Com a chegada do inverno, as temperaturas mais baixas são um terreno fértil para o aumento nos casos de asma.
A síndrome respiratória tem crescido entre a população brasileira, com um estudo recente do Ministério da Saúde apontando para uma alta de 63% no número de internações pela doença entre 2020 e 2025 no país.
A pneumologista Adriana Veloso alerta para alguns gatilhos comuns que podem agravar o quadro de asma nesta época do ano:
“Nesse período de inverno é muito comum os quadros virais, né? É muito comum também que essas crianças, e que os adultos também, fiquem mais reclusos, fiquem mais em casa, então eles acabam ficando expostos a alguns gatilhos da asma. Então, gatilhos como mofo, poeira doméstica, os próprios animais de estimação, são questões ali que vão fazer essas crises de asma aumentarem. Então é muito importante que nesse período mantenham as vacinações em dia, então a vacina da COVID, a vacina da influenza…”
A bancária Jamille Oliveira, mãe do jovem Lucas, de 7 anos de idade, relata os desafios no tratamento do filho contra a doença, principalmente após o garoto ter sido diagnosticado com um quadro de “asma silenciosa”, uma variante da síndrome que se manifesta apenas pela tosse, podendo passar despercebida entre os afetados devido à falta de sintomas mais alarmantes:
“Lucas foi diagnosticado com asma aos 6 anos. Quando ele entrou na escola, teve vários episódios de gripe e resfriado. Num desses resfriados, ele reclamou que não tava conseguindo respirar direito. A gente achou que era só uma congestão nasal, mas a gente levou na emergência mesmo assim. Chegando lá, a médica que atendeu disse que ele tava tendo uma crise de asma. A gente então marcou a pediatra dele e começamos a tratar com corticoide inalatório, a famosa bombinha. Não apresentando mais nenhum sintoma, a gente suspendeu a medicação. E no início de 2026, voltamos para a consulta de rotina com a pediatra dele, sem apresentar nenhum sintoma além de tosse. A médica nos orientou a fazer um exame para ver se a asma tava em remissão. Aí, para a surpresa de todo mundo, o exame revelou uma inflamação altíssima nos pulmões. A médica disse que tava uma asma silenciosa, e o único sintoma que ele tinha era tosse, mas bem pouca mesmo. Hoje, a gente continua tratando com a bombinha. Depois de três meses, a gente fez de novo o teste, a inflamação continuava, só que com índices menores.”
A Dra. Adriana Veloso pontua para os perigos da desinformação no tratamento da asma e reforça a importância do uso constante da medicação e das consultas de rotina para monitorar a doença:
“Ainda existe muito mito de que a medicação vicia, de que a bombinha faz mal pro coração… Então, o que é que acontece? As pessoas acabam não se tratando adequadamente. Então, esses mitos atrapalham muito o tratamento. O tratamento da asma, ele tem que ser um tratamento regular, um acompanhamento regular. Porque é uma doença crônica, apesar de terem momentos em que a pessoa tem crise e momentos em que a pessoa acha que não tem nada, é preciso que o acompanhamento continue, e muitas vezes a medicação, ela é contínua. A medicação, ela tem que ser tomada de forma regular, né? Ela tem que ser tomada ali continuamente, não pode ter falhas, que é isso que faz, muitas vezes, com que o paciente não tenha o controle que a gente espera. Então, não é normal viver cansando, não é normal ter crise de asma. O ideal é que ele tenha um controle e faça suas atividades, assim, de forma normal.”
Se manter informado e buscar auxílio médico é essencial na hora de tratar a asma. O Ministério da Saúde mantém uma página com informações sobre os sintomas, tratamentos, fatores de risco e métodos de prevenção contra a síndrome respiratória. Basta acessar: gov.br/saude/asma.
