Brasília

DPU entra com ação para proteção do Espaço Cruz da Esperança em SP

DPU entra com ação para proteção do Espaço Cruz da Esperança em SP


A Prefeitura de São Paulo cumpriu, nesta semana, a decisão de reintegração de posse e demolição do Espaço Cruz da Esperança, quilombo urbano reduto da cultura negra, na zona norte da capital. O pedido da administração municipal foi atendido pela justiça paulista.

A DPU, Defensoria Pública da União, informou nesta quinta-feira (30) que ajuizou uma ação civil pública na Justiça Federal com pedido de tutela provisória de urgência em defesa do patrimônio histórico, cultural e arqueológico do local. Em nota, a Defensoria Pública afirma que, apesar da demolição já ter acontecido, a ação ainda busca assegurar a proteção do Quilombo do Cruz e preservar os direitos da comunidade tradicional negra e de matriz africana.

Com quase 70 anos de história, o Grêmio Recreativo Cruz da Esperança foi criado por trabalhadores negros, em 1958, no bairro da Casa Verde. Na área de cerca de 15 mil metros quadrados, que abrigava futebol de várzea, rodas de capoeira, manifestações de religiões de matriz africana, além do Samba do Cruz, restaram escombros.

No local será construído o Parque Municipal Campo de Marte. No ano passado, a prefeitura assinou o contrato de concessão por 35 anos para a iniciativa privada.

Em nota, a administração municipal disse que a medida foi determinada pela Justiça em março deste ano e que dialogou com todas as entidades que utilizam o espaço. Segundo a gestão municipal, apenas o Clube Cruz da Esperança abandonou as tratativas e descumpriu as notificações para desocupar a área de forma voluntária.

O IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, identificou indícios de relevância histórica e potencial arqueológico na área e recomendou a adoção das medidas de proteção cabíveis.

Em publicação nas redes sociais, o Grêmio Recreativo Cruz da Esperança disse que lutou para preservar um espaço que representa a ancestralidade, a cultura preta e o quilombo, e que a Cruz da Esperança é memória, identidade, resistência e pertencimento.




Fonte GDF

Deixe um comentário