Amigo, estou aqui. Amigo, estou aqui.
Segundo o antropólogo britânico Robin Dunbar, há uma relação entre o tamanho do cérebro e o tamanho do grupo com o qual nos relacionamos. Um cérebro humano aguentaria no máximo 150 conexões com pessoas variadas no considerado ciclo social. Desses, até 15 são considerados amigos próximos, pessoas que você tem contato regularmente. E já os amigos de verdade, com vínculos profundos, em que se pode confiar os maiores segredos, é possível contar na palma de uma só mão, apenas cinco. Outra pesquisa feita em 2020 na Northern Illinois University diz que as mulheres de meia-idade só precisam ter cerca de três amigas para aumentar seus níveis gerais de satisfação. A Educadora FM foi às ruas tirar essa dúvida a limpo.
“Amigo de verdade, né? Mas cinco pessoas ou seis, no máximo.”
“Os poucos que eu tenho, tenho mais de 20. 20 amigos.”
“Eu vou aumentar um pouquinho. Vamos botar seis pessoas. Seis pessoas que eu posso realmente contar na vida.”
“Não chega a ser 10.”
“Mais ou menos umas, umas 10 pessoas.”
“De verdade, eu tenho um tanto bom, você tá me entendendo? Poxa, eu vou botar aí um milhão aí, mais ou menos. Um milhão? Sim.”
Sejam um, cinco ou um milhão, a psicóloga Mirella Martins Lipp, da Clínica Sim, resume: é importante ter alguém para contar.
“Porque somos seres sociais, e a amizade oferece pertencimento, apoio emocional, proteção diante do estresse. E já houveram vários estudos que pessoas com vínculos sociais mais fortes apresentam uma probabilidade de sobrevivência de cerca de 50% mais do que aquelas com relações mais frágeis. Então, a amizade não é só companhia; também é um fator de proteção para a saúde física e mental. Algumas pessoas até gostam de momentos de solitude, se sentem bem. O problema é quando existe o sofrimento pela falta de vínculo. Estar sozinho é diferente de se sentir solitário.”
Quem tem um amigo tem tudo. Se abala, o homem manda, ele se põe de escudo. Pro que vier, meu irmão, qualquer segundo. É um ombro para chorar depois do fim do mundo.
O problema é que, de acordo com o jornal El País, um estudo realizado por uma universidade finlandesa em parceria com a Oxford do Reino Unido em 2016 analisou os telefonemas feitos por um grupo de participantes e concluiu que nossos círculos de amizade atingem seu pico aos 25 anos. Depois disso, não só o número de amigos diminui, mas fica mais difícil encontrar novos. A psicanalista, doutora em educação e autora de livros infantis Silmara Casadei confirma que é realmente mais fácil achar amigos na escola ou brincando na rua, principalmente pelo fato de ser criança.
“A criança está num tempo de desenvolvimento de todas as suas habilidades. E a habilidade social é uma delas. Por isso, ela vai em busca de novas experiências quando ela encontra um par. Uma brincadeira, um desenho, uma atividade já é motivo para que as crianças se aproximem, e muitas vezes elas declaram: ‘Esse aqui é meu amigo’, ‘Essa é minha amiga’. Para que ela aprenda também a negociar, a conviver, a repartir, às vezes a perder, como num jogo, a se frustrar, a lidar com essas frustrações e, ao mesmo tempo, superar.”
Coordenadora pedagógica do Villa Global Education, Selma Brito vai além.
“As crianças possuem mais vantagens porque elas têm mais horas de convivência, tanto em casa como na escola. Então, lidar com criança é disponibilizar espaços de convivência. Então, por isso fica mais fácil. E assim, o brincar juntos, porque fazer amizade para a criança neste momento é a disposição dos outros para brincar juntos, sem nenhum peso mais ainda moral, nem de escolha. É dar a oportunidade. Possui poucos filtros sociais, eles não têm medo de rejeição. Não está construído isso, até a sua autoimagem não está construída. Então é fácil. O posicionamento é que vai começando a criar uma certa complexidade na convivência, e a criança não tem isso. E essa é uma vantagem. A criança está submetida a maiores possibilidades e, como ela não tem essa estrutura tão rígida, aí fica mais fácil realmente.”
Porém, ao crescer, diminui-se a rotina de brincar, falta tempo de encontrar os amigos, além de outros entraves, como explica a psicanalista da Clínica Holiste, Bárbara Santos.
“Porque quanto maior a idade, mais experiência se tem em relação a esses encontros. Laços são desfeitos a partir, às vezes, de decepções, de frustrações, de mágoas. Então, quando se ficam essas marcas ou essas feridas, fazer novas amizades tem um tom diferente. Tem algo diferente aí, é uma escolha diferente que é feita. Então, fazer novas amizades precisa, demanda aí uma disponibilidade emocional que é diferente de quando se é criança e adolescente, que você está começando a viver. Quando você tem uma idade maior, você vai acumulando ali certas marquistas. Então, há possibilidades, por exemplo, de você ter uma casa e não querer circular entre tantas pessoas, e ficar melhor em certas situações sozinho. É uma forma diferente de escolher estar nesses laços.”
Como amigo que é amigo não guarda segredo, não importa quantas amizades você tem na sua vida. Afinal, quem é amigo de todos não é amigo de ninguém. E tem aquele ditado que diz: “Diga-me com quem andas e te direi quem és”. Portanto, esqueça os amigos de ocasião, já que na hora da dificuldade é que se conhecem os verdadeiros amigos. E um amigo que é amigo mesmo não se perde por uma piada.
Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar. Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar.

