A forma como as empresas avaliam a produtividade dos colaboradores está mudando. Em um cenário marcado pelo avanço do trabalho híbrido, da inteligência artificial e da digitalização das rotinas, especialistas defendem que medir desempenho apenas pelo tempo em frente ao computador ou pela quantidade de horas trabalhadas já não reflete a real contribuição dos profissionais para os resultados do negócio.
O debate ganhou força nos últimos anos, especialmente após a consolidação do home office e a mudança da escala 6×1. Embora muitas empresas tenham adotado ferramentas para monitorar a atividade dos funcionários, especialistas em gestão de pessoas afirmam que produtividade está mais relacionada à qualidade das entregas, ao cumprimento de metas e ao impacto gerado para a organização do que ao controle constante da jornada.
Monitoramento não significa produtividade
O avanço das tecnologias de monitoramento permitiu que empresas acompanhassem desde o tempo de uso de aplicativos até acessos ao e-mail corporativo e ao navegador durante o expediente. Apesar disso, especialistas alertam que essas ferramentas, quando utilizadas isoladamente, podem gerar uma falsa percepção de produtividade.
Em vez de aumentar o desempenho, o excesso de vigilância tende a reduzir o engajamento, elevar os níveis de estresse e comprometer a confiança entre empresas e colaboradores.
O foco deve estar nas entregas
Para especialistas em gestão, empresas que adotam indicadores claros de desempenho conseguem avaliar melhor a produtividade das equipes.
Entre os critérios mais recomendados estão:
- Cumprimento de metas e prazos;
- Qualidade das entregas;
- Capacidade de solucionar problemas;
- Colaboração entre equipes;
- Inovação e melhoria de processos;
- Satisfação dos clientes internos e externos.
A avaliação baseada em resultados também favorece modelos híbridos e remotos, nos quais o tempo de permanência conectado nem sempre representa maior produção.
Home office exige novos indicadores
A discussão também envolve o trabalho remoto. Especialistas afirmam que muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para definir métricas adequadas para equipes que atuam fora do escritório. Em vez de controlar horários, a recomendação é estabelecer objetivos claros, acompanhar indicadores de desempenho e manter uma comunicação frequente entre gestores e colaboradores.
Segundo eles, organizações que conseguem alinhar expectativas e oferecer autonomia tendem a obter melhores resultados do que aquelas que priorizam apenas o monitoramento das atividades.
Jornada menor também pode aumentar a produtividade
Outro tema que vem sendo discutido é a relação entre carga horária e desempenho.
Estudos sobre redução da jornada indicam que menos horas de trabalho nem sempre significam menor produção. Em muitos casos, colaboradores descansados apresentam maior concentração, cometem menos erros e conseguem entregar resultados mais consistentes.
Especialistas destacam que produtividade está ligada à eficiência, e não simplesmente ao número de horas trabalhadas.
Gestão baseada em confiança
Para consultores de recursos humanos, o modelo mais eficiente combina metas objetivas, autonomia e acompanhamento contínuo do desempenho.
Nesse contexto, o papel da liderança também muda. Em vez de fiscalizar permanentemente os colaboradores, gestores passam a atuar como facilitadores, oferecendo suporte, eliminando obstáculos e acompanhando o desenvolvimento das equipes.
A tendência é que indicadores quantitativos sejam complementados por avaliações qualitativas, considerando aspectos como inovação, colaboração e capacidade de adaptação.
Produtividade vai além dos números
Especialistas ressaltam que produtividade não deve ser confundida com ocupação constante ou excesso de horas trabalhadas.
Um profissional pode permanecer conectado durante todo o expediente e, ainda assim, produzir menos do que outro que trabalha com foco, organização e autonomia.
Com a transformação digital e o avanço das novas formas de trabalho, cresce o consenso de que medir produtividade exige olhar para os resultados entregues, o valor gerado para o negócio e a sustentabilidade do desempenho no longo prazo, em vez de apenas monitorar o tempo gasto em cada atividade.
Debate sobre a escala 6×1 reforça discussão sobre produtividade
A forma de medir produtividade também ganhou espaço nas discussões sobre a possível redução da jornada de trabalho no Brasil. No Congresso Nacional, propostas que tratam do fim da escala 6×1 e da adoção de modelos mais flexíveis reacenderam o debate sobre a relação entre horas trabalhadas e desempenho.
Defensores das mudanças argumentam que jornadas mais equilibradas podem melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, reduzir afastamentos por problemas de saúde e aumentar a produtividade, desde que as empresas invistam em gestão por resultados e reorganização dos processos.
Estudos nacionais e internacionais apontam que equipes com maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional tendem a apresentar mais engajamento, menor índice de rotatividade e menos erros operacionais. Por outro lado, representantes do setor empresarial defendem que eventuais mudanças na jornada devem considerar as particularidades de cada segmento econômico, especialmente em atividades que dependem de atendimento contínuo ao público.
Nesse cenário, especialistas afirmam que a discussão sobre a escala 6×1 evidencia uma mudança de paradigma: cada vez mais, produtividade deixa de ser medida pelo número de horas trabalhadas e passa a ser avaliada pela capacidade de entregar resultados, inovar e gerar valor para as organizações.
Com informações da Forbes
