Óleo de peixe é um dos suplementos mais consumidos no mundo e costuma ser associado à saúde do cérebro. No entanto, um novo estudo sugere que tomar cápsulas de ômega-3 pode não trazer os benefícios esperados na prevenção do Alzheimer.
A pesquisa foi publicada nessa quinta-feira (18/6) na revista eBioMedicine e acompanhou por dois anos adultos mais velhos com maior risco de desenvolver a doença. Os resultados mostraram que a suplementação não melhorou a memória, a função cognitiva nem reduziu sinais de perda cerebral relacionados ao Alzheimer.
“Todos nós gostaríamos que houvesse uma solução milagrosa para prevenir o Alzheimer, mas nossas descobertas mostraram que os suplementos de óleo de peixe não parecem proteger a saúde do cérebro”, afirmou Hussein Naji Yassine, diretor do Centro de Saúde Cerebral Personalizada da Universidade do Sul da Califórnia e principal autor do estudo, em comunicado.
Como o estudo foi realizado
Os pesquisadores recrutaram 365 adultos entre 55 e 80 anos que consumiam pouco peixe, uma das principais fontes naturais de ômega-3. Quase metade dos participantes possuía o gene APOE4, considerado o principal fator genético de risco para o Alzheimer de início tardio.
Os voluntários foram divididos em dois grupos. Um recebeu diariamente suplementos com 2.000 mg de DHA — um tipo de ômega-3 encontrado principalmente em peixes e considerado importante para a estrutura e o funcionamento das células cerebrais. O outro recebeu placebo.
Antes de avaliar possíveis benefícios cognitivos, os cientistas queriam confirmar se o nutriente realmente chegava ao cérebro. Após seis meses, exames mostraram aumento médio de 17% nos níveis de DHA no líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal. Ou seja, o ômega-3 foi absorvido e alcançou o sistema nervoso central.
Mesmo assim, os resultados não mudaram
Apesar de chegar ao cérebro, o suplemento não trouxe vantagens ao longo do estudo. Testes de memória e cognição realizados no início e ao final dos dois anos mostraram desempenho semelhante entre quem recebeu DHA e quem tomou placebo.
Além disso, os exames de imagem não identificaram proteção contra a redução do hipocampo, uma região cerebral ligada à memória e frequentemente usada como marcador de envelhecimento cerebral e risco de Alzheimer.
Segundo os autores, os resultados indicam que aumentar os níveis de ômega-3 por meio de suplementos, isoladamente, pode não ser suficiente para alterar a evolução dos processos relacionados à doença.
Dieta pode ser mais importante que suplementos
Agora, os pesquisadores tentam entender por que o ômega-3 chega ao cérebro, mas não produz os efeitos esperados.
Uma das hipóteses é que o nutriente funcione melhor quando consumido dentro de um padrão alimentar saudável, como a dieta mediterrânea, rica em peixes, azeite, frutas, legumes e verduras.
“Estamos focados em entender melhor como o cérebro processa os ômega-3 e se fatores como saúde, alimentação, risco genético e idade podem alterar a capacidade do organismo de utilizar esses nutrientes de forma eficaz”, disse Yassine.
Os autores reforçam que, até o momento, as estratégias mais consistentes para reduzir o risco de Alzheimer continuam sendo a prática regular de atividade física, uma alimentação equilibrada, sono adequado e o controle de doenças como hipertensão e diabetes.










