O chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, declarou-se nesta quinta-feira (14) “orgulhoso” da estrela do Barcelona Lamine Yamal por hastear uma bandeira palestina na celebração do título do Campeonato Espanhol, o que rendeu ao atacante acusações de “incitação ao ódio” por parte de Israel.
“Aqueles que consideram que hastear a bandeira de um Estado é ‘incitar ao ódio’ ou perderam o juízo ou foram cegados pela própria ignomínia”, escreveu Sánchez na rede social X.
“Lamine apenas expressou a solidariedade com a Palestina que milhões de nós, espanhóis, sentimos. Mais um motivo para nos orgulharmos dele”, acrescentou o presidente do governo da Espanha.
O jogador hasteou uma bandeira palestina do alto do ônibus do Barcelona na última segunda-feira (11), durante as celebrações pela conquista do título do Campeonato Espanhol, no domingo (10), contra o Real Madrid.
Sánchez reagiu à publicação nas redes sociais do ministro da Defesa israelense, Israel Katz, que, pela manhã, havia acusado Yamal de incitar o ódio.
“Como ministro da Defesa do Estado de Israel, não ficarei em silêncio diante da incitação contra Israel e contra o povo judeu”, declarou Katz também no X.
“Espero que um clube grande e respeitado como o Barcelona se desmarque dessas declarações e deixe claro, de forma inequívoca, que não há lugar para a incitação nem para o apoio ao terrorismo”, concluiu.
O gesto de Lamine Yamal repercutiu em Gaza, onde artistas em um campo de refugiados pintaram um mural sobre os escombros que pontilham o território, mostrando Yamal hasteando uma bandeira palestina.
O treinador do Barcelona, Hansi Flick, havia criticado o gesto de seu jogador na terça-feira (12), afirmando que “são coisas de que normalmente não” gosta.
“Eu disse a ele que, se quiser fazer isso, é decisão dele, já é maior de idade”, acrescentou Flick, ao ser questionado sobre o gesto.
As relações entre Espanha e Israel se deterioraram desde o início da intervenção israelense na Faixa de Gaza, desencadeada pelo ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.
Israel chamou sua embaixadora para consultas depois de Madri reconhecer o Estado palestino em 2024, enquanto a Espanha também retirou sua principal representante em Tel Aviv em março.

