segunda-feira 1, junho, 2026 - 16:12

Brasil Hoje

Governo e Câmara travam disputa sobre novo teto do MEI e do Simples Nacional

As negociações sobre o reajuste do teto de faturamento do Microempreendedor Individual

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As negociações sobre o reajuste do teto de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) e das empresas do Simples Nacional ganharam força nesta última semana de maio de 2026, em Brasília, mas um impasse entre o governo federal e a Câmara dos Deputados passou a dificultar o avanço da proposta. Enquanto parlamentares defendem uma atualização ampla dos limites do regime simplificado, a equipe econômica tenta restringir as mudanças apenas ao MEI para evitar impactos nas contas públicas.

O debate se intensificou após o Congresso acelerar a tramitação de projetos que reajustam os tetos do Simples sob o argumento de que os valores estão defasados pela inflação há vários anos.

Governo quer reajuste limitado ao MEI

Nos bastidores, o Palácio do Planalto e o Ministério da Fazenda articulam uma proposta mais enxuta, focada apenas no MEI.

A avaliação da equipe econômica é que ampliar todas as faixas do Simples Nacional poderia provocar forte redução de arrecadação para União, estados e municípios.

Estimativas de secretarias estaduais da Fazenda apontam que uma atualização completa das faixas superiores do regime poderia gerar perdas de até R$ 14,5 bilhões em tributos como ICMS e ISS.

Por isso, integrantes do governo defendem separar os debates:

  1. reajustar o teto do MEI;
  2. mas manter congeladas as demais faixas do Simples Nacional.

Câmara quer correção ampla do Simples

Na Câmara dos Deputados, porém, o entendimento é diferente.

Parlamentares ligados às frentes do empreendedorismo e representantes do setor produtivo afirmam que corrigir apenas o MEI desorganizaria toda a estrutura do Simples Nacional.

O relator da proposta, Jorge Goetten (Republicanos-SC), argumenta que elevar somente o teto do MEI de R$ 81 mil, é insuficiente porque pode aproximá-lo da primeira faixa de faturamento do Simples, de até R$ 180 mil, criando distorções tributárias.

Segundo aliados da proposta, a atualização precisa atingir todo o sistema para manter a progressividade entre MEI, microempresas e empresas de pequeno porte.

Valores em discussão

Os números analisados atualmente no Congresso preveem aumentos expressivos nos limites de faturamento.

A proposta em debate eleva:

  1. o teto anual do MEI de R$ 81 mil para cerca de R$ 144,9 mil;
  2. o limite das microempresas de R$ 360 mil para R$ 869,4 mil;
  3. e o das empresas de pequeno porte de R$ 4,8 milhões para R$ 8,69 milhões.

O Sebrae aponta que a defasagem dos limites, sem correção desde 2018 para o MEI, força a exclusão precoce de empresas do regime simplificado ou desestimula o crescimento dos negócios. A expectativa do setor é que o aumento do teto traga mais de 470 mil empresas para a formalidade em todo o país. 

Governo pede estudos fiscais

Em reuniões recentes conduzidas pela presidência da Câmara, o governo solicitou estudos detalhados de impacto fiscal aos ministérios da Fazenda e do Planejamento.

O Executivo sinalizou que pretende avançar com alguma solução ainda neste semestre, mas reforçou que qualquer medida precisará respeitar as metas fiscais e a sustentabilidade das contas públicas.

Próximos passos

Uma nova rodada de negociações entre técnicos da Receita Federal do Brasil e líderes partidários deve ocorrer nos próximos dias, após o feriado de Corpus Christi.

O objetivo será recalcular os impactos orçamentários e tentar construir um consenso para permitir a votação da proposta antes do recesso parlamentar.

Com informações da Folha de São Paulo e Agência Sebrae





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