domingo 7, junho, 2026 - 13:51

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Jogos de Brasil e EUA disputam espaço na agitada Nova York – 06/06/2026 – Esporte

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Demorou quase oito minutos até alguém perceber que o amistoso entre Brasil e Egito, o último teste das seleções antes do início da Copa do Mundo, neste sábado (6), já havia começado.

Em um bar em Astoria, no Queens, bairro nova-iorquino conhecido pela forte presença de comunidades imigrantes, um grupo pequeno de brasileiros, cerca de 20 pessoas entre crianças e adultos, teve de esperar o fim de uma partida de golfe para que os televisores fossem finalmente sintonizados no futebol.

Depois de alguma insistência, as telas passaram a exibir o jogo da seleção brasileira, mas não exatamente aquele que os torcedores esperavam. No mesmo dia, a seleção feminina também estava em campo, contra os Estados Unidos, em amistoso em São Paulo. A confusão inicial fez até os funcionários do bar demorarem a entender qual partida o grupo queria assistir. Quando a troca finalmente aconteceu, Bruno Guimarães já havia aberto o placar para a equipe masculina.

Vestidos com camisas da seleção, os brasileiros vibraram com o replay do gol. Pouco depois, a reação foi tímida no empate do Egito. No restante do salão, com algumas centenas de pessoas, o futebol parecia secundário ou menos do que isso. A maioria seguia em outra frequência, entre conversas, refeições, bebidas e até uma pista improvisada de dança country, como se o jogo acontecesse em outro lugar.

Entre os brasileiros, porém, o assunto mais presente não era o desempenho em campo, mas a dificuldade para acompanhar a Copa de perto.

“Já imaginava que seria caro, mas não tanto. Como eu vi a final da Copa América, em 2024, por US$ 700 [R$ 3.600], pensei em reservar até US$ 2.000 [R$ 10 mil] para ver a final da Copa do Mundo. Mas o mais barato que eu encontrei agora está mais de US$ 9.000 [R$ 46,5 mil]”, reclamou à Folha João Santos, 31, analista de ações, há dois anos vivendo em Nova York.

Apesar do jogo rolando, a conversa com João e seus amigos inevitavelmente voltava aos preços das entradas. Leandro Leite, 25, também analista de ações, planeja ver algum jogo do Brasil no mata-mata.

“Se o Brasil passar, aí eu vou [tentar comprar]. Agora, gastar tanto dinheiro sem saber o adversário, nem mesmo se vai ser o Brasil, é complicado”, disse. “Mesmo morando aqui, sem gastar com uma viagem, ainda é uma Copa cara.”

Enquanto isso, do lado de fora do bar, Nova York seguia seu curso.

Um dos brasileiros arriscou uma explicação para a aparente indiferença nova-iorquina: “Quando chegarem os jogos importantes, aí eles vão parar para assistir. Agora ainda não”, disse João.

Talvez seja exatamente essa a sensação. A Copa do Mundo chega aos Estados Unidos, mas em Nova York ela ainda disputa espaço com uma agenda infinita de atrações, eventos e distrações. O torneio mais importante do futebol mundial desembarca tentando ser o centro das atenções. Por enquanto, é apenas mais uma opção.

Essa impressão já havia sido notada algumas horas antes, no coração turístico da cidade. Na Times Square, onde telas gigantes disputam atenção com luzes, anúncios e multidões, o futebol praticamente desaparecia no meio do excesso de estímulos.

Era um sábado à tarde com fluxo intenso de turistas e uma ocupação incomum do espaço público, uma celebração da comunidade filipina tomava um quarteirão inteiro da avenida, com música, bandeiras e apresentações que concentravam olhares e celulares.

Ao redor, filas para musicais, vendedores ambulantes e grupos de visitantes guiados por mapas reforçavam a sensação de uma cidade que nunca se organiza em torno de um único acontecimento.

Não foi fácil, porém, encontrar um local para acompanhar a série de amistosos entre seleções que ocorreram neste sábado. Um dos poucos locais com TVs sintonizadas nas partidas era o Celtic Pub, em um das travessas da Times Square.

Fundado em uma casa de três andares, com televisores em todos os ambientes, o cenário chamava atenção pelo contraste. O local estava praticamente vazio, com telas ligadas exibindo o duelo entre EUA e Alemanha sem nenhuma torcida.

Em um dos balcões, um garçom resumiu a situação ao ser perguntado sobre o jogo da seleção americana.

“Os americanos não ligam para o futebol. Só querem saber agora dos Nicks na final da NBA. Aqui, vem mais turistas da Europa e da América Latina, e a maioria vem para ver os jogos da Champions League ou da Premier League. Quase nunca tem americano por aqui”, disse Arthuro Tacuri, 41, equatoriano que vive em Nova York desde sua infância.

Os EUA perderam por 2 a 1.

Mais tarde, um pouco distante dali, o bar em Astoria havia mostrado algo semelhante em escala menor. Essa hierarquia só mudou nos minutos finais da partida. Faltando cerca de dez minutos para o fim do jogo, um temporal que atingiu a região obrigou clientes e funcionários a se aproximarem das TVs. Pela primeira vez, o salão inteiro se concentrou diante das TVs, não pelo futebol, mas pela chuva forte do lado de fora.

O Brasil, que venceu por 2 a 1, talvez consiga despertar mais interesse quando a Copa, de fato, começar.



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