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Esporte

Para que serve a Copa? – 09/06/2026 – PVC

Lembro como se fosse ontem o dia em que fui ao Shopping Continental comprar a camisa ofic

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Lembro como se fosse ontem o dia em que fui ao Shopping Continental comprar a camisa oficial da seleção para a Copa do Mundo de 1982. Só vendia na falecida loja da Poupança Continental.

Tinha o ramo de café do IBC, patrocinador da CBF, do lado direito do peito, proibido na Copa pela Fifa. O símbolo da Topper na manga esquerda e as três estrelas sobre o escudo do Brasil

Cheguei em casa e disse ao meu pai: “Olha só, que linda! O único problema é serem só três estrelas, porque depois da Copa serão quatro”.

Meu pai, Luís, ouviu atento e recomendou calma.

Quase um quarto de século depois, em 2006, comprei a camiseta oficial da seleção para meu filho, João Pedro, usar. Todo mundo dizia que não tinha como o Brasil perder, tendo Ronaldo e Ronaldinho na equipe. Pepê mostrou o escudo com cinco estrelas para seu pai, eu, e disse: “Olha que linda, pai! Só que depois da Copa serão seis”.

O futebol é essa paixão que une pais, filhos e filhas –minha filha Bruna é da mesma linhagem–, mas há uma diferença.

A globalização faz com que quase todas as seleções tenham jogadores nascidos em países diferentes dos que defendem e, mesmo assim, do que se trata nessa hora é de acreditar em quem pensa e vive os mesmos problemas que você vive.

O argentino Giuliano Simeone nasceu em Roma. O português Matheus Nunes nasceu no Rio de Janeiro, o uruguaio Zalazar é de Albacete, na Espanha, o mexicano Zamora nasceu em Phoenix, Estados Unidos, e o americano Zendejas nasceu no México.

Exceções absolutas, Brasil e República Tcheca não têm jogadores nascidos em outros lugares nem que jogaram por seleções de base.

Símbolo da globalização, o francês Olise é nascido em Londres, joga pelo Bayern, de Munique, e adotou a nacionalidade francesa.

Neste tempo em que quase não parece importar nacionalidade, em que pela primeira vez o técnico da seleção é carlo ancelotti italiano, incrivelmente a Copa do Mundo tem os maiores limites de fronteiras.

Donald Trump já disse acreditar em erguer um Muro de Berlim que separasse os Estados Unidos do México, o Irã atacado diz não ter recebido todos os vistos para entrar em território norte-americano e o nacionalismo exacerbado está no discurso de candidatos de todas as frentes, em todos os lugares.

A Copa do Mundo não é mais o centro da economia do futebol, mas a porta de entrada para muita gente que aprende a gostar do gol e a se relacionar com pais, mães, tios, avós. A aprender que aquele país pelo qual se torce, seja por ter nascido nele, por gostar de um craque ou por se sentir parte daquilo.

O Brasil ganhar a Copa não é a vitória do governo, assim como o amarelo não é de ninguém –e, sim, de todos os que foram às ruas nas Diretas Já! É de quem se sente parte do lugar que luta para fazer o Pix de todos os dias.

Sim, o Pix.

O Brasil não é mais o país de Ronaldo, Romário e Pelé, mas é o país do futebol, porque em cada chute tem alguém sonhando em ir à Copa do Mundo para fazer a feira para sua família.

De fazer um gol, abrir os braços, fazer um país.

A Copa é do mundo globalizado, de Maurício, do Paraguai, nascido no Brasil, e é, no entanto, do nacionalismo burro dos Estados Unidos de Donald Trump.

É também do menino que só quer ver o país onde nasceu e cresceu colocar mais uma estrela no peito.

Como eu disse a meu pai e neguei ao meu filho.


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