No primeiro artigo desta coluna, compartilhei a reflexão de que a maior transformação da Reforma Tributária está no comportamento do contador.
Mas essa mudança não termina no profissional. Ela chega ao próprio modelo de negócios dos escritórios contábeis.
Durante décadas, construímos empresas bem-sucedidas com base em serviços recorrentes, processos operacionais e equipes altamente especializadas em conformidade fiscal, contábil e trabalhista. Esse modelo foi eficiente e continuará sendo importante. Mas ele, sozinho, já não será suficiente para sustentar o crescimento nos próximos anos.
Estamos entrando em um período de profundas transformações. A Inteligência Artificial automatiza atividades repetitivas. A Reforma Tributária modificará a forma como as empresas tomam decisões. Os clientes exigirão muito mais orientação estratégica. Ao mesmo tempo, a dificuldade para atrair e desenvolver talentos continuará aumentando.
Esse novo cenário nos leva a uma pergunta inevitável: O modelo de negócios do seu escritório está preparado para os próximos cinco anos?
Essa talvez seja uma das reflexões mais importantes que os empresários contábeis precisam fazer. Não basta incorporar novas tecnologias. Também será necessário rever a proposta de valor, os serviços oferecidos, a forma de precificação, a estratégia comercial, o desenvolvimento das pessoas e a maneira como o escritório se posiciona no mercado.
Os escritórios que continuarem concentrando seus esforços exclusivamente na execução das obrigações legais tendem a enfrentar uma concorrência cada vez maior baseada em preço.
Por outro lado, aqueles que ampliarem sua atuação para consultoria, inteligência de negócios, planejamento tributário, indicadores gerenciais, governança e apoio à tomada de decisões construirão relações mais estratégicas e duradouras com seus clientes.
Essa transformação não acontecerá de um dia para o outro. Ela será uma jornada. Uma jornada de revisão de processos, desenvolvimento de novas competências e construção de um novo posicionamento.
Talvez a pergunta mais importante não seja quais tecnologias adotar. Talvez seja: que empresa contábil você deseja ter quando essa transformação estiver consolidada?
Na Nova Era da Contabilidade, acredito que as empresas contábeis mais bem preparadas não serão necessariamente as maiores. Serão aquelas que compreenderem primeiro que o seu verdadeiro diferencial deixará de estar apenas na execução das obrigações para se concentrar na geração de valor para seus clientes.
Os próximos anos não exigirão apenas novos softwares. Exigirão novos modelos de negócios. E isso não acontece por acaso. Será necessário planejamento e muita reflexão. E essa construção começa agora.
