segunda-feira 25, maio, 2026 - 18:37

Esporte

NY quer bairros de imigrantes na festa da Copa do Mundo – 25/05/2026 – Esporte

No bairro Little Haiti, assim como em outras partes da cidade, a prefeitura da cidade de

image_printImprimir


No bairro Little Haiti, assim como em outras partes da cidade, a prefeitura da cidade de Nova York está tentando conectar seus bairros de imigrantes à Copa do Mundo, apesar do clima de desânimo que se instalou em comunidades fragilizadas pelas políticas de imigração do governo Donald Trump.

Nessa área de Flatbush, no Brooklyn, que lembra um pouco Porto Príncipe, as ruas comerciais antes movimentadas agora estão visivelmente mais tranquilas.

Desde o início do segundo mandato de Donald Trump, em janeiro de 2025, Mahalia Desrosiers, gerente de projetos da associação local Little Haiti BK, viu alguns comércios fecharem as portas, mesmo que o bairro não tenha sido alvo de batidas policiais como em outras cidades.

Mas, com a participação do Haiti na Copa do Mundo pela primeira vez em 52 anos, o evento pode “dar às pessoas um senso de vida, de esperança, de energia”, disse ela.

“Os haitianos vão colocar sua bandeira por toda parte. Vamos pintar esta cidade de vermelho e azul”, entusiasma-se.

Antes do apito inicial, em 11 de junho, equipes da prefeitura da cidade, lideradas pelo democrata Zohran Mamdani, filho de imigrantes indianos, percorrem as diferentes comunidades para conscientizá-las sobre as oportunidades comerciais ligadas ao maior evento do futebol.

Novos clientes?

O departamento de turismo da cidade está preparando um calendário de eventos para que os visitantes possam vivenciar as partidas nesses bairros, e não apenas nas áreas turísticas de Manhattan.

Vídeos curtos promovendo as transmissões também serão publicados nas redes sociais.

Outro programa fornecerá copos promocionais relacionados ao torneio para bares e restaurantes. Cerca de 600 estabelecimentos já se inscreveram.

Com a Copa do Mundo, “é uma oportunidade de alcançar um novo mercado, um novo grupo de pessoas que talvez não frequentassem seu estabelecimento antes”, diz aos comerciantes Jacques Brunvil, do Departamento de Serviços para Pequenas Empresas (SBS) de Nova York.

Ao expandir os esforços de divulgação para os outros bairros populares do Queens e do Bronx, Brunvil vislumbra a cidade como palco de uma espécie de festival esportivo itinerante que celebra a diversidade nova-iorquina.

“Acreditamos que, dependendo das partidas, veremos grupos de pessoas se deslocando para diferentes bairros: Little Haiti para assistir a um jogo do Haiti ou Little Senegal (no Harlem) para um jogo do Senegal… As pessoas vão se movimentar para sentir a emoção junto com os torcedores de cada país”, afirma confiante.

R$ 3.000 a entrada

De modo geral, segundo representantes políticos, é difícil quantificar o impacto econômico das medidas de imigração mais rigorosas adotadas pelo governo federal, que estão causando um aumento nas deportações.

Haris Kahn, chefe do SBS, afirmou recentemente que a Copa do Mundo “não apagará completamente um ano e meio de dificuldades para alguns desses estabelecimentos. Mas será importante”.

No Golden Blue Bar & Restaurant, em Little Haiti, o movimento tem sido instável desde a sua inauguração em 2020: primeiro a pandemia e, mais recentemente, as preocupações relacionadas ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).

Mas Amantha Chery, que ajuda a administrar o restaurante dos pais, está confiante de que a comunidade frequentará bares e restaurantes durante a Copa do Mundo, que também será realizada no México e no Canadá.

Os ingressos para a primeira partida do Haiti contra a Escócia, em 13 de junho, em Boston, Massachusetts, estão sendo vendidos por mais de US$ 600 (R$ 3.000) na plataforma StubHub. Preços altos que, ela quer acreditar, “são melhores” para os comerciantes.

O restaurante, conhecido por suas bananas fritas e empanadas, conta com duas televisões no salão principal, além de uma varanda onde pode ser instalado um telão.

“Tem sido difícil a forma como o Haiti tem sido retratado na imprensa… a narrativa de que ‘o Haiti é tão perigoso’, tudo isso”, lamenta ela. “Mas há tanta resiliência e beleza em nossa cultura, em nosso povo. Estou feliz que finalmente estejamos na imprensa por algo extraordinário.”



Fonte da Notícia

Leave A Comment