Crítico e exigente com o filho, mas também seu pilar mais constante: assim foi Jorge Horacio Messi, que acompanhou Lionel Messi desde os simples campos de Rosário, ao norte de Buenos Aires, até o topo do futebol mundial.
O empresário do astro campeão mundial de 2022 e vice na Copa deste ano morreu na madrugada deste sábado (8) num hospital de Rosário, na Argentina, sua cidade natal. A causa da morte não foi divulgada. Ele enfrentava problemas de saúde havia meses.
Operário metalúrgico na fábrica Acindar, Jorge descobriu o talento de Lionel quando o “Pulga” tinha apenas quatro anos, no clube de bairro Grandoli, no sul de Rosário. A situação financeira da família Messi no fim do século passado não era das melhores.
Adrián Coria, que treinou Leo durante sua passagem pela equipe rosarina Newell’s Old Boys e voltou a encontrá-lo no Barcelona e na seleção argentina como auxiliar do técnico Gerardo Martino, lembra que Jorge levava o filho para treinar com enorme esforço.
Eles tinham “um Renault 12 que estava meio caindo aos pedaços” e, às vezes, Jorge dizia não saber se voltaria no dia seguinte “porque não tinha dinheiro para a gasolina”, contou Coria à AFP em maio de 2026.
A situação ficou mais complicada quando o pequeno Lionel foi diagnosticado com um problema de crescimento que exigia um tratamento caro.
“Naquela época, Leo tinha 40 centímetros a menos de altura e pesava 15 quilos a menos que os companheiros. Você sabe o que isso representa para um jogador? Terrível”, afirmou Coria. Mas o garoto já sabia o que queria: ser jogador de futebol, ser o melhor.
Com a promessa de resolver esse problema de crescimento, Messi deixou o Newell’s e ingressou no Barcelona em 2000, com apenas 13 anos.
Jorge deixou o emprego em Rosário para se mudar sozinho com o filho para Barcelona, em um período de solidão compartilhada que ambos mais tarde recordaram com a voz embargada.
“Eu me trancava no quarto para chorar sozinho quando chegamos a Barcelona, e meu pai também chorava sem que eu visse. Nós dois fingíamos que estávamos bem, mas estávamos mal”, disse Messi em uma entrevista aos 20 anos.
“Meu pai chegou a me perguntar se eu queria continuar ou se voltávamos, e eu quis continuar, e ele ficou comigo”, acrescentou.
Do vestiário aos negócios
Dessa fase nasceu também o empresário.
Meses depois, insatisfeito com os intermediários que cuidavam do primeiro contrato do filho, Jorge assumiu o comando de seus negócios e nunca mais o deixou.
Negociou com dirigentes, editoras e marcas e construiu em torno do jogador uma estrutura empresarial que também o acompanhou no Paris Saint-Germain e no Inter Miami e que o transformou em um dos atletas mais bem pagos do planeta.
Era, além disso, a pessoa com quem Messi escolhia discutir seu desempenho depois de cada partida. “Meu pai me ajudou muitíssimo. É muito crítico comigo. Isso fez com que eu sempre quisesse me superar”, disse o capitão argentino em 2022.
Discreto, Jorge Messi quase não concedeu entrevistas ao longo da vida. Sua ausência incomum nas arquibancadas durante a Copa do Mundo de 2026 havia chamado a atenção: foi então que Lionel, após chorar ao marcar contra a Argélia, admitiu ter enfrentado “uma questão alheia ao esporte”, sem dar mais detalhes.
Sua carreira como empresário não esteve livre de polêmicas: em 2013, pai e filho foram acusados na Espanha de sonegar impostos sobre os direitos de imagem do jogador por meio de empresas no exterior, caso que já foi encerrado com multas e sem prisão.
Jorge Messi era casado com Celia Cuccittini e teve com ela quatro filhos: Rodrigo, Matías, Lionel e María Sol.
