uma consulta significativa.”
A proposta retirada de Infantino incluía uma verba de US$ 20 milhões (R$ 103 milhões) para as 211 associações-membros no próximo ciclo de financiamento, um valor que poderia ter sido dobrado caso o acordo tivesse sido assinado.
Após uma reunião de crise no Marrocos na semana passada, a Fifa pediu desculpas pelos erros cometidos na condução da proposta e afirmou que sua liderança apoiava integralmente Infantino.
Apesar da oposição das três confederações, que representam 136 das 211 associações-membro que votarão na eleição presidencial da Fifa, em março, Infantino ainda conta com muitos aliados no futebol.
O apoio integral das seis federações nacionais, muitas delas membros da AFC, demonstra que o voto em bloco é extremamente improvável, mesmo que as próprias confederações tenham se posicionado claramente, com cada federação nacional tendo direito a um voto. A CAF (Confederação Africana de Futebol) também manifestou apoio a Infantino.
O dirigente ítalo-suíço precisaria de uma maioria simples de 106 votos caso enfrentasse apenas um adversário na votação do próximo ano. Se houver três ou mais candidatos, Infantino precisaria de uma maioria de dois terços, ou 141 votos, no primeiro turno.
