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Dívida impagável? Saiba como renegociar sem prejuízo

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O aumento do custo de vida, os juros elevados e a perda de renda têm levado cada vez mais brasileiros a enfrentar dificuldades para manter as contas em dia. Quando as parcelas passam a comprometer boa parte do orçamento e deixam de caber no bolso, especialistas recomendam não recorrer imediatamente a novos empréstimos, mas renegociar as dívidas antes que elas se tornem ainda maiores.

A orientação ganha importância em um momento em que o endividamento das famílias permanece elevado. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 81,6% das famílias brasileiras estavam endividadas em maio de 2026, um dos maiores índices já registrados pela pesquisa. Além disso, cresce o número de consumidores que afirmam não conseguir pagar suas dívidas sem comprometer despesas essenciais.

O que leva uma dívida a se tornar impagável?

Segundo especialistas, o superendividamento raramente acontece por um único motivo. Na maioria dos casos, ele resulta da combinação de fatores que reduzem a capacidade financeira das famílias ao longo do tempo.

Entre as principais causas estão:

  1. Perda do emprego ou redução da renda;
  2. Despesas inesperadas, como problemas de saúde;
  3. Uso frequente do cartão de crédito e do cheque especial;
  4. Contratação de empréstimos para quitar outras dívidas;
  5. Falta de planejamento financeiro;
  6. Inflação e aumento do custo de vida;
  7. Juros elevados, que fazem o saldo devedor crescer rapidamente.

Quando o consumidor começa a utilizar uma linha de crédito para pagar outra ou compromete grande parte da renda apenas com parcelas, a tendência é que a dívida se torne cada vez mais difícil de quitar.

O primeiro passo é conhecer a própria situação financeira

Antes de procurar bancos ou empresas para renegociar, especialistas recomendam fazer um diagnóstico completo das finanças.

É importante listar todas as dívidas existentes, identificar os juros cobrados, o número de parcelas restantes, a renda disponível e as despesas mensais. Esse levantamento ajuda a entender quais compromissos precisam ser negociados primeiro e quanto realmente cabe no orçamento.

Também é fundamental separar gastos essenciais daqueles que podem ser reduzidos temporariamente para facilitar a reorganização financeira.

Priorize as dívidas mais caras

Nem todas as dívidas têm o mesmo impacto sobre o orçamento.

Cartão de crédito e cheque especial costumam apresentar algumas das maiores taxas de juros do mercado e, por isso, devem ser priorizados durante a renegociação.

Reduzir esses débitos primeiro ajuda a impedir que a dívida continue crescendo rapidamente e facilita a recuperação do equilíbrio financeiro.

Negocie diretamente com o credor

Outra recomendação é procurar a instituição financeira ou empresa credora antes que a situação se agrave.

Muitas empresas oferecem alternativas como redução dos juros, alongamento do prazo de pagamento, descontos para liquidação antecipada ou parcelamentos com condições diferenciadas.

Quanto mais cedo o consumidor procurar negociar, maiores costumam ser as chances de obter um acordo vantajoso.

Compare propostas antes de fechar acordo

Especialistas alertam que nem toda renegociação representa economia.

Antes de assinar um novo contrato, é importante analisar cuidadosamente o custo efetivo total da operação, a nova taxa de juros, o prazo de pagamento e o valor final da dívida.

Em alguns casos, parcelas menores podem significar um custo total muito maior devido ao aumento do prazo de financiamento.

Evite fazer uma dívida para pagar outra

Uma prática comum entre consumidores endividados é contratar novos empréstimos para quitar débitos antigos.

Segundo especialistas, essa estratégia só deve ser adotada quando o novo crédito realmente reduzir os juros pagos e melhorar as condições financeiras. Caso contrário, a tendência é apenas trocar uma dívida por outra, prolongando o problema.

Organização financeira é essencial após a renegociação

Depois de fechar um acordo, o consumidor precisa reorganizar o orçamento para evitar que o endividamento volte a crescer.

Entre as recomendações estão controlar as despesas mensais, evitar compras por impulso, acompanhar regularmente os gastos e, quando possível, criar uma reserva financeira para imprevistos.

Caso as dívidas já comprometam a renda necessária para despesas básicas, especialistas também orientam buscar apoio dos Procons ou utilizar os mecanismos previstos na Lei do Superendividamento, que permite negociações coletivas com credores para preservar o chamado mínimo existencial do consumidor.

Para especialistas, enfrentar o problema logo nos primeiros sinais de dificuldade aumenta as chances de recuperação financeira. Adiar a negociação ou recorrer sucessivamente ao crédito pode transformar uma dívida administrável em um compromisso praticamente impossível de pagar.

Com informações da Folha de São Paulo e CNN





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