sexta-feira 19, junho, 2026 - 20:24

Saúde

Óleo de peixe não previne declínio ligado ao Alzheimer, mostra estudo

Óleo de peixe é um dos suplementos mais consumidos no mundo e costuma ser associado à

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Óleo de peixe é um dos suplementos mais consumidos no mundo e costuma ser associado à saúde do cérebro. No entanto, um novo estudo sugere que tomar cápsulas de ômega-3 pode não trazer os benefícios esperados na prevenção do Alzheimer.

A pesquisa foi publicada nessa quinta-feira (18/6) na revista eBioMedicine e acompanhou por dois anos adultos mais velhos com maior risco de desenvolver a doença. Os resultados mostraram que a suplementação não melhorou a memória, a função cognitiva nem reduziu sinais de perda cerebral relacionados ao Alzheimer.

“Todos nós gostaríamos que houvesse uma solução milagrosa para prevenir o Alzheimer, mas nossas descobertas mostraram que os suplementos de óleo de peixe não parecem proteger a saúde do cérebro”, afirmou Hussein Naji Yassine, diretor do Centro de Saúde Cerebral Personalizada da Universidade do Sul da Califórnia e principal autor do estudo, em comunicado.

Como o estudo foi realizado

Os pesquisadores recrutaram 365 adultos entre 55 e 80 anos que consumiam pouco peixe, uma das principais fontes naturais de ômega-3. Quase metade dos participantes possuía o gene APOE4, considerado o principal fator genético de risco para o Alzheimer de início tardio.

Os voluntários foram divididos em dois grupos. Um recebeu diariamente suplementos com 2.000 mg de DHA — um tipo de ômega-3 encontrado principalmente em peixes e considerado importante para a estrutura e o funcionamento das células cerebrais. O outro recebeu placebo.

Antes de avaliar possíveis benefícios cognitivos, os cientistas queriam confirmar se o nutriente realmente chegava ao cérebro. Após seis meses, exames mostraram aumento médio de 17% nos níveis de DHA no líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal. Ou seja, o ômega-3 foi absorvido e alcançou o sistema nervoso central.

Mesmo assim, os resultados não mudaram

Apesar de chegar ao cérebro, o suplemento não trouxe vantagens ao longo do estudo. Testes de memória e cognição realizados no início e ao final dos dois anos mostraram desempenho semelhante entre quem recebeu DHA e quem tomou placebo.

Além disso, os exames de imagem não identificaram proteção contra a redução do hipocampo, uma região cerebral ligada à memória e frequentemente usada como marcador de envelhecimento cerebral e risco de Alzheimer.

Segundo os autores, os resultados indicam que aumentar os níveis de ômega-3 por meio de suplementos, isoladamente, pode não ser suficiente para alterar a evolução dos processos relacionados à doença.

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Alzheimer é uma doença degenerativa causada pela morte de células cerebrais e que pode surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas
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Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista
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Andrew Brookes/ Getty Images

Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce
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Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano
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urbazon/ Getty Images

Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença
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Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns
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Segundo pesquisa realizada pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas com o surgimento da doença
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Rossella De Berti/ Getty Images

O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida
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O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida

Towfiqu Barbhuiya / EyeEm/ Getty Images

Dieta pode ser mais importante que suplementos

Agora, os pesquisadores tentam entender por que o ômega-3 chega ao cérebro, mas não produz os efeitos esperados.

Uma das hipóteses é que o nutriente funcione melhor quando consumido dentro de um padrão alimentar saudável, como a dieta mediterrânea, rica em peixes, azeite, frutas, legumes e verduras.

“Estamos focados em entender melhor como o cérebro processa os ômega-3 e se fatores como saúde, alimentação, risco genético e idade podem alterar a capacidade do organismo de utilizar esses nutrientes de forma eficaz”, disse Yassine.

Os autores reforçam que, até o momento, as estratégias mais consistentes para reduzir o risco de Alzheimer continuam sendo a prática regular de atividade física, uma alimentação equilibrada, sono adequado e o controle de doenças como hipertensão e diabetes.



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