domingo 31, maio, 2026 - 12:47

Brasil Hoje

entenda possíveis impactos para o país

O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou novos capítulos após a divulgação de e

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O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou novos capítulos após a divulgação de estudos com projeções divergentes sobre a redução da jornada de trabalho. Enquanto entidades empresariais alertam para possíveis impactos no PIB e aumento de preços, pesquisadores e especialistas defendem que a economia pode absorver as mudanças sem prejudicar o emprego ou elevar a inflação. 

O impacto projetado pelo setor produtivo

As entidades que representam o empresariado nacional apresentam números preocupantes sobre a sustentabilidade do fim da escala 6×1.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a redução da jornada de trabalho possa provocar uma queda de até 0,7% no PIB brasileiro.

Segundo Marcelo Azevedo, economista da CNI, a perda de horas trabalhadas sem uma redução proporcional nos salários nominais elevará o valor do salário-hora.

Esse custo extra tende a se acumular ao longo de toda a cadeia produtiva, gerando repasses sucessivos até o consumidor final.

A entidade projeta uma alta média de 6,2% nos preços industriais e avalia como improvável um aumento repentino de produtividade que compense essa diferença.

No setor de comércio e serviços, os números são ainda mais expressivos.

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) prevê um aumento de até 21% nos custos da folha de pagamento das empresas.

Como consequência direta, o repasse inflacionário ao consumidor final nos estabelecimentos comerciais poderia chegar a 13%.

A CNC ressalta que, sem flexibilização salarial, a rentabilidade da atividade comercial sofrerá um impacto severo no país.

A visão de neutralidade e o ajuste dinâmico

Em contrapartida, as análises técnicas elaboradas por pesquisadores independentes trazem um cenário consideravelmente mais moderado.

Uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) contesta a metodologia que aponta aumentos superiores a 20% nos custos.

Felipe Pateo, economista do Ipea e um dos autores da nota, explica que, matematicamente, o custo extra do trabalho nos setores mais afetados não deve ultrapassar 10%, ficando em uma média de 7,8%.

Quando diluído no custo total de operação das empresas, esse impacto real recua para uma faixa entre 1% e 6,6%, variando conforme o segmento.

O instituto avalia que o efeito sobre a inflação geral tende a ser bastante limitado no médio prazo.

Adicionalmente, os pesquisadores apontam que a livre concorrência e a capacidade ociosa de diversos setores impedem que as empresas repassem integralmente os custos aos preços praticados no mercado.

Histórico e o debate conceitual

Especialistas que defendem a viabilidade da proposta costumam recorrer à história recente do mercado de trabalho nacional para contextualizar a transição.

Marilane Teixeira, economista e pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), lembra que a Constituição de 1988 reduziu a jornada semanal de 48 para 44 horas.

Naquela oportunidade, os estudos acadêmicos posteriores demonstraram que não houve o esperado impacto negativo sobre o nível de empregos.

Ela pondera que aumentos reais expressivos no salário mínimo também ocorreram nas últimas décadas sem gerar desemprego em massa.

Para a economista, a divergência entre os estudos atuais não decorre de erros de cálculo, mas sim das premissas econômicas adotadas por cada instituição.

Trata-se do que a literatura econômica chama de conflito distributivo: uma disputa técnica e política sobre como alocar a renda do trabalho, os lucros empresariais e os ganhos de produtividade da sociedade.

Com informações da Agência Brasil, Rádio Câmara e Isto é Dinheiro





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