A preparação para a Copa do Mundo de 2026 vem ampliando investimentos em tecnologia, conectividade e segurança para sustentar operações de grande escala. Segundo o relatório financeiro oficial da FIFA, o torneio prevê US$ 145 milhões destinados à área de segurança, refletindo a crescente complexidade operacional de eventos globais que hoje dependem de monitoramento em tempo real, integração de sistemas, proteção física e digital e resposta rápida em ambientes com milhões de pessoas conectadas simultaneamente.
Na área de segurança física, eventos internacionais de grande porte vêm acelerando o uso de vídeo, inteligência artificial e comunicações críticas para apoiar operações em tempo real em ambientes com alta circulação de pessoas.
Para Elton Borgonovo, vice-presidente da Motorola Solutions para a América Latina, quando se fala em segurança nos estádios em um torneio dessa dimensão, há muito em jogo. “É por isso que é necessário um preparo cuidadoso, incluindo a compreensão da tecnologia e dos recursos de segurança necessários para dar suporte a um evento de grande escala. Uma experiência positiva para os torcedores depende muito da prontidão dos governos do país anfitrião e de suas agências de segurança pública”, diz o executivo.
Além da ampliação da infraestrutura digital, a Copa do Mundo de 2026 também deve aumentar a pressão sobre governança, compartilhamento e proteção de dados em um ambiente altamente conectado e sujeito a riscos cibernéticos. Eventos globais aceleram a circulação de informações entre plataformas, sistemas de mobilidade, streaming, operações críticas e órgãos públicos.
“A velocidade de adoção da IA nas empresas brasileiras superou a maturidade dos processos de governança e controle sobre os dados. Hoje, o desafio das empresas não é mais decidir se vão usar IA, porque ela já está integrada à rotina corporativa. A prioridade agora é entender quais aplicações estão sendo usadas, quais informações estão sendo compartilhadas e onde existem riscos de exposição de dados sensíveis e propriedade intelectual”, explica Claudio Bannwart, country manager da Netskope.
Segundo especialistas, a escala operacional de eventos internacionais também amplia a necessidade de integração entre diferentes sistemas, organizações e plataformas digitais, exigindo processos mais rigorosos de compliance e rastreabilidade das informações.
“A Copa do Mundo 2026de 2026 será um dos maiores ecossistemas digitais já montados para um evento esportivo. Estamos falando de milhões de pessoas conectadas simultaneamente, compartilhamento massivo de dados entre países, organizadores, patrocinadores, plataformas de streaming, sistemas de mobilidade e órgãos públicos. Nesse contexto, a governança de dados deixa de ser apenas uma questão tecnológica e passa a ser um modelo claro de responsabilidade. É fundamental definir, de forma objetiva, quem coleta, quem processa, quem armazena e quem protege cada informação ao longo de toda essa cadeia. Eventos globais, como a Copa, exigem uma abordagem integrada de segurança e compliance, capaz de garantir transparência, rastreabilidade e confiança em toda a jornada digital, tanto para o público quanto para as organizações envolvidas””, afirma Tiago Matias, Líder de Segurança da Logicalis Brasil.
O aumento do volume de dados e da circulação massiva de transações digitais durante grandes eventos também amplia a necessidade de monitoramento contínuo e resposta rápida a ameaças cibernéticas.
“Golpes como clonagem de sites oficiais e ofertas falsas tornam-se mais sofisticados e convincentes. Por isso, consumidores devem verificar a autenticidade dos canais, evitar preços suspeitos e adotar autenticação multifator. Já as empresas precisam combinar proteção digital, criptografia e monitoramento ativo contra fraudes. Ainda assim, tecnologia isolada não resolve o problema sem preparo humano adequado. Com até 85% dos incidentes ligados ao fator humano, segundo a Verizon, o treinamento contínuo e simulações de phishing tornam-se essenciais para reduzir riscos reais””, salienta Glauco Sampaio, CEO da Beephish
Nesse cenário, especialistas apontam que ferramentas baseadas em IA e observabilidade ganham importância para identificar comportamentos anômalos em tempo real e reduzir o tempo de resposta durante operações críticas.
“Em um ambiente onde picos massivos de tráfego podem gerar milhões de eventos por segundo, a diferença entre conter um ataque ou sofrer uma violação deixou de ser uma questão de volume de dados e passou a ser uma questão de inteligência aplicada. É aqui que o avanço da IA transforma radicalmente a observabilidade: algoritmos de detecção baseados em comportamento aprendem o que é ‘normal’ para cada ativo da rede e, durante picos de eventos como ações de Copa do Mundo, conseguem distinguir em milissegundos um crescimento legítimo de tráfego de um movimento lateral de ataque. Ferramentas modernas já utilizam IA para correlacionar dados de telemetria em escala global, reduzindo drasticamente falsos positivos e permitindo que equipes de segurança foquem no que realmente importa,importa”, avalia Thiago Marques, diretor de Desenvolvimento de Negócios Cibersegurança da Add Value.
O tratamento dos dados recebidos também evoluiu. Em vez de armazenar tudo para análise posterior, a IA possibilita análises em tempo real, com decisões tomadas no próprio fluxo de dados e modelos continuamente ajustados por feedback imediato. A observabilidade deixa de ser um custo operacional de armazenamento e processamento para se tornar um ativo estratégico de resiliência cibernética.
“Com a interligação global e impacto de eventos da escala da Copa do Mundo de 2026, a IA deixou de ser apenas uma camada de software para se tornar uma demanda direta de infraestrutura de alta performance. Processamento em tempo real, baixa latência e capacidade de análise massiva de dados exigem arquiteturas cada vez mais robustas, distribuídas e preparadas para operações críticas. A tendência é que o mercado acelere investimentos em ambientes computacionais capazes de sustentar aplicações de IA com eficiência, segurança e escalabilidade”, diz Patrícia Cocozza, gerente-geral da xFusion Brasil.
Além do impacto esportivo e econômico, a Copa do Mundo de 2026 deve acelerar investimentos em conectividade, monitoramento, integração operacional e infraestrutura digital para suportar eventos de grande escala e ambientes cada vez mais conectados.
Fonte: Motorola Solutions

