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Copa: Matheus Cunha quer a perfeição, diz psicopedagoga – 20/06/2026 – Esporte

Enquanto Matheus Cunha marcava dois gols pelo Brasil na vitória contra o Haiti na noite

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Enquanto Matheus Cunha marcava dois gols pelo Brasil na vitória contra o Haiti na noite desta sexta-feira (19), pela segunda rodada da Copa do Mundo, Rose Ferraz acompanhava a partida diante da televisão.

Psicopedagoga do Coritiba durante a formação do atacante, ela enviou uma mensagem ao jogador um dia antes e disse não ter se surpreendido com a atuação.

“Eu tinha certeza que nesta Copa ele iria fazer um bom trabalho, como ele sempre fez”, afirmou à Folha durante a partida.

“Eu ficaria horas falando do Matheus Cunha, e sempre converso com ele, mando mensagem para ele. Ontem [quinta-feira] mesmo mandei uma mensagem falando que hoje [sexta] eu ia sentar no sofá para assistir ao jogo dele”, complementou.

Para Rose, a atuação foi mais um capítulo de uma trajetória construída ao longo de anos.

O atacante chegou à Copa de 2026 depois de viver os dois extremos de um ciclo mundial. Há quatro anos, ficou fora da lista final da seleção brasileira para o torneio do Qatar. Nesta sexta, como titular, marcou seus primeiros gols em uma Copa do Mundo.

A característica que mais marcou a educadora desde os tempos de Coritiba, segundo ela, permanece a mesma.

“Ele nunca para de querer a perfeição. O Matheus sempre usou a inteligência dele, a capacidade dele de ler o que está acontecendo e melhorar, dentro desse contexto, a atuação dele”, afirma. “Sempre foi um atleta exemplar na questão de cumprir as tarefas dele em campo, de aprender, de procurar entender o técnico, procurar entender o que estava sendo feito, o que estava sendo proposto.”

Fora de campo, Matheus Cunha participava das atividades educacionais promovidas pelo clube.

“Quando eu percebi que ele tinha uma facilidade muito grande, uma inteligência, ele estava acima da média, eu fiz uma proposta para ele na qual ele iria trabalhar com os menores, com atletas menores, ensinando as disciplinas nas quais eles não conseguiam ir tão bem. E prontamente ele aceitou e participava”, disse.

A passagem pelo exterior foi acompanhada por uma sequência de avanços e obstáculos.

Campeão olímpico e artilheiro do torneio com a seleção brasileira em Tóquio, em 2021, ele chegou a participar do ciclo para a Copa de 2022, mas acabou fora da convocação final.

Na época, a disputa por vagas no ataque e um período de instabilidade em seu clube pesaram contra sua presença no Mundial.

A ausência foi recebida com emoção pelo jogador, que publicou um vídeo chorando após a divulgação da lista. Quatro anos depois, a cena deu lugar à comemoração dos dois gols marcados contra o Haiti.

Na zona mista após a partida, Matheus Cunha lembrou a frustração de ter ficado fora do Mundial anterior.

“Faria de tudo para estar na Copa do Mundo passada e, graças a Deus, estou abençoado por Deus para estar nesta agora. E fico tão feliz de poder estar aqui e ajudar, porque acho que é tudo o que eu sempre sonhei.”

Nascido em João Pessoa (Paraíba), o jogador passou parte da infância no Recife (Pernambuco) antes de seguir para Curitiba (Paraná). Aos 17 anos, deixou o Brasil para defender o Sion, da Suíça, iniciando uma trajetória que o levaria às principais ligas da Europa.

Há sete anos, Cunha revelou à Folha em tom bem-humorado que também ouviu conselhos da mãe para melhorar como jogador. À época, defendia o RB Leipzig, da Alemanha, e concorria ao prêmio Puskás, da Fifa, de gol mais bonito da temporada, ao lado de Lionel Messi e Zlatan Ibrahimovic.

Matheus Cunha contou que as cobranças maternas estavam relacionadas às quedas em campo nos primeiros meses de adaptação ao futebol europeu.

“Tinha acabado de chegar ao Sion. Agora já ganhei corpo e estou muito mais adaptado ao estilo europeu e aguentando mais os trancos dos zagueiros. Foi uma fase de adaptação. Mas eu não caía tanto assim, não [risos]. Minha mãe que cobra mesmo. Ela é fogo”, afirmou.

Do Sion, o paraibano passou por RB Leipzig e Hertha Berlim (também alemão), Atlético de Madrid, na Espanha, e Wolverhampton, na Inglaterra.

Em junho de 2025, foi contratado pelo Manchester United por 62,5 milhões de libras. Nos Red Devils (Diabos Vermelhos), passou a vestir a camisa 10.

Para Rose, a trajetória que levou o antigo talento da base do Coritiba à Copa do Mundo pode ser resumida pela mesma característica observada na adolescência.

“Tudo o que ele tem hoje, tudo o que ele conseguiu, foi por conta dessa excelência do profissionalismo dele.”



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