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Esporte

Copa do Mundo: streaming matou o pai de Messi – 19/06/2026 – O Último Messi

Já faz algum tempo que o respeito pelas camisas do Brasil e da Argentina não é o mesmo

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Já faz algum tempo que o respeito pelas camisas do Brasil e da Argentina não é o mesmo.

A verde e amarela é vítima de apropriação política pelo bolsonarismo e de piadas do presidente Lula ao se referir a Neymar como um “jogador de home office”. E o Brasil é comandado por um treinador italiano.

Na Argentina, ninguém ousaria fazer isso; a camisa azul e branca pertence a todos (com algumas nuances, como verão), o técnico é argentino e o presidente não zomba de seus jogadores. Outra coisa é uma streamer matar o pai de Lionel Messi; isso, sim, é possível.

A euforia e a admiração que se seguiram à estreia de Messi e seu hat-trick contra a Argélia foram interrompidas nesta quinta-feira (18) por um incidente surpreendente.

Florencia Peña, uma atriz e comediante que apresenta(va) um programa no canal de streaming Luzu TV, anunciou a morte de Jorge Messi, pai de Lionel, com uma indiferença, leveza e falta de rigor que farão com que o trecho do vídeo se torne, por muitos anos, uma referência de tudo o que não se deve fazer na mídia.

Com um detalhe importante: é preciso ser uma ótima atriz para que acreditem que você faz as coisas tão mal assim. Ou é preciso ser uma pessoa má.

Essa gigantesca fake news dividiu os argentinos e afetou, desta vez de verdade, a seleção. Pois há quem defenda Peña (“pode acontecer com qualquer um, a culpa é dos produtores”) e quem, por trás da falsa morte de Jorge Messi (que, de fato, está doente), veja a mão oculta dos setores mais recalcitrantes do kirchnerismo, do qual Peña é fervorosa simpatizante. Como seria isso? Os setores mais ideologizados e inflexíveis do kirchnerismo, a última vertente do peronismo, acreditam que os jogadores da seleção argentina são uns “desclassificados” e que Messi, particularmente, é um fantoche de Donald Trump.

Há algo de verdade nisso: essa seleção comandada por Lionel Scaloni é provavelmente a menos peronista das últimas décadas.

Era comum que boa parte dos jogadores simpatizasse com o movimento fundado há 80 anos por Juan Perón. Hoje, em 2026, já não é assim: apenas dois dos 26 convocados jogam em clubes argentinos. Longe da Argentina, influenciados por outras sociedades e experiências e com a capacidade de ver o país de fora, o peronismo já não é uma referência válida para a maioria deles. Isso ficou parcialmente evidente quando a seleção chegou à Argentina em dezembro de 2022 com o troféu de campeã mundial e se recusou a visitar a Casa Rosada e a cumprimentar o então presidente peronista, Alberto Fernández.

Hoje, Javier Milei, como qualquer político, tenta tirar proveito da popularidade da seleção, mas os jogadores mantêm distância.

Messi não manteve distância de Trump, a quem visitou na Casa Branca ao lado do time campeão da MLS, o Inter de Miami, em março deste ano. Quatorze meses antes, ele havia desprezado Joe Biden quando o então presidente o homenageou com a Medalha da Liberdade. Messi nem compareceu nem enviou um representante.

Messi é trumpista? Pergunta em aberto e sem respostas certeiras. O que está claro é que Florencia Peña não é jornalista nem quer ser. E que, se a mídia acredita que o caminho para a salvação é se parecer menos com um veículo tradicional e mais com a Luzu TV, mais cedo ou mais tarde ela também matará o pai de Messi.


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