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Fifa planeja venda de R$ 102 bi em novo veículo comercial – 28/07/2026 – Esporte


A Fifa (Federação Internacional de Futebol) planeja vender uma participação minoritária significativa em uma nova entidade comercial avaliada em cerca de US$ 20 bilhões (R$ 102 bilhões), à medida que a entidade máxima do futebol mundial busca capitalizar o sucesso da Copa do Mundo deste verão, que gerou lucros elevados.

A organização sem fins lucrativos com sede na Suíça está trabalhando com banqueiros do JPMorgan para levantar bilhões de dólares ao trazer investidores externos para adquirir uma participação de aproximadamente 20% na nova entidade, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Joshua Kushner, investidor do setor de tecnologia cujo irmão mais velho, Jared Kushner, é casado com Ivanka Trump —filha do presidente americano Donald Trump—, está em negociações para liderar o negócio por meio de seu fundo Thrive Eternal, disseram algumas das fontes.

O plano é a mais recente iniciativa para trazer mais dinheiro para a Fifa sob a liderança do controverso dirigente suíço Gianni Infantino, que se tornou um aliado próximo do presidente dos Estados Unidos nos últimos anos.

Em dezembro, a Fifa concedeu a Trump seu “prêmio da paz” inaugural, o que críticos alegaram ser uma violação das regras da entidade sobre neutralidade política.

O dinheiro arrecadado com a venda da participação ajudaria a Fifa a repassar mais recursos às suas associações nacionais membros, disse uma das fontes. Cada um dos 211 membros recebe cerca de US$ 2 milhões (R$ 11 milhões) por ano da Fifa, independentemente de seu porte. Os planos de investimento da Fifa estão em andamento há vários meses e estarão sujeitos à aprovação final.

A entidade deve gerar pelo menos US$ 13 bilhões (R$ 67 bilhões) em receita em seu ciclo atual de quatro anos, impulsionada pelo sucesso comercial da Copa do Mundo deste verão.

O evento, realizado nos Estados Unidos, no México e no Canadá, ajudou a Fifa a aumentar as receitas em relação aos US$ 7,6 bilhões (R$ 39 bilhões) do ciclo anterior. O próximo ciclo, que termina com uma Copa do Mundo na Espanha, em Portugal e no Marrocos, deve gerar pelo menos US$ 14 bilhões (R$ 72 bilhões).

A abordagem mais comercial da Fifa para a Copa do Mundo deste ano, que incluiu cobrar preços de ingressos significativamente mais altos e ficar com uma parte das vendas no mercado secundário, provocou protestos de grupos de torcedores e atraiu escrutínio de vários estados americanos.

Na segunda-feira (27), Jamie Raskin, líder democrata no comitê judiciário da Câmara, escreveu a Infantino exigindo que ele conceda uma entrevista como parte de uma investigação sobre os laços entre a Fifa e o governo Trump.

Durante a Copa do Mundo, o comitê disciplinar da Fifa suspendeu unilateralmente uma punição contra um jogador americano, Folarin Balogun, após pressão da Casa Branca. A Federação Norueguesa de Futebol disse na semana passada que está considerando apresentar uma queixa ética sobre o incidente, enquanto a Federação Belga prometeu pressionar por uma revisão das regras da Fifa.

Para aumentar as receitas da Fifa, Infantino já avançou ainda mais no futebol de clubes ao relançar a Copa do Mundo de Clubes, em uma medida que criou tensão com as entidades nacionais e regionais que tradicionalmente controlam o futebol de clubes. A Fifa agora está avaliando se deve expandir ainda mais o torneio e se deve realizá-lo com mais frequência do que a cada quatro anos.

A entidade também avalia ampliar a Copa do Mundo de 48 para 64 seleções. A decisão de aumentar o número de participantes de 32 para 48 no torneio deste verão já provocou ações judiciais por parte de algumas ligas europeias, que alegam que a entidade está levando o calendário de jogos, já sobrecarregado, ao limite.

Outras entidades esportivas —incluindo as ligas de futebol da Espanha e da França— criaram entidades comerciais separadas para atrair capital externo.



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