Saúde

Estilo de vida, doenças e medicamentos podem comprometer a fertilidade


A fertilidade não depende apenas de um fator — a capacidade de ter filhos envolve vários elementos que vão além de doenças. Embora condições como endometriose, síndrome dos ovários policísticos e varicocele sejam conhecidas por afetar a capacidade reprodutiva, fatores relacionados ao estilo de vida também podem comprometer as chances de uma gravidez.

Sedentarismo, obesidade, estresse, noites mal dormidas, tabagismo, consumo excessivo de álcool e uso indiscriminado de hormônios e anabolizantes estão entre os principais fatores que podem interferir na fertilidade de homens e mulheres. Segundo especialistas, muitos desses hábitos alteram o equilíbrio hormonal e prejudicam a produção de óvulos e espermatozoides.

Nas mulheres, diversos fatores do dia a dia podem reduzir a fertilidade ao provocar alterações hormonais e dificultar a ovulação. Entre eles estão:

  • Excesso de peso;
  • Alimentação inadequada;
  • Sedentarismo;
  • Estresse intenso;
  • Prática excessiva de atividade física, que pode levar à ausência de menstruação (amenorreia).

Em alguns casos, essas alterações fazem com que os ciclos menstruais deixem de ocorrer regularmente, reduzindo as chances de gravidez. Outro fator é a frequência das relações sexuais: a baixa atividade também pode diminuir as oportunidades de fecundação durante o período fértil.

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do Metrópoles Saúde e Ciência

De acordo com o ginecologista Claudio Severino Jr., do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo, a saúde reprodutiva está diretamente relacionada aos hábitos diários.

“A fertilidade é o reflexo de uma vida com menos estresse e hábitos saudáveis. Alimentação equilibrada, atividade física regular e prevenção de infecções ginecológicas fazem diferença ao longo do tempo”, afirma.

Hábitos também afetam a qualidade dos espermatozoides

Nos homens, o impacto do estilo de vida costuma ocorrer principalmente sobre a produção e a qualidade dos espermatozoides. Tabagismo, álcool em excesso, obesidade, privação de sono e estresse aumentam o estresse oxidativo, podendo reduzir a quantidade, a motilidade e até alterar o DNA espermático.

O uso de testosterona e anabolizantes também merece atenção. Embora muitas pessoas utilizem as substâncias para fins estéticos ou esportivos, elas podem interromper temporariamente a produção natural de espermatozoides ao inibir o estímulo hormonal dos testículos.

Segundo o urologista Rafael Romero, do Hospital Alvorada de Moema, também em São Paulo, esse é um dos erros mais comuns entre homens que desejam ter filhos no futuro.

 “Quem pretende ser pai deve conversar com o médico antes de iniciar testosterona, anabolizantes ou medicamentos hormonais, porque esses tratamentos podem comprometer a produção de espermatozoides”, explica.

Medicamentos e idade também influenciam a fertilidade

Além dos hábitos cotidianos, alguns medicamentos podem interferir na fertilidade. Entre eles estão anabolizantes, testosterona, quimioterápicos, medicamentos hormonais e, em alguns casos, antidepressivos e remédios para emagrecimento. Por isso, o uso deve ser sempre acompanhado por um profissional de saúde.

No caso das mulheres, o uso prolongado de anticoncepcionais não causa infertilidade permanente. Após a interrupção do método, a fertilidade costuma retornar entre um e seis meses, dependendo do tipo de contraceptivo e das características individuais.

A idade também influencia na capacidade reprodutiva. Enquanto a reserva de óvulos diminui naturalmente nas mulheres ao longo dos anos, os homens também apresentam redução gradual da qualidade dos espermatozoides com o envelhecimento.

Para preservar a fertilidade, especialistas recomendam manter peso adequado, praticar exercícios físicos de forma equilibrada, dormir bem, evitar cigarro e consumo excessivo de álcool, controlar doenças crônicas e procurar avaliação médica diante de dificuldades para engravidar ou antes de iniciar tratamentos hormonais.



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