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Copa do Mundo: Infantino prioriza proximidade com Trump – 10/06/2026 – Esporte

Há um ano, a Fifa (Federação Internacional de Futebol), entidade que governa o futebol

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Há um ano, a Fifa (Federação Internacional de Futebol), entidade que governa o futebol mundial, mantém um escritório no 17º andar da Trump Tower, em Nova York, que permanece praticamente vazio. O aluguel é pago à empresa da família do presidente Donald Trump, mas dirigentes do futebol afirmam que o espaço raramente é utilizado.

A decisão de alugar o escritório partiu de Gianni Infantino, presidente da Fifa, que transformou a proximidade com Trump em uma de suas prioridades. Nos últimos anos, ele acumulou elogios públicos ao presidente, entregou troféus e medalhas, visitou Mar-a-Lago, o clube de golfe Trump National Doral e até compareceu à estreia de um documentário sobre a primeira-dama Melania Trump.

Segundo aliados, a estratégia busca garantir que a Copa do Mundo, que começa nesta semana, transcorra sem sobressaltos. Trump teria capacidade de criar dificuldades para a realização do torneio, e Infantino considera essencial manter uma relação próxima com a Casa Branca.

A Fifa tem objetivos claros para a Copa nos Estados Unidos. A entidade quer ampliar sua relevância no maior mercado consumidor do mundo e consolidar o crescimento do futebol no país. Também busca se afastar da reputação de corrupção que levou a processos conduzidos pelo Departamento de Justiça americano na última década.

Após fracassar na tentativa de estreitar laços com o governo Joe Biden, Infantino encontrou receptividade em Trump, que costuma chamá-lo de “rei do futebol”. Há dez anos, dirigentes da Fifa temiam viajar aos Estados Unidos por receio de serem presos durante as investigações sobre corrupção. Hoje, Infantino é presença frequente no Salão Oval.

A proximidade, porém, desperta questionamentos. O dirigente já havia sido criticado pela relação cordial mantida com governos da Rússia e do Qatar durante as últimas Copas do Mundo. Agora, volta a enfrentar acusações de ultrapassar os limites de uma função que deveria ser politicamente neutra.

“É absolutamente crucial para o sucesso de uma Copa do Mundo ter uma relação próxima com o presidente e com o governo”, afirmou Infantino no ano passado. “Tenho muitos amigos.”

A Copa de 2026 servirá como teste para essa estratégia.

Um dirigente da Fifa afirmou acreditar que existe um entendimento informal segundo o qual autoridades americanas evitariam ações de fiscalização migratória nas proximidades dos estádios. A Fifa nega qualquer acordo e afirma que decisões sobre imigração pertencem exclusivamente ao governo dos Estados Unidos.

Ainda assim, alguns episódios reforçaram a percepção de influência. O Departamento de Justiça encerrou recentemente acusações remanescentes ligadas aos escândalos de corrupção da Fifa, alegando que os casos não se enquadravam nas prioridades do governo Trump. O presidente também demonstrou deferência ao dirigente ao comentar a participação do Irã no torneio. “Se Gianni disse que pode, então estou de acordo”, declarou.

Apesar disso, a relação não evita todos os problemas. Trump criticou publicamente os preços elevados dos ingressos da Copa. Além disso, integrantes da comissão técnica iraniana tiveram vistos negados e um árbitro da Somália foi impedido de entrar no país.

Dentro da própria Fifa, cresce a dúvida sobre quem realmente se beneficia da proximidade. Críticos observam que Infantino acompanhou Trump em viagens oficiais, participou de sua posse presidencial e compareceu a eventos diplomáticos sem qualquer relação direta com o futebol.

“Infantino acha que lidera essa relação. Mas ninguém lidera Trump”, afirmou Joseph Blatter, ex-presidente da Fifa.

O PRIMEIRO ENCONTRO

Trump e Infantino se conheceram em 2018, na Casa Branca, pouco depois de Estados Unidos, Canadá e México conquistarem o direito de sediar a Copa do Mundo de 2026.

O encontro ocorreu em clima amigável. Trump brincou com a fama do dirigente, perguntando se ele era “importante e famoso”. Infantino respondeu sorrindo e entregou ao presidente uma camisa personalizada e cartões de arbitragem, que ambos sugeriram, em tom de piada, que poderiam ser usados contra a imprensa. “Agora você faz parte da equipe da Fifa”, disse o dirigente.

A cena simbolizava uma mudança radical. Apenas três anos antes, o Departamento de Justiça havia revelado um amplo esquema de corrupção envolvendo dirigentes do futebol mundial. Grandes patrocinadores abandonaram a entidade e sua imagem estava profundamente desgastada.

Mas Infantino rapidamente passou a aparecer ao lado de Trump em ocasiões cada vez mais relevantes. Em 2019, durante o primeiro processo de impeachment do presidente, participou de eventos na Casa Branca e elogiou sua liderança. Também esteve presente na assinatura dos Acordos de Abraão, que normalizaram relações diplomáticas entre Israel e países árabes.

Após uma reunião com autoridades americanas ligadas às investigações da Fifa, afirmou estar convencido de que a credibilidade da entidade estava sendo restaurada “no mais alto nível”.

O PERÍODO BIDEN E O RETORNO DE TRUMP

A chegada de Joe Biden à Presidência dos EUA esfriou a relação. Integrantes do governo democrata afirmam que havia cautela em relação a uma organização ainda associada a escândalos de corrupção.

Não houve encontros frequentes nem demonstrações públicas de proximidade.

A situação mudou após a vitória de Trump na eleição de 2024. Dias antes da posse, Infantino encontrou o presidente em Mar-a-Lago. Trump agradeceu publicamente ao dirigente em um comício e a Fifa passou a ter acesso privilegiado ao novo governo.

Infantino promoveu essa relação, chegando a afirmar que, juntos, fariam “não apenas os EUA grande novamente, mas também o mundo”.

O dirigente conquistou aquilo que buscava: elogios públicos, apoio institucional e a criação de uma força-tarefa da Copa do Mundo dentro do governo americano.

“INTERESSES POLÍTICOS PRIVADOS”

As críticas atingiram novo patamar em maio de 2025. Enquanto os principais dirigentes do futebol mundial participavam do congresso anual da Fifa, no Paraguai, Infantino acompanhava Trump em uma viagem oficial aos países do Golfo.

O deslocamento não tinha ligação direta com o futebol. Quando chegou ao encontro da entidade, estava várias horas atrasado. Em protesto, dirigentes europeus abandonaram a reunião e acusaram o presidente da Fifa de priorizar “interesses políticos privados”.

Pouco depois, durante a promoção do Mundial de Clubes, Infantino chegou a atribuir a Trump parte dos méritos pela criação do torneio.

Na véspera da competição, uma publicação da Alfândega americana anunciando a presença de agentes de fiscalização nos jogos gerou preocupação entre organizadores. Dirigentes temiam que operações migratórias contra torcedores provocassem repercussão negativa mundial.

Segundo fontes envolvidas no planejamento do torneio, assessores de Infantino discutiram maneiras de convencer Trump a suspender esse tipo de ação durante os eventos da Fifa. Posteriormente, a publicação foi removida e as operações não ocorreram.

O PRÊMIO DA PAZ DA FIFA

As visitas de Infantino à Casa Branca tornaram-se frequentes. “Sempre feliz por estar em casa”, disse durante uma delas. “Você está em casa”, respondeu Trump.

A proximidade abriu portas para projetos comerciais envolvendo aliados do presidente. A Fifa discutiu investimentos em uma plataforma de streaming e estudou iniciativas inspiradas no modelo de licenciamento da marca Trump, incluindo hotéis e até uma possível criptomoeda ligada à entidade.

O episódio mais controverso, porém, envolveu a criação do Prêmio da Paz da Fifa. Após Trump não receber o Nobel da Paz, prêmio que desejava conquistar, Infantino decidiu criar uma honraria própria. Segundo relatos internos, muitos detalhes do projeto sequer haviam sido definidos quando dirigentes foram informados de que o primeiro vencedor já estava escolhido.

A premiação acabou sendo entregue ao próprio Trump durante um evento realizado em Washington. O presidente recebeu certificado, medalha e um troféu da Fifa. “Uma das maiores honras da minha vida”, declarou.

A homenagem provocou forte reação entre dirigentes do futebol, que consideraram a iniciativa embaraçosa e incompatível com a neutralidade que a entidade deveria preservar.

Mesmo assim, Infantino continuou exibindo publicamente sua proximidade com o presidente. Em encontros internacionais, chegou a usar um boné vermelho com a inscrição “45-47”, referência aos mandatos presidenciais de Trump.

Ao anunciar sua intenção de disputar um terceiro mandato à frente da Fifa, exibiu uma apresentação sobre a transformação da entidade na última década. Entre as imagens destacadas estava, novamente, Donald Trump.

“Sem dúvida avançamos muito nos últimos dez anos”, disse a dirigentes do futebol. Segundo ele, a Fifa agora está “sentada nas principais mesas de decisão, em todos os aspectos”.



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