A implementação da Reforma Tributária avança para uma etapa que exige atenção imediata das empresas. Os meses de agosto e setembro marcam importantes movimentos de adaptação ao novo sistema tributário e demandam planejamento para evitar falhas operacionais e decisões tomadas sem a devida análise.
Em agosto, o foco das empresas enquadradas no regime regular de tributação deve estar na adequação da emissão dos documentos fiscais eletrônicos. Esses contribuintes precisarão garantir que seus sistemas estejam preparados para atender às novas exigências relacionadas ao IBS e à CBS, com a revisão de parametrizações, cadastros e procedimentos internos antes da emissão das notas fiscais.
Para as empresas optantes pelo Simples Nacional, essa etapa não gera impacto imediato na emissão das notas fiscais. A obrigatoriedade de preenchimento dos novos campos do IBS e da CBS na forma exigida para o regime regular não se aplica nesse momento. No entanto, essas empresas também devem acompanhar a evolução da regulamentação e manter seus sistemas atualizados para as próximas fases da implementação da Reforma Tributária.
Segundo a contadora e conselheira do Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro (CRCRJ), Tamires Barbosa, muitas empresas ainda acreditam que a Reforma Tributária produzirá efeitos apenas nos próximos anos, quando, na realidade, diversas adaptações já começaram a fazer parte da rotina empresarial.
Para a especialista, este é o momento de confirmar se o software emissor já está preparado para as novas exigências, revisar o cadastro de produtos e serviços, validar as informações tributárias e realizar testes. Essas medidas reduzem o risco de inconsistências e contribuem para uma transição mais segura.
Tamires Barbosa destaca que a atualização tecnológica, por si só, não resolve todos os desafios. Cada empresa possui características próprias e, por isso, a análise das regras fiscais deve ser feita em conjunto com o contador, evitando que parametrizações incorretas comprometam a emissão dos documentos fiscais.
Além dos aspectos operacionais, agosto também deve ser aproveitado para capacitar as equipes responsáveis pelo faturamento e pela área fiscal. A integração entre contabilidade, financeiro, tecnologia e gestão será fundamental para acompanhar as próximas etapas da implementação da Reforma Tributária.
Se agosto exige atenção principalmente das empresas do regime regular, setembro passa a ser um mês estratégico para as empresas optantes pelo Simples Nacional. Nesse período, os empresários deverão avaliar, juntamente com sua contabilidade, a forma de recolhimento do IBS e da CBS para 2027, incluindo a possibilidade de optar pelo chamado regime híbrido, quando essa alternativa se mostrar mais vantajosa para o negócio.
Segundo Tamires Barbosa, essa decisão não deve ser tomada apenas com base na simplicidade operacional. É importante avaliar os impactos sobre a geração de créditos tributários, a relação com clientes e fornecedores, a formação de preços, o fluxo de caixa e a competitividade da empresa.
A especialista explica que a escolha poderá ter reflexos importantes no planejamento tributário dos próximos anos e, por isso, recomenda que cada empresa realize simulações antes da definição da opção mais adequada para sua realidade. A análise deve considerar não apenas a carga tributária, mas também os impactos financeiros e operacionais para o negócio.
A Reforma Tributária deixou de ser um tema de planejamento distante e já exige ações concretas por parte das empresas. Os meses de agosto e setembro representam um período estratégico para revisar processos, atualizar sistemas e definir estratégias tributárias com o apoio da contabilidade, permitindo uma transição mais segura para o novo modelo de tributação, avalia Tamires Barbosa.
